Revista TPM

 
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Postado em 14.01.2010 | 14:01 | por Elka Andrello
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 Hoje é o ano novo indiano, e assim como no Brasil, é feriado nacional. Mas aqui ninguém viaja ou bebe champanhe, os hindus vão rezar em templos centenários para Shiva, o deus da destruição, o deus do renascimento. Como sou “devota de Shiva”, subi uma ribanceira para ir num templo há 30 minutos de caminhada daqui de casa. O templo fica aos pés do himalaia na beira do rio e tem uma chama que está acesa há 400 anos! No caminho de volta para casa, dei de cara com uma cerimônia de cremação. Aqui os mortos não são enterrados, eles são queimados na beira do rio, uma verdadeira fogueira humana. Quem acende o fogo tradicionalmente é o filho mais velho, e esse é um dos motivos pelo qual as famílias ficam tristes quando nasce uma menina e felizes quando nasce um menino.

Era Shiva dando as caras, levando o velho e trazendo o novo!

Feliz ano novo, de novo!!!

Elka Andrello

Cerimônia de cremação aos pés do Himalaia

Cerimônia de cremação aos pés do Himalaia

Elka Andrello

Fogueira humana

Fogueira humana

Elka Andrello

Impermanência

Impermanência

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Postado em 07.01.2010 | 17:01 | por Elka Andrello
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A passagem do ano e da década foi comemorada de um jeito bem diferente. Ao invés de pular 7 ondas no mar, tomar champanhe e dar abraços e mais abraços, dessa vez eu fiz uma peregrinação na cidade sagrada de Tso Pema com a Graziela e a minha querida amiga Juliene. É isso, começamos essa nova década como peregrinas, por dentro com a aspiração no coração de encontrar as bençãos do Buda Padmasambava e remover obstáculos para o ano novo, e por fora totalmente descabeladas e amassadas, já que tivemos que sair da cama muito cedo e enfrentar o frio do Himalaia e a aventura que é viajar nas estradas indianas.

 

Há milênios, pessoas de todos credos e crenças viajam para lugares sagrados nos endereços mais exóticos e inusitados do planeta. E a Índia é um prato cheio nesse sentido, foi aqui que entre outros grandes seres, o Buda Shakyamuni nasceu como o príncipe Sidharta Gautama , se iluminou, ensinou e passou para o paranirvana, e vai ser aqui que  Maytrea, o próxima buda, irá surgir e se iluminar. A Índia é a maior reserva espiritual do planeta, tipo a Amazônia espiritual, não só para busdistas, mas para hinduístas, jainistas, e vários outros “istas”.  Os tibetanos se referem à ela como “a terra dos seres sublimes”.

 

O granda lama budista e talentoso diretor de cinema, Dzongsar Khyentse Rinpoche, disse uma coisa muito legal sobre lugares sagrados: “os budistas em busca da iluminação usam os mais variados gadgets disponíveis para alcançar a iluminação, e peregrinar até lugares sagrados é um deles”. O que te move a  deixar de ir para um lugar bacana como a Europa e fazer uma viagem desconfortável, cara e até mesmo perigosa, para um lugar sagrado, muda o jeito que você percebe as coisas num nível sútil e profundo. Visitar um lugar sagrado e acreditar nas bençãos desse lugar, cria condições da mente perceber os fenômenos ao redor de uma maneira diferente, dá insights e amplia os horizontes. A segunda vez que eu visitei Tso Pema, foi porque o Lama Kenpa me orientou a estender bandeiras de oração de Lungta ao lado das cavernas porque eu estava passando por uma situação bastante estressante e do nada sonhava com sapatos todas as noites, o que ele me explicou ser um péssimo sonho para os budistas. O meu lado pragmático achou isso tudo meio exótico demais, mas mesmo assim lá fui eu para Tso Pema. No meio do dia, me perdi das minhas amigas e fiquei procurando por elas sozinha. Uma monja me chamou do nada e mandou eu entrar na caverna secreta do Guru Rinpoche. Eu agradeci, disse que estava procurando as minhas amigas e que já tinha visitado essa caverna. Mas ela insitsiu e praticamente me obrigou a entrar lá. Quando eu dei por mim, estava sozinha dentro da caverna completamente escura e levemente alagada por causa das chuvas das monções. Tanta escuridão foi meio assustador no começo, mas aí eu me dei conta que o Guru Rinpoche tocou as mesma parede que estava me apoiando e fez retiro ali no escuro. O que aconteceu depois não dá para explicar aqui porque foi uma experiência bastante pessoal, mas eu garanto que se eu estivesse no escuro sentada no  sofá de casa, não teria achado as repostas que eu achei na caverna.

