Revista TPM

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Marlon Teixeira

O modelo brasileiro que desfila para as principais grifes do mundo e tira a roupa aqui na Tpm
10.09.2012 | Texto: Luciana Obniski | Fotos: Christian Gaul

Marlon Teixeira saiu do Sul do país para virar o modelo brasileiro mais famoso no exterior. Aos 21 anos, ganha (muito) dinheiro “vendendo sexo” em campanhas de grifes como Dior e Armani – e ainda tem a coragem de dizer: “Não me acho bonito”

Marlon Teixeira precisou de apenas uma chance para se dar bem na vida. Aos 16 anos, em seu primeiro casting, fechou um contrato de exclusividade com a Christian Dior, marca cobiçadíssima pelos modelos. Com 1,87 de altura, o virginiano despontou em campanhas, passarelas e outdoors vestindo cuecas, ternos, calças e camisas com etiquetas das mais importantes. Armani, Dolce&Gabbana, Gaultier, Cavalli já pagaram cachês gordos para o catarinense vender uma imagem que exala sexo.

Hoje, aos 21 anos, tornou-se o brasileiro mais reconhecido e bem pago da moda masculina. É tido no ramo como um “Gisele de calças”, título que ele rechaça. Mas, além da carreira meteórica, Marlon divide com a übermodel uma de suas melhores características: a generosidade, o agradecimento. Faz questão de retribuir e reconhecer toda a sorte e a ajuda que teve. Com a voz grave, rouca, Marlon abre um sorriso fácil, e aperta ainda mais seus olhos pequenos, ao falar com tranquilidade de assuntos que não se imagina que um típico rato de praia tenha vivido. “A vida é assim. Às vezes você está por cima e às vezes está por baixo. Sei dar valor aos dois extremos”, diz. E de extremos ele entende.

Morte e câncer
Marlon Teixeira teve várias chances de se dar mal na vida. Nascido e criado em Balneário Camboriú (SC), teve dois contatos próximos com a morte. Seu pai foi assassinado a tiros quando Marlon tinha apenas 1 ano e meio (ele não quis especificar em qual situação). Dois anos depois, foi diagnosticado com um câncer no mediastino, área da caixa torácica que engloba o esôfago, a traqueia e o coração. “Eu praticamente morava no hospital”, conta. “Aprendi algumas coisas rápido, de uma forma estranha. Perdi vários amiguinhos que dormiam e não acordavam mais. Acabei entendendo o que era a morte muito cedo.”

Durante os quatro anos de tratamento no hospital Joana de Gusmão, em Florianópolis, Marlon não sabe dizer quantas vezes passou mal nas viagens de ida e volta, por causa da quimioterapia. Em uma delas, percebeu que a mãe, Claudia, chorava. Então disse: “Calma, mãe, eu não vou morrer”. Aos 7 anos, teve alta, mas só voltou para a casa da mãe aos 12. “Passei anos na casa da minha avó e voltei a morar com minha mãe já adolescente. Foi estranho porque ela tinha duas filhas do segundo casamento, e tive pouco contato com a mais velha.”

Deslocado, Marlon foi procurar conforto no surf. Aos 13, já dava aulas para conseguir comprar suas pranchas e pagar as inscrições de campeonatos. “Meu sonho era ser surfista profissional”, lembra. Foi nessa época que mais precisou dos amigos que fez na praia, quase todos mais velhos. “Às vezes faltavam R$ 15 para a inscrição, e alguém me ajudava. Meus amigos dessa época são minha família. Me sentia mais à vontade para abrir a geladeira na casa deles do que na minha”, diz. Por conta dessa falta de dinheiro, começou a cogitar a carreira de modelo.

Aos 16, Marlon foi apresentado a Dando, apelido de Anderson Baumgartner, dono da agência Way Model e amigo da família de seu padrasto. “Alguém tem sempre um sobrinho para me apresentar achando que é a pessoa mais linda do mundo. Normalmente, não é”, diz. “Quando encontrei o Marlon, ele estava sentado, de costas. Eu só pensava: ‘Ele tem que ser alto, ele tem que ser alto’. Quando ele levantou, vi que era bem maior do que eu. Na hora saquei que iria longe.”

