Revista TPM

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Postado em 27.11.2010 | 15:11 | Elka Andrello

 

Eu gosto de ser solteira.

Não acho ser solteira um problema, defeito ou motivo de vergonha. Na verdade, sou bem feliz assim. Tenho 37 anos, uma filha de de 4 anos, morei minha vida toda em São Paulo, com direito muitos namorados e casos, alguns sérios, outros passageiros, o que me torna uma pessoa absolutamente normal. Saí de São Paulo, morei 4 anos em um monastério budista para não monges, me apaixonei, tive uma filha (tudo bem, ter uma filha em um monastério é, como diria meu amigo Dani Lang, “peculiar”). Resolvi não ficar com o pai dela e sim tocar o barco sozinha.

Mudei para a Índia, onde passei um ano incrível, tendo como vizinhos o Dalai Lama,  o Karmapa, a comunidade de refugiados tibetanos, agricultures indianos, sikis e as montanhas do Himalaia. Solteira e feliz. Fui com a Graziela para a Tailândia, andamos de elefante, visitamos as mulheres girafa, aquelas que usam argolas para alongar o pescoço, nos jogamos na praia. Resolvi ir para o Nepal, adorei, resolvi ficar no Nepal.

 

Montei outra casa, fiz novos e ótimos amigos, voltei a fazer vídeos, escrever e trabalhar como VJ. Livre, leve e solta. Com a Gra maiorzinha e a ajuda de uma babá tibetana, voltei a sair para dançar e curtir a noite com mil pessoas bacanas. Brasileira faz sucesso nessas terras, rolam mil gatinhos, e me dei conta de como sou feliz solteira. Conversando com minhas amigas lindas, bacanas e solteiras, a primeira coisa que falamos é como é bom ter liberdade e espaço. E como é bom se sentir bem sozinha, sem ansiedades pela atenção masculina, que se rolar legal, se não rolar, bom também.

E aí me dei conta que na verdade não somos nem um pouco feministas ou temos a síndrome da mulher moderna independente que faz filho no banco de esperma. Mas que somos românticas irrecuperáveis, e que ficar com alguém é algo tão legal que não dá para ser qualquer um. Ter a opção “antes só do que mal acompanhada” é tudo de bom, mesmo! Uma das coisas legais nos dias de hoje é ter espaço para trabalhar, se bancar e ter a opção de ficar sozinha sem dramas. Mesmo que a minha avó não entenda, rs

Eu adoro minha vida, minha liberdade e só ouço Billie Holiday sozinha com uma taça de vinho tinto e meus pensamentos como companhia. Se um dia encontrar um gatinho que entenda e ache tão bacana o meu momento Bilie Holiday quanto os nossos momentos juntos, aí sim, eu troco de faixa. Mudo de Beyonce “Single ladies” para Billie Holiday, “The man I love”.

 #etenhodito

 

 

 

 

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Postado em 05.11.2010 | 12:11 | Elka Andrello

 

Kathmandu é a capital do Nepal mas me lembra a Bahia. Não só porque aqui tem todos os santos, mas porque parece “carnaval na Bahia” todos os dias. Pelo menos em Tamel, bairro dos mochileiros, boêmios e malucos do mundo todo.

Eu moro em Boudha, bairro onde fica a Grande Estupa (linda!) e a comunidade tibetana,  com a Graziela, minha filha de 4 anos. Aqui é monge para todo lado e tiazinha tibetana carregando mala (rosário tibetano) cantando mantras. Mas vira e mexe lá estou eu em um táxi caindo aos pedaços, rumo à Tamel para encontrar meus amigos.

Como tem gente do mundo todo chegando e saindo o tempo todo, rola uma euforia: festas e pegação correm soltas. Tem bofes e guapas para todos os gostos: suíço, alemão, espanhol, holandês, australiano, americano, austríaco… muita gente bonita e com espírito livre, afinal que tipo de gente vem se aventurar no Nepal? Fora os nepalêses e tibetanos, mas entre esses rola um abismo cultural. Eles não entendem muito bem o jeito das ocidentais, principalmente das que vêm passar férias e apavoram. Acham todas bitches. As nepalêsas são tipo as ocidentais dos anos 50, bem família, saem pouco à noite, são educadas para casar e não tem liberdade sexual. Tudo bem, tem o time das moderninhas, mas é a minoria.

E foi aqui que eu vim parar com a minha filha. Logo eu que adoro um babado! Imagine que eu morei 4 anos num monastério budista e 1 ano na Índia, ao lado da comunidade de refugiados tibetanos e do Dalai Lama, me dedicando ao estudo do budismo e a cuidar da minha pequerrucha. Só para se ter uma idéia, na Índia onde eu morei, não se usa camiseta regata, mostrar os ombros é um escândalo e meninas dando mole na rua depois das 19h correm o sério risco de serem estupradas.

Tô adorando essa festa que é Kathmandu. E tô adorando mais ainda ficar no meio dessa festa depois de 5 anos retirada. Tendo em mente que todas as experiências são um espelho da nossa própria mente, é bem divertido me conhecer novamente nesse babado todo. Para completar voltei a projetar, VJ é coisa inédita por aqui. E achar o caminho do meio no meio dessa zona é um passa tempo bem divertido.

A primeira boa mudança made in Kathmandu foi que antes eu me interessava pelos rapazes por todas razões erradas. Sempre porque ela era bonito, e aí variava, porque tem banda, é loiro, tem corpão, pega onda bem, é mega culto…bom, eu avisei que era pelas rezões erradas! Tipo  pegar um trem porque o banco é de veludo sem saber onde é o destino. E nesse tempo que eu me dei longe do mundo, eu aprendi a me conhecer e a gostar de mim. Agora, quando me interesso por alguém é porque ele tem bom carater, é bom amigo, trata bem as amigas, é inteligente, é sensível, acha legal eu ser mãe, pensa nos outros e tudo isso torna o rapaz good looking. Demorou quase 40 anos para eu aprender a não me jogar na primeira impressão, criar mil fantasias e dar tiro n'água. O bom é  ir com calma, pois devagar a gente chega lá mais rápido.

Hoje é sexta e tem festa. E ele vai estar lá… wish me luck!

Grande estupa

Grande estupa

 

Lua cheia na Estupa de Swaimbhu

Lua cheia na Estupa de Swaimbhu

 

Francesco, eu e Sabina no night club The Cube

Francesco, eu e Sabina no nightclub The Cube

 

No Bar e club De La Soul com a Megan e a Alex que só bebe refri

No Bar e club De La Soul com a Megan e a Alex que só bebe refri

 

Sabina e eu em uma festa da MTV India

Sabina e eu em uma festa da MTV India

 

Festa de Halloween em Boudha

Festa de Halloween em Boudha

 

Halloween em Boudha com o meu visinho. Esqueci de dizer que os gringos amam brasileiras.

Halloween em Boudha com o meu vizinho.

Esqueci de dizer que os gringos amam tanto as brasileiras aqui que um amigo chegou a sugerir que eu diga que sou francesa para ficar mais tranquila com os bonitos.

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//Tashi Delek

Por Elka Andrello

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