Revista TPM

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Eriberto Leão

Com oito novelas no currículo e opinião sobre a crise, ele não é só mais um bonitão da TV
09.06.2009 | Texto: Ariane Abdallah | Fotos: Marcio del Nero

Ele tem 37 anos, oito novelas no currículo, uma mochila furada nas costas e opinião sobre a crise, o cristianismo e as coincidências da vida. Eriberto Leão é protagonista da novela Paraíso, mas não corre o risco de ser só mais um bonitão da Globo

Em 5 minutos Eriberto Leão, galã de Paraíso, novela das seis da Globo, vira um pensador com repertório para mil anos de vida. Naquela terça-feira, ele caminhava descabelado e devagar pelo aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ouvindo iPod, de óculos escuros e carregando uma mochila furada, entrou no carro da Tpm dizendo que estava cansado. Mas, em seguida, engatou um discurso que relacionava cristianismo e ordens secretas à crise de valores pela qual o mundo está passando e Jim Morrison, como se falasse de assuntos corriqueiros. Ainda citou Nietzsche, Jung e Darcy Ribeiro, sacou um livro sobre o padre Antônio Vieira da mochila e disse que José Eleutério, o “filho do Diabo”, seu primeiro protagonista na TV, tem tudo a ver com essa bagagem.

Parece que o ator passou seus 37 anos enfurnado em bibliotecas. Mas ao observar a pele bronzeada e as participações na Globo (ele ficou famoso em 2004, com a novela Cabocla) a conta não fecha. “Não sou CDF. Leio várias coisas ao mesmo tempo”, diz ele, que tem livros espalhados pelo carro e pelo apartamento em que mora sozinho, na Gávea, Rio de Janeiro. Para dispensar de vez os rótulos, Eriberto andava de skate, mas agora corre e nada. E, apesar do papo cabeça, cumprimenta a equipe da Tpm com abraços apertados e pisca um olho só quando acaba uma frase, como quem diz: “Sacou?”.

Corpo fechado
Mas, de repente, Eriberto fecha a cara. O geminiano oscila de assunto e de humor com a mesma facilidade com que muda de roupa. Sem trocadilhos: não se incomoda de trocar a própria camiseta com imagem do Che Guevara pela camisa xadrez que a produção da Tpm sugere. “Agora vou incorporar o ator, porque tenho dificuldade para fotos”, confidencia à repórter, minutos antes de falar para toda a equipe: “Não quero mostrar barriguinha, pagar de gatinho. É uma parada ideológica mesmo. E nem estou com o corpo assim tão bom”. Enquanto argumenta, ele passa a mão na barriga, levantando a camiseta e deixando escapar um pedaço do abdome. Poucos minutos depois, muda de ideia outra vez. E relaxa.

“Não tenho nada contra ensaios sensuais, muitos amigos meus já fizeram”, pondera o ator. Rodrigo Santoro, que saiu na Tpm #1, é uma das referências. Os dois se conheceram na novela global O Amor Está no Ar, em 1997. “Fomos apresentados em um corredor do Projac, quando soube que Eriberto tinha chegado de Machu Picchu. Era um camarada de fé e ficamos amigos”, conta Rodrigo.

Marcelo Serrado é outro “camarada”, com quem o ator costuma comer sushis. “Quando penso no Eriberto, me vem à cabeça a palavra ‘profundidade’. Ele mergulha nos assuntos e personagens”, garante Marcelo. E lembra do réveillon do ano passado, que passaram juntos em Fernando de Noronha. “Uma hora, estávamos num barco que quase virou. Todos ficaram desesperados, e o Eriberto tranquilão.” Ele não acreditava correr perigo. “A viagem foi tão especial, tão mágica que não caberia um acidente ali”, conta o ator, rindo.

Sem acasos
Nascido em São José dos Campos (SP) e criado em São Paulo, Eriberto é filho de uma estilista e de um economista que nasceram no mesmo dia e ano – e repete com frequência a palavra sincronicidade. Considera mais do que coincidência o fato de seu primeiro personagem na TV ter sido Santo Antônio, na novela Antônio dos Milagres (da CNT, em 1996), e agora, como José Eleutério, decorar um texto que diz: “... Tenho que contar a história do Santo Antônio [das Almas, vila baiana em que viveu o pai de seu personagem], onde esta história começou”. “Esse tipo de coisa me faz ter mais confiança, sei que tem uma força superior abençoando o que faço.” Mas, embora os pais dele sejam casados até hoje, Eriberto não acredita em romance ideal. “Mulher da vida é a que está na minha vida agora.” No caso, a atriz Andrea Leal, que namora há três anos. “Dá certo porque, como eu, ela não é ciumenta. Solta a pipa mesmo.” Antes, ele namorou, por cinco anos, Suzana Alves, a Tiazinha.

Os outros interesses de Eriberto vão de religião ao território ianomâmi em Roraima – tema de Aos Brasileiros, documentário, ainda inacabado, que dirige desde 2008. A busca por conhecimentos começou aos 17 anos, quando viu Val Kilmer interpretar Jim Morrison no filme The Doors. “Entrei em duas sessões seguidas e fui atrás de textos dos mestres de Jim”, conta. Um ano depois, sua mãe o colocou no teatro por achá-lo tímido. O garoto gostou. Se formou em administração, na Faap, em arte dramática, na USP (com Caco Ciocler e Matheus Nachtergaele), e estudou interpretação em Nova York.

Em 13 anos de carreira, Eriberto soma seis peças, oito novelas e três filmes. Trabalhou com Maitê Proença (em Onde Andará Dulce Veiga?), com o diretor Gabriel Villela (nas peças Alma de Todos os Tempos e Ventania) e com o autor Benedito Ruy Barbosa (em Sinhá Moça, Cabocla e Paraíso). Com a vocação provada, ele se dá ao luxo de tirar a camisa.

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