Apesar de normalmente fazer fotos dos “candidatos” para aprová-los com sua equipe, Dando deixou de lado todos os protocolos e convidou Marlon para ir a São Paulo. O garoto pegou um ônibus quando terminou o ano letivo. Chegou na semana em que aconteciam testes para as semanas de moda de Paris e Milão. Foi o único escolhido para ir às duas. Quinze dias depois, entrou em um avião pela primeira vez na vida, rumo à França e a seu primeiro casting.

Boa vida
O catarinense encantou. De cara, foi contratado com exclusividade pela Christian Dior, status alcançado por poucos modelos (e raríssimos principiantes). Seu cachê, já de saída, era três vezes maior que o de qualquer um com a mesma experiência. Na passagem por Milão, atraiu os olhares da Armani, que mais tarde o contrataria para sua primeira grande campanha, na Armani Jeans. De volta a Paris, foi recepcionado com carro luxuoso, hotel bem localizado e dinheiro para as despesas. Tudo bancado pela maison francesa.

Depois do desfile, ele se lembra de como foi pegar o primeiro cachê. “Era um adiantamento, porque a Dior ainda não tinha pagado minha agência, mas lembro de sair do banco, e descer os degraus da agência com aquele bolo de [3 mil] euros na mão e pensar: ‘Em que eu vou gastar esse dinheiro todo?’.” Comprou óculos Dolce&Gabbana para a mãe e diversos presentes para as irmãs e para a então namorada, Georgia, nove anos mais velha, com quem estava havia um ano e meio. “Mas... acabei dando os presentes para outras meninas”, diz. O modelo explica que tomou “um pé na bunda” assim que voltou ao país. “Fiquei muito mal. Sofri uns seis meses. Achava que ia amar minha primeira namorada pra sempre, sabe? Mas depois isso passa, e a gente percebe que a vida não é assim, né?”

Né?

Solteiro em Nova York
Marlon Teixeira vive em Nova York. Divide um apartamento com Travis Bland, outro modelo de destaque. “Ele terminou o namoro com uma brasileira quando estavam para morar juntos”, conta o amigo. “Daí, chamei pra vir pra cá. O apartamento é muito grande.” Marlon também anda solteiro. Evita relacionamentos a distância. “E eu gosto mesmo é de brasileira”, diz. “Já fiquei com meninas de outros lugares, fui recentemente à Rússia e fiquei impressionado com as mulheres de lá. Mas as brasileiras na cama... são imbatíveis.”

Desamarrado, o catarinense aproveita essa solteirice. “Ah, não vou negar que anda chovendo na minha horta. As quietinhas são as que me agradam mais.” Perguntado sobre a parte do corpo que mais lhe chama a atenção, ele diz “não sei”. Pensa, e aí completa: “Curto muito charme e personalidade... Mas sou amarradão em boca. Acho muito bonito mulher de boca carnuda”. E na cama? “Gosto de mulher que tem pegada. Não tenho nada contra modelo, mas nunca namorei uma. Minhas namoradas não eram as mulheres mais bonitas que já beijei. Mas eram imbatíveis.”

Marlon admite que a adolescência conturbada o ajudou a levar esses namoros a sério. “Só namoro para ser fiel e quando existe a possibilidade de a mulher ser a mãe dos meus filhos”, explica. Passou a investir na carreira de modelo, inclusive, porque quer guardar dinheiro para dar uma vida confortável à futura família.

Para sorte do catarinense, ele vem ganhando cada vez mais. E os contratos não param de entrar. Em quatro anos, seu cachê cresceu 20 vezes. Os últimos valores ultrapassam os seis dígitos e chegam perto das quantias pedidas pelas mulheres, mais bem-sucedidas que os homens no mundo da moda. “Sei que dei muita sorte e que tenho facilidade para tirar foto, mas não me acho bonito”, diz. Ainda que o assédio profissional – e amoroso – sugira o contrário. “Ah, gosto é gosto, né? Acho que meu papo é o que mais conquista as meninas.”

Né?
 
ASSISTENTE DE FOTO RODRIGO REINELT PRODUÇÃO DE MODA SATOMI MAEDA E BARBARA ACHOUA PRODUÇÃO ANA LUIZA TOSCANO MARLON VESTE BERMUDA E CALÇA À LA GARÇONNE, ÓCULOS EVOKE E CHAPEÚ HARLEY-DAVIDSON AGRADECIMENTO AEROFISH

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