
Há pouco mais de um ano, a melancia era apenas uma fruta vermelha e cheia de caroço. Nessa mesma época, Andressa Soares era apenas mais uma menina bonita da periferia do Rio de Janeiro que andava pelas ruas sem que ninguém a parasse para pedir um autógrafo. Ouvia muitas vezes a palavra gostosa, algo comum para quem, no país da bunda, ostenta uma de 121 centímetros. Hoje, Andressa deixou de ser Andressa. Ganhou outro nome, é a Mulher Melancia. Vestida (ou será despida?) com a fantasia da personagem, virou fenômeno nacional. Conseguiu aquilo que tanto se sonha nesta era de culto a celebridades. Mora na Barra da Tijuca (o bairro preferido pelos famosos do Rio de Janeiro) e vive de avião para cima e para baixo. Um fenômeno tão forte que trouxe seguidoras: a Melão, a Jaca, a Morango, a Maçã, a Filé...
Nesse curto espaço de tempo, Melancia esteve três vezes na capa da Playboy. O primeiro ensaio, uma edição especial de abril de 2008, esgotou os 200 mil exemplares colocados à venda. O segundo, de junho, vendeu 365 mil e rendeu uma terceira capa, de dezembro. Melancia, na ocasião, foi o destaque da edição das melhores fotos do ano. Mais que isso.Com a popularização dos bailes, seu corpo virou sonho de consumo de meninas de todas as classes sociais.
É nos peitos da Melão, no bumbum da Melancia e nas pernas da Jaca que muitas garotas têm se espelhado – várias daquelas que antes sonhavam com a magreza das modelos. Será que finalmente o padrão de beleza está ficando mais democrático? Infelizmente, os especialistas não pensam que seja isso, mas sim uma pura e simples razão de mercado. “Se o único padrão de beleza fosse a magreza, todo mundo só venderia produtos para emagrecer, mas, existindo vários padrões, você pode vender para engordar”, diz Everardo Rocha, professor da PUC-Rio e especialista em antropologia do consumo. Em outras palavras, os corpos estão sempre à venda. Seja o das modelos esqueléticas ou o das gostosas.
Pé na jaca
A Tpm acompanhou bailes da Mulher Melancia e da Mulher Melão em São Paulo e comprovou: elas “interagem”com um público de meninos excitados com a possibilidade de subir ao palco e “dançar”com elas. No show da Melão, por exemplo, o garoto da plateia é molhado e seco por ela com sua camiseta. No da Melancia, o escolhido ajoelha no palco com as mãos para trás e toma uma bundada no peito que o derruba (literalmente). Sem falar no da Filé, que pede cartões de crédito para o público, escolhe um e passa o objeto – pasme – no meio de suas nádegas. Mas por que será que tantas meninas querem ser como elas? Leandra Pereira, 24 anos, fã de Melancia presente em um dos shows de sua musa, explica: “Ela mostrou para o Brasil que por meio de um corpo se consegue sucesso”. E vai além: “Lógico que eu queria ter um corpo assim, qualquer mulher gostaria”. Leandra não é a única. Para a antropóloga Mirian Goldenberg, especialista em corpo e sensualidade, essas dançarinas-frutas sintetizam a sociedade brasileira: “Nossa cultura sempre valorizou o corpo e a sexualidade como um capital”, afirma.

































