Revista TPM

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Contentes

Luiza Voll e Dani Arrais fizeram de um plano B sua principal função espalhando criatividade pela internet
29.10.2012 | Texto: Natacha Cortêz

Há cerca de quatro anos, a publicitária mineira Luiza Voll, 28, passava uma temporada em Barcelona, cursava  especialização em design de interação e nas horas vagas mantinha o blog Favoritos. Enquanto isso, em São Paulo, a recifense Daniela Arrais, 28, trilhava a carreira jornalística e tinha o blog Don't touch my moleskine como espaço alternativo para os textos que não cabiam no jornal. Por acaso, as duas se esbarraram na rede. Luiza convidou Dani, que conheceu por causa do Don't touch, a fazer uma participação pro Favoritos. Daí, um e-mail atrás do outro e o começo de uma amizade daquelas “pra toda vida”.

Mas as meninas descobriram mais que afinidades. Se esbarraram com a vontade de colocar em prática tudo o que juntas acreditavam e sentiam que faltavam na internet por aqui. Dois anos e muitas ideias depois, nasceu a Contente. Modelo de negócio que tem os dois pés no virtual e braços compridos, ansiosos pelo mundo físico. Do primeiro projeto, o Instamission, ao mais recente Autoajuda do dia, o conceito da empresa é essencialmente, “o colaborativo, unir as pessoas de uma forma positiva e  criar coisas bem brasileiras, originais daqui", conta Luiza.

Conversamos com a Luiza sobre o sucesso Instamission, o Autoajuda do dia e sobre a Contente, que surgiu sem nenhuma estratégia, como plano B, e hoje é o trabalho principal das duas.

Tpm. Vocês duas têm em comum a paixão pela internet?
Luiza. Sim, as duas são muito apaixonadas por internet. Mas com um gosto muito específico do que realmente consumir nela. Então, tudo que for mais colaborativo, que tiver crivo de curadoria, que gostar de reunir as pessoas de uma forma positiva. E também temos em comum a o sentimento de falta de projetos mais autorais. Víamos que existia muita reprodução, versões brasileiras de outros projetos. Então queríamos fazer coisas originais e que fossem próximas de uma identidade brasileira.

E foi o Instamission o projeto que inaugurou a parceria de vocês? Isso. Foi o primeiro. E foi o que acabou moldando a empresa que abrimos. Em fevereiro o projeto faz dois anos. Estamos na missão número 90. E já temos mais de 110 mil colaborações.

A ideia é totalmente original? O mundo é um remix, e é necessário dizer que temos um milhão de referências. Mas não conhecíamos nenhum projeto nesse formato. Na verdade a gente não sabe se existia antes. Foi um "insight" que um dia aconteceu e a gente colocou em ação.

A duas continuam ainda com suas outras profissões? Não. Deixamos nossos antigos empregos este ano e hoje nos dedicamos totalmente à Contente. O plano B virou função principal.

O Instamission acabou se desdobrando em outros projetos, certo? Podem nos contar do mais legal pra vocês até agora? Da parceria que mais valeu a pena fazer. O Instamission é muito feliz, porque com as parcerias que fazemos com as marcas, conseguimos premiar os participantes, que participam com tanta generosidade. Houve uma missão na qual conseguimos levar um participante a Nova Iorque. Foi incrível poder presentear alguém com isso. Outra, foi uma missão que migrou para o mundo físico. Uma instalação realizada no Conjunto Nacional, em São Paulo, pro Festival File.

E como surgiu a ideia do Autoajuda do dia? Surgiu de uma reflexão que a gente já tinha há algum tempo: de que a internet está virando um grande divã. Não só a internet, mas na rua também. E todo esse conteúdo a gente só via em inglês. A ideia é convidar as pessoas a falarem em português o que elas estao sentindo,  independentemente do que seja. Foi um novo direcionamento. No início nem tudo no Autoajuda era em português, agora sim. Só aceitamos assim. Outra coisa legal nesse projeto é que ele também tem o foco na vulnerabilidade, na fraqueza. Assumir essa vulnerabilidade, ao invés de assumir essa máscara de felicidade. Propor reflexão.

E qualquer pessoa pode participar? Igual no Instamission? Sim, qualquer pessoa. É só enviar pra gente uma imagem de uma frase, de autoria sua ou não (se não for, coloque o crédito). Na fanpage tem tudo direitinho explicado. Inclusive os álbuns de tudo o que já foi postado.

E como tem sido a recepção desse projeto? Ótima. Tá muito emocionante, essa é a palavra. Ele está crescendo super-rápido. As mensagens têm sido muito compartilhadas. As pessoas comentam, ou tagueiam amigos, e mandam e-mails dizendo como aquele conteúdo mexeu com elas.

Acredito que com o trabalho nesses dois anos de Contente, vocês duas acabaram se tornando observadoras de comportamento na internet, não? O Autoajuda do dia surgiu justamente dessa observação. Sem falar das coisas que surgem da nossa própria experiência com a internet. Como foi o caso do Instamission. Usávamos muito o Instagram naquele momento.

Então por isso tudo deu tão certo? Por que foi experiência de uso de vocês mesmas? Sim, certamente. Grande parte sim. Não tivemos por exemplo estratégia de mídia, a gente simplesmente lançou os projetos. A nossa única preocupação é que fosse de verdade. Queremos que tudo que a gente faça seja lugar de pessoas de verdade. Vida real. Com a Contente, mudamos a ordem de negócio. Em uma agência de publicidade o cliente vêm com a necessidade de negócio, depois criam uma ideia pra ele. Na nossa empresa, primeiro a gente cria a ideia e depois, se uma marca quiser se associar a ela, ótimo. Porque a gente acredita que, ao criar pensando nas pessoas antes de qualquer coisa, a ideia pode ser muito mais de verdade.

E vocês têm novos planos que podem adiantar pra gente? Tem sim. Algo que pretendemos lançar até o final do ano. O nome é Dia de festa. A ideia é catalogar, registrar e acompanhar dias de celebração pelo Brasil e pelo mundo. Por exemplo, fomos ao México ver o Dia de los Muertos, fotografamos, filmamos. Vai ser um projeto um pouco diferente, que surge no ambiente físico e depois é estendido pro virtual. 

Vai lá: para ver os projetos das meninas