Tpm

por Redação
Tpm #76

Prestes a desembarcar em São Paulo, onde se apresenta no festival Motomix, Ninja, vocalista da banda The Go! Team bateu um papo com a Tpm sobre hip hop, meninos com gel no cabelo e carreira solo.

Em junho de 2004, Ian Parton recebeu uma proposta desconcertante: abrir os shows da turnê do Franz Ferdinand. O grande problema era reproduzir nos palcos toda a maluquice inventada por Parton, que pegou guitarras de Sonic Youth, batidas de hip-hop, sirenes, baterias, colocou tudo numa música só, e ainda acrescentou uma voz feminina que também mandava com MC. Depois de quebrar um pouco a cabeça, e vasculhar a internet, um dos problemas foi resolvido com a escalação de Ninja, uma britânica que consegue absorver todas essa mistureba e devolver numa porrada só na cara do público, tamanha a intensidade e energia desprendidas pela vocalista do The Go! Team. Ninja, em registro Nkechi Ka Egenamba, é meio nigeriana, por parte do pai, meio egípcia, por parte de mãe, e se apresenta com a banda The Go! Team no Motomix, que acontece dia 28 de junho, no parque do Ibirapuera. A cantora, que já se prepara para sair em carreira solo, aproveitou a vinda ao Brasil para conversar com a Tpm.

Por Cirilo Dias

Tpm. O som do The Go Team! traz de volta o espírito experimental do hip hop dos anos 80, só que com pitadas de moderninade. São 6 integrantes, cada um com um estilo próprio, o que reflete diretamente nas performances ao vivo, especialmente a sua. De onde você tira inspiração e energia para isso?
Ninja.
As influências vêm dos 60, dos programas de TV dos anos 70, dos filmes de faroeste, do Charlie Brown, do piano, da década de 80, das cheerleaders. Tem muitas influências. Eu, pessoalmente, me identifico com o hip hop. É uma música pra cima, que faz você se sentir bem, feliz, com vontade de dançar. Acho que qualquer música que te faça se sentir assim, te dará muita energia, especialmente se a colocar muito, muito alto. Quando tocarmos no Brasil as pessoas sentirão essa energia.

Por enquanto, vocês são a única banda com uma vocalista mulher a tocar no Motomix. Isso aumenta a responsabilidade de fazer o show?
Ninja.
Eu não sei, na verdade. Não penso muito sobre isso. Sou quem sou. E funciona muito bem. Mas o fato de ser mulher nos impediu de algumas coisas na Inglaterra. As revistas grandes de música só colocam bandas masculinas na capa. Bandas com garota dificilmente conseguem capas de revista. As emissoras de rádio mais populares também só tocam música de homem. Há uma luta, definitivamente. Mas eu estou buscando espaço para que haja outras garotas fazendo música. Garotas podem fazer, podem liderar banda e fazer um bom som.

Parton [líder da banda] disse em uma entrevista que te encontrou na internet, mandou o CD, e você foi a única pessoa que não ficou horrorizada pelo som do The Go! Team. Como foi isso?
Ninja.
Eu agarrei a oportunidade, não planejava estar na banda. Ninguém me chamou para estar na banda. Eu estava fazendo um show atrás o outro. Começou na Suíça, para um público de três mil pessoas. E assim foi por um ano, com a agenda cheia. Até que meu empresário teve a idéia de me colocar na banda. Foi sorte Ian ter me encontrado.

E como ele te encontrou?
Ninja. Eu estava num website que tinha audições. Eu procurava por TV, ou filme, alguma audição. Algo novo, diferente. Eu vi esse anúncio da banda procurando uma garota pra tocar, que cantasse rap. Eu fazia aquilo.

Você já esteve no Brasil?
Ninja. Nunca. Mas me identifico com a música, com as pessoas. Estou ansiosa.

The Go! Team foi formado em três semanas depois que vocês foram escalados para abrir as turnês do Franz Ferdinand em 2004. Depois de quatro anos, o que mudou na banda?
Ninja. Nós mudamos bastante. Estamos mais enérgicas, confiantes no palco. Nós abrimos para bandas enormes, como Flaming Lips, Sonic Youth, em festivais grandes. Temos bastante oportunidade. Temos sorte, porque a maioria das bandas teriam que trabalhar anos e anos para ter oportunidades como as nossas.

Você tem planos de lançar um disco solo. Quando é que sai o disco? Já pensou em convidar músicos, produtores?
Ninja. No momento, estou no estúdio, escrevendo. Estou bem interessada em ter influências africanas e brasileiras na minha música. Adoro música brasileira. Tenho que ver o que vai acontecer. Está muito no começo...

Na agenda de shows da banda, estão marcados vários shows com os brasileiros do Cansei de Ser Sexy. Você gosta deles? São seus amigos?
Ninja. Sim, gosto, eles são bem diferentes do que acontece hoje. Na Inglaterra, eles estão presos ao indie rock, a bandas de meninos com gel no cabelo, que tomam muita droga. Estão presos a esse tipo de som. Então, é ótimo ver bandas como CSS e Bonde do Rolê se divertindo no palco, levando divertimento com sua música.

Qual a maior dificuldade que você encontra durante as turnês?
Ninja. É tocar em países diferentes. As pessoas às vezes não entendem o som. Eu faço rap e quando vou à América eles têm um estilo muito particular de rap. E penso se vão me comparar aos artitas deles, porque não quero ser. Quero que me aceitem, não me comparem. O diferente pode ser bom.
 
Como foi que você se tornou cantora de hip hop?
Ninja.
Eu gosto de música. Sempre gostei. E se você tem um trabalho que ama e faria de graça, achou sua carreira ideal. Algumas pessoas ajudam pessoas de graça, pra mim, se possso dançar e pular pra cima e pra baixo, esse é meu trabalho ideal. Ganhar pra isso é bônus. Eu amo cantar, e sou paga pra isso.

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