 

A Índia é caótica, suja e perigosa, mas sem dúvida nenhuma é uma aventura espiritual, a maior de todas. Eu recomendo para vocês pensarem duas vezes na próxima vez que forem programar suas férias, e ao invés de ir para Londres ou NY, desembarcar no Indira Gandhi e pegar um trem para Varanasi e Bhodigaya.

 

Feliz 2010, um ano novo muito inspirador e cheio de novas experiências!!!

**Um grupo de pessoas organizou o Mandarava Project, para arrecadar dinheiro e construir uma estátua da princesa Mandarava ao lado do lago Tso Pema. Quer ajudar? Vai lá: http://mandaravaproject.com/

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Postado em 23.12.2009 | 08:01 | por Elka Andrello
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“…Eu vim da Bahia

Mas eu volto pra lá

Eu vim da Bahia

Mas um dia eu volto pra láaaaaa…”

 

Comecei a escrever esse post e o ITunes disparou o João Gilberto cantando “Eu vim da Bahia”, música do Gilberto Gil, que todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida. Trilha perfeita!

Pela primeira vez moro fora do Brasil. Mudei para o norte da Índia há 8 meses, com a minha filhota que fez 3 anos aos pés do Himalaia, a Grazielucha para os íntimos. Aqui na Índia de todos os santos, vi o próximo ficar distante e o distante ficar próximo. Tenho pouco contato com os brasileiros e budistas como eu, que moram por aqui. E para minha feliz surpresa, fiz bons amigos indianos hindus, sikis, muçulmanos, e alguns estrangeiros americanos, alemães e australianos, budistas, judeus ou agnósticos. Legal ver que o que une a gente não é idioma, cor ou religião, mas o coração, e sentir de novo essa coceguinha gostosa que faz no coração quando a gente encontra uma pessoa que gosta. Os indianos são educados, generosos, espiritualizados, muito gente fina, do tipo que sorri para dizer oi e olha no olho quando conversa. A maioria dos estrangeiros que eu conheço, estão por aqui há 5, 10, 15 anos ou mais, e se apaixonaram pela Índia. Ao contrário do que eu imaginava, não são hippies sujões que vivem no "dolce far niente" ou fogem do trabalho e das responsabilidades.  Ralam para caramba e ainda são comprometidos em ajudar a comunidade onde moram. Esses são alguns trabalhos bem bacanas made in India:

 

 

Eternal Creation é uma marca de roupas e acessórios super estilosos, para bebês, crianças e mulheres. A estilista e criadora da marca é a Frances, uma australiana que une criatividade com uma técnica impecável de alfaiataria. A Frances veio para cá como voluntária em 1994, para treinar refugiados tibetanos em design e alfaiataria. Se apaixonou pela Índia, fez um empréstimo de U$5mil com o pai e montou a Eternal Creation, associada à organização tibetana Gu-Chu-Sum , que abriga ex-prisioneiros, muitos vítimas de tortura nas prisões chinesas.

 

Big_04

Frances e funcionária indiana


A marca cresceu, e abriu o Himalaya Tailoring Centre, em Dharamsala, cidade onde mora o Dalai Lama, e hoje é umas das maiores empresas privadas geradora de empregos na região. As roupas são confeccionadas de maneira artesanal, com estampas lindas escolhidas a dedo pela Frances, ou criadas pelo Rory, marido dela que cuida da parte impressa da marca como fotógrafo e designer dos catálogos e do site. Os filhos do casal são modelos oficiais da Eternal Creation. A Graziela fez sua estréia como modelo com o pé direito, para o catálogo de verão de 2010. A marca é comercializada pela internet e em mais de 200 lojas na Australia, Europa e Asia. Gostou? Quer representar a Eternal Creation no Brasil? Me escreve que eu passo os contatos da Frances e do Rory.

 

Vai lá!

www.eternalcreation.com.

