Revista TPM

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Frances Ha

A atriz-sensação Greta Gerwig fala sobre o filme que protagoniza: "Amo ver pessoas reais nos filmes"
23.08.2013 | Texto: Gabriela Sá Pessoa | Fotos: Divulgação

Aviso: a pessoa que escreve este texto caiu de amores pela obra comentada a seguir.

A vida parece começar a dar certo para os amigos de Frances. Aos 26 anos, eles têm um apartamento em Nova York, planejam se casar, são artistas e ganham dinheiro, vão a festas incríveis. Tudo vai bem, menos para Frances – que é bailarina, mas não consegue realmente fazer parte de uma companhia de dança, não tem dinheiro para o aluguel e acabou de terminar um namoro que nem curtia tanto assim.

Alguém mais achou que essa história é quase como se olhar no espelho? Talvez porque não seja difícil se identificar com o enredo de Frances Ha, produção dirigida por Noah Baumbach – de A lula e a baleia – que estreia hoje. Estrelado e co-escrito por Greta Gerwig, uma das musas do atual cinema independente americano e amiga de Lena Dunham, é difícil não cair de amores pelo roteiro ágil e divertidíssimo sobre a geração que, em uma economia pós-crise de 2008, se submete a estágios grátis ou mal remunerados (alô, Girls) e tenta a todo custo sobreviver das ciências humanas. 

Se ainda faltam motivos para cair de amores pelo filme, a atuação encantadora de Greta é pura empatia: sua Frances é desajeitada e grandalhona; vive despenteada, fala pelos cotovelos, usa quase sempre as mesmas roupas, não é a garota mais magra, bonita e talentosa do ballet. Tudo passa bem longe do estereótipo cool que insiste em filtrar com cores quentes os tempos de Instagram.

Aqui vale ressaltar: o preto e branco dá o tom da direção acertada de Baumbach, que transita com leveza entre cenas de grande intensidade dramática e as freneticamente hilárias. Em algumas cenas, os contrastes remetem a clássicos de Woody Allen, de quem Greta já disse frases como “Woody Allen teve um renascimento erótico com Scarlett [Johansson]. Ele pode ter um renascimento neurótico comigo!”.

Conversamos brevemente com a atriz e roteirista por e-mail sobre a importância de sua figura “fora dos padrões” no cinema. As respostas você lê abaixo:

Tpm. Frances é uma garota desajustada. Você acha que é importante para nós, mulheres “comuns”, ver personagens assim no cinema, que não necessariamente tenham o look e o cabelo perfeitos? 
Amo ver pessoas que se parecem com pessoas no cinema. Acho que ficamos obsessivos de maneira alarmante pelo tipo de perfeição plástica, é uma cultura global. Não tenho nenhum interesse em promover ou explorar esses valores. Claro, eu aprecio a beleza. Mas não aprecio mesmo a “perfeição”.

A paranoia em torno de dietas e da ditadura da magreza, comuns na indústria do cinema, te incomodam? 
Não sou imune aos problemas com o corpo, mas tive sorte o bastante de ter sido cercada por pessoas que me valorizam por outras coisas além do tamanho das minhas roupas e dos meus looks. Minha família e meus colegas querem que eu seja a melhor versão de mim mesma e não a melhor versão de alguém que eu não sou.

P.S.: O filme ainda tem Bowie na trilha sonora com "Modern love". A música acompanha os saltos e piruetas de Frances pelas ruas de Manhattan. A moça pode até estar na pior, mas é livre para se divertir como ninguém.