Revista TPM

 

Ingrid Guimarães

Como uma garota fora dos padrões vigentes arrasou na TV e no teatro
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11.03.2009 | Texto por Carol Sganzerla e Renata Leão Fotos Kiko Ferrite

Ela lota teatros e sobe audiências com seu humor inteligente. Ingrid Guimarães precisou primeiro acreditar que podia acontecer mesmo sendo “esquisita”, para depois entrar – pela porta da frente – nos palcos e na TV, onde consegue dar graça às fraquezas femininas

 

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Exótica, esquisita e extravagante. Esses três “es” soaram pela primeira vez nos ouvidos de Ingrid Guimarães quando seus pezinhos teimavam em não se equilibrar na ponta das sapatilhas de balé. Pela segunda vez, ao perceber que suas mãos não serviam para dedilhar o piano. Por inúmeras vezes, quando os pais insistiam para a menina largar o guarda-roupa da mãe e ganhar o calor de Goiânia. A atriz cresceu e os “es” seguiram seus passos: ela nunca ganhou o papel da gostosa ou da mocinha, tampouco o da vilã. Afinal, ela não convenceria: não é esbelta demais, delicada demais nem séria demais. Porque a TV pede mais. Só que ela nunca quis ser mais. Quis ser apenas Ingrid: aquela que trocava o maiô pelos figurinos, que faltava à escola quando atores apareciam na agência de publicidade do pai (“tenho uma foto no colo do Tony Ramos. Outro dia encontrei com ele e perguntei: ‘Divulgo ou não?’”) e que recusava papéis estereotipados na TV mesmo sem ter emprego. “Minha carreira foi feita em cima das minhas esquisitices”, reflete.“ Faço comédia sobre fraqueza humana: as mal-amadas, as confusas... Por isso as pessoas se identificam tanto com os meus personagens.”

Satirizando a vida real, Ingrid ganhou espaço nos palcos. Nos anos 90, foi uma das responsáveis pela febre que arrastava milhares de meninas para a platéia de Confissões de Adolescente, posteriormente adaptada para a série de TV, em 1994, na Cultura. Embora crua de vivência, Ingrid foi, dos 16 aos 21 anos, referência de uma geração. Por causa da peça, que rodou o Brasil quatro vezes, passava meses longe dos pais – um jornalista e uma advogada –, vivenciando com as outras atrizes aquilo que não demoraria a apresentar no palco. Com elas, dividiu quartos, choros e alegrias, como sempre fez com as irmãs, Astrid, 37, e Sigrid, 34 (nomes definidos na lua-de-mel dos pais, inspirados em antigas rainhas suecas). E o mesmo ela fez mais tarde, com a comediante Heloísa Perissé, a Lolô, que conheceu na fila de um teste para um dos programas de Chico Anysio. Embora já tivessem enfrentado filas e filas, dessa vez o encontro renderia um sem-número de gargalhadas. O espetáculo Cócegas, escrito e interpretado por ela e a amiga Lolô, já dura sete anos e é um estrondo, assim como seu derivado infantil, Cosquinhas. A parceria ainda rendeu quatro anos de Sob Nova Direção, na Globo, aos domingos. “Foi quando entrei na TV pela porta da frente.”

Top Ingrid
Hoje, aos 36 anos, as portas se abrem para ela. E Ingrid abre portas de mulheres famosas e anônimas no programa de sua autoria, Mulheres Possíveis, no GNT, já em sua segunda temporada. Aos domingos, no Fantástico, a atriz encarna a top model Leandra Borges, inspirada em Gisele Bündchen, e encara o “povão”, como diz. Ela adora. Com esse povão, constatou algo em que sempre acreditou: “É assim, no anonimato, que se é mais feliz”.

Tpm. Você diz que era um ET entre as crianças de Goiânia. Como assim?
Ingrid Guimarães. Era esquisita, meio lenta. Meu pai me chamava de Chimbiquinha, um carro que era devagar... Ele e minha mãe me levaram a vários psicólogos e eles falavam: “Ela é só uma menina diferente”. Na minha época o lance era dançar balé e tocar piano. Quem não era bailarina era um ser de outro planeta. Só que eu não conseguia fazer balé, e minhas irmãs eram as melhores alunas. Acho que, se tivesse pais que me tratassem como “a esquisitinha”, não seria quem sou.

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