 

Dra. Bárbara e pacientes

Dra. Bárbara e pacientes

 

Dra. Bárbara é médica, formada pela universidade de Viena e mora na Índia há mais de 20 anos. Ela é do tipo de mulher que impõe tanto respeito que até assusta. Veio para cá nos ano 70 estudar yoga e conheceu o marido, o baba Krishan Nath, em baixo da árvore onde ele morava. Sim, na Índia alguns babas e homens santos moram em baixo de árvores! Casou, teve um filho e voltou com a nova família para Viena para estudar homeopatia e acupuntura com grandes mestres, tendo em mente voltar para a Índia e ajudar a comunidade local. Teve uma filha e o marido adoeceu e morreu. Montou a Nishta em homenagem ao marido, uma organização com princípos holísticos sem fins lucrativos que ajuda a população local. A Nishta oferece tratamento médico gratuito diariamente para mais de 60 pessoas, em uma clínica construída com dinheiro de doações. Eu já fui lá com a Graziela, quando ela caiu de bicicleta e se machucou, e fomos super bem atendidas.

 

 

A clínica trabalha com homeopatia e ayurveda, e alguns remédios são feitos  pela equipe da dra. Bárbara. Como a Nishta é uma organização holística, eles trabalham na árera educação, profissionalização e prevenção.  Uma iniciativa muito simples e eficiente é oferecer água filtrada para a população local. Água aqui é um problema sério, sei de história de gente que morreu por tomar água contaminada.  As mulheres recebem atenção especial da dra. Bárbara, que tem projetos com mães solteiras e viúvas, pessoas maldosamente discriminadas na sociedade indiana. E isso é só um pouco do que a dra. Bárbara faz. Uma notícia legal é que ela vai para o Rio de Janeiro em 2010. Eu aviso aqui no blog quando ela for para o Brasil. E se algum médico ou médica estiver interessado em trabalhar como voluntário na Índia, a clínica está precisando. Quem quiser conhecer mais o trabalho da Bárbara, o site é http://www.nishtha-hp.org

 

Didi Contractor

Didi Contractor

Didi Contractor é uma artista e designer americana que mora na Índia desde 1952. Ela constroe casas ecologicamente corretas com material e mão de obra local. As casas são rústicas e de super bom gosto. 

 

 

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Sidhbari Design, é uma empresa de internet criada pelo Brian, americano que mora aqui há 10 anos. Ele tem um alto nível de conhecimento técnico, cria e programa sites para empresas, projetos locais e monastérios, com qualidade internacional e preço local. O trabalho do Brian possibilita a inclusão digital para as iniciativas locais.  Quem me apresentou para ele foi o meu macintosh. É estranho mas é verdade. O meu mac deu um pau na placa mãe que precisou se trocada, e graças ao Brian consegui descobrir que era um problema de fabricação dos computadores do mesmo ano que o meu e arrumei o meu computador de graça. http://www.sidhbari.com/

 

Julia, Nicole e Sharon

Julia, Nicole e Sharon

 

Ekno Experience é uma empresa de turismo criada pela australiana Sharon, minha visinha super do bem. A Ekno Experience é especilalizada em viagens com um perfil espiritual e social pela Índia e Nepal. Entre outras coisas, a Ekno Experience promove todos os anos um tour pelo Ladakh, para levantar dinheiro para o Thosamling, manastério de monjas e mulheres budistas.

 

Turista social

Turista social

 

Outra iniciativa da Sharon é organizar “turismo social” em parceria com ONGs locais, em que as pessoas podem trabalhar como voluntárias na região. É uma maneira do turista conhecer profundamente o estilo de vida da população. A Sharon afirma com a maior convicção: “a Índia é um lugar com muitas oportunidades”.

Vem já para cá!

www.eknoexperience.com

 

Elka

Eu com a mão na massa

E, eu? Bom, eu conto essas histórias! Dar voz e visibilidade para essas iniciativas também ajuda! E espero expandir os negócios em 2010!

