Revista TPM

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Adriana Falcão

Carioca de 48 anos, Adriana Falcão conseguiu a façanha de viver da escrita no Brasil
10.03.2009 | Texto: Nina Lemos Colaborou Ariane Abdallah | Fotos: Sergio Bondioni

Sabe as maluquices da dona Nenê, interpretada por Marieta Severo em A Grande Família? Muitas delas vêm de Adriana Falcão, uma das roteiristas da série. Carioca de 48 anos, ela conseguiu a façanha de viver da escrita no Brasil. Publica livros, artigos em jornais e coloca os sabores de sua vida nos personagens que cria. Tudo porque aprendeu a olhar com humor para os dramas que vivenciou, como o suicídio do pai e, depois, a morte da mãe. Sinta o frio na barriga de seus altos e baixos na entrevista a seguir

Há alguns anos a escritora Adriana Falcão, 48, visitou uma taróloga e ouviu: “De acidente aéreo, você não morre”. Na época, duas de suas filhas foram para Londres fazer intercâmbio. Adriana não titubeou: “Vou junto!”. “Pensei que, se fosse com elas, o avião não cairia.” Ela levou o plano adiante. Só que, como a vida às vezes parece seriado, Adriana acabou no avião errado, sozinha. “Deu uma confusão no aeroporto e eu fui até Londres chorando, achando que o avião delas iria cair.”

A história poderia ser tema do seriado A Grande Família, que Adriana ajuda a escrever há oito anos, desde a estreia. “Sou a Nenê”, diz a loira de olhos azuis, referindo- -se à personagem da mãe meio histérica interpretada por Marieta Severo.

O episódio, no caso, o real, diz muito sobre a escritora, autora de 11 livros, entre eles A Máquina (da editora Objetiva, que virou sucesso no teatro e no cinema nas mãos de seu marido, o diretor João Falcão, e revelou atores como Wagner Moura e Lázaro Ramos), Mania de Explicação, que, na primeira edição, vendeu 60 mil exemplares de 2001 até hoje, e o infantil Sete Coisas para Contar e se Divertir!, lançado em novembro de 2008 – os dois últimos pela editora Salamandra. Há quatro meses, ela é também colunista de O Estado de S. Paulo. A história mostra que Adriana sabe rir de si mesma, é exagerada, supermãe e ansiosa, muito ansiosa, como ela fez questão de lembrar várias vezes durante a entrevista.

Um pouco maluca
Adriana garante que a ansiedade é herança de família. E conta, com tranquilidade, que seu pai, depressivo, se matou quando ela tinha 18 anos. Sua mãe, ansiosa, morreu de overdose de calmantes (ou engasgada de tão grogue que estaria por causa dos remédios) quando a escritora tinha 31. “Sabemos que isso tem componente genético.”Apesar de ter tido uma infância complicada – “eu estava sempre preocupada com meus pais, cuidando deles”– essa carioca criada em Recife não é de reclamar.“Tive pais maravilhosos, que me deram coisas incríveis, tenho um casamento feliz há 20 anos e vivo de escrever. Mas tinha que ser um pouco maluca”, diz a mulher de João e mãe de Isabel, 16, Clarice, 19, e Tatiana, 29.

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