Feliz e próspero ano novo a todos!! E eu fico por aqui, cantando:

 

“…Eu vim de São Paulo

Mas eu volto pra lá

Eu vim de São Paulo

Mas um dia eu volto pra láaaaaa…”

 

 

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Postado em 26.11.2009 | 06:11 | por Elka Andrello
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Uma boa surpresa aqui na Índia foi descobrir desenhos animados que contam a história dessa civilização. Entre os desenhos estrangeiros na TV como “Ben 10” e “Tom e Jerry”, passam desenhos indianos incríveis como “Hanuman”, “Legend of Prince Ram”, “Tenali Rama”, “Krishna and Balram”, “Ganesh and Kartikeya”, e mais um monte. Eu acho esses desenhos ótimos, bem feitos e divertidos. As crianças aprendem desde cedo a história do seu país e se reconhecem nos personagens: crianças com bindi na testa, mulheres vestindo sari, homens de turbante e os deuses combatendo o mal e a ignorância através de valores morais universais como amor e coragem. A criançada cresce orgulhosa das suas raízes, cultura e valores, ao mesmo tempo que tem o direito ao universo da fantasia respeitado. Ai, que saudades da Emília!

 

Esses são apenas alguns desenhos sobre personagens e histórias indianas:

Falando bem rapidamente, o “Ramayana” é uma das mais importantes obras literárias da Índia antiga e teve um profundo impacto na arte e na cultura do país. É um épico sânscrito com 24 mil versos escrito por Valkime, não se sabe exatamente se em 500 a.c. ou 100 a.c. O poema conta a história do  príncipe Rama de Ayodhya, cuja esposa Sita é sequestrada pelo demônio rei de Lanka, Ravana. Rama é uma divindade popular adorada pelos hindus e a rota de sua viagem é percorrida todos os anos por peregrinos devotos. De acordo com a tradição hindu, ele é uma encarnação do deus Vishnu, que é parte da trindade hindu: Brahma (o criador), Shiva (o transformador) e Vishnu (o preservador). O principal propósito da sua encarnação é demonstrar o caminho correto (dharma) para as pessoas na terra. As últimas palavras de Mahatma Gandhi, sim ele mesmo, antes de morrer, foi o mantra de Ram.  Respire fundo e vai lá!

Legend of Prince Ram

Hanuman, o famoso deus macaco do hinduísmo, é uma encarnação do poderoso deus Shiva, o deus da transformação. Hanuman é o líder do exército que ajudou o príncipe Rama  vencer o malvado Ravana, no épico “Ramayana”. Ele é o mais poderoso de todos, pode voar, muda de forma e de tamanho. Depois de ajudar a vencer o vilão Ravana, o príncipe Rama disse para o Hanuman pedir a recompensa que quisesse. Ele respondeu: “Quero devoção infinita que é fonte da felicidade eterna”. Depois dessa, Hanuman é a corporificação da devoção no hinduísmo e segundo ele  “aquele que tem mais poder, pode servir melhor”. Matador (no bom sentido)!

Hanuman Agadam Pagadam

Hanuman

Hanuman Chalisa

Krishna é considerado pelos hindus a oitava encarnação do deus  Vishnu e surgiu na terra há 5 mil anos para destruir o mal. Ele aparece no épico “Mahabharata”, no “Bhagavad Gita”, escrito por Krishna Dvapayaana Vyasa, texto com mais de 74 mil versos e quase 2 milhões de palavras em sâncrito. “Mahabharata” é o texto sagrado de maior impotância no hinduísmo e fala sobre o tri-varga, ou as três metas na vida humana: kama ou desfrute sensorial, artha ou desenvolvimento econômico e dharma, a religiosidade que se resume em códigos de conduta moral e rituais. Mahatma Gandhi se apoiou em instruções do “Bhagavad Gita”, que sabia de cor, como instrumento legítimo de fé e na elaboração do conceito da “não-violência”. Krishna é muuuuuito popular, e várias religiões não-hindus com versões de Krishna, surgiram na Índia.

divulgação

Krishna in Vrindavan

Krishna in Vrindavan

Shiva é o deus hindu da transformação. Ele destrói para construir algo novo. Mando um doce indiano de presente pelo correio para quem nunca tenha visto uma imagem de Shiva, o deus azul com uma serpente no pescoço. Shiva mora no  Mount Kailasa, nos Himalaias, e está associado ao fogo, elemento que representa a transformação. Tudo que passa pelo fogo se transforma: o alimento que vai ao fogo, a água se evapora, os corpos cremados viram cinzas. Ele é o pai de Ganesha, o deus da boa sorte e prosperidade, que remove todos os obstáculos, e de Kartikeya, o cientista dos deuses que monta um pavão voador matador de serpentes.

Ganesh and Kartikeya

Bal Ganesh

Tenali Rama

Uma viagem no tempo volta ao mundo dos monarcas e palácios. Tenali é baseado em um personagem do folclore indiano, o homem da corte favorito do rei, que acaba colecionando muitos inimigos devido à sua popularidade. Mas, como um bom herói, Tenali usa sua inteligência e charme para vencer os adversários. Om Namaskar!!

 

 

 

 

 

 

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Postado em 17.11.2009 | 09:11 | por Elka Andrello
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O vento era tão forte que me acordou, até parecia uma música, sério!

Madrugada gelada, eletricidade cortada, filha dormindo quentinha. Voltei a dormir. De manhã, como todos os dias, saí atrasada para levar a Graziela para a escola. Entre uma bronca e um beijo na minha filhota, olhei para o lado e vi a montanha quase branca. Coisa mais linda! Moro na Índia, em Moli, um vilarejo com uma poucas dezenas de pessoas e muitas dezenas de vacas. Moro no norte da Índia, aos pés do Himalaia. Sou vizinha do topo do mundo. Todas as vezes que eu olho para as montanhas mais altas do planeta, elas estão ensolaradas enquanto o resto está na sombra. Parece um sonho. Tudo bem, tem um monte de filmes, livros, fotos e lendas sobre essas montanhas mágicas, mas eu só vou acreditar que elas existem no dia que eu pisar na sua superfície e comer um pouco de neve. Acho que vou me jogar no chão e ensinar a Gra a  fazer um anjo na neve. E depois gritar para ouvir meu eco. O budismo ensina que tudo o que a gente experimenta é um eco da nossa mente. Como será o eco lá em cima? Esse tem que ser um encontro perfeito, vou ter paciência e esperar a montanha ficar mais branquinha. Himalaia é uma palavra em sânscrito e quer dizer morada da neve, então quando nevar mais,  vou alugar um carro para levar a Gra conhecer a neve na casa dela. Porque aqui a neve não é apenas água congelada e a montanha não é apenas uma rocha alta. Não aqui no Himalaia. A montanha e a neve são seres mágicos que realizam desejos. E essas coisas a gente respeita.

 

Elka Andrello

him02

A casa onde eu moro em Moli, no norte da Índia.

 

Elka Andrello

him08

Minha vizinha.

 

Elka Andrello

him04

Os outros vizinhos.

 

Elka Andrello

him05

Aviso na entrada de casa.



Elka Andrello

him09

Escola da Graziela.

 

Elka Andrello

him14

Mandir, templo hindu, no quintal de casa. Todos os dias, no pôr-do-sol,

os indianos tocam um sino e levam oferendas para os deuses dentro dessa gradinha.

 

Elka Andrello

him15

A menina amiga da montanha.

 

Elka Andrello

him16

Noite de lua cheia.

 

himalaya_map

A cordilheira do Himalaia é a cadeia montanhosa mais alta do mundo.

O Himalaia estende-se até o

Afeganistão, Paquistão, Índia,

Tibete, Nepal, Butão e China.

 

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Postado em 11.11.2009 | 10:11 | por Elka Andrello
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Diwali, ou Festival das Luzes, é celebrado todos os anos na Índia e no Nepal, entre os meses de  setembro e novembro. O festival pontua o final das colheitas e os fazendeiros agradecem à deusa Lakshmi a riqueza obtida e rezam para que o próximo ano seja próspero. Lakshmi é a deusa hindu da $$ prosperidade $$, luz, sabedoria, fortuna, generosidade e coragem.

Parecia festa de São João no Brasil, as cidades ficaram lotadas de banquinhas vendendo fogos de artifício e também doces e luzes. Eu e a Graziela fomos convidadas por uma amiga indiana, a Sonia, para um jantar.  No começo da noite a Sonia cantou para a deusa Lakshmi na frente de um altar, enquanto ela girava um prato com oferendas. Todos nós pudemos fazer oferendas para Lakshmi. No final ela marcou a testa dos convidados com um bindi de tinta vermelha, o terceiro olho que os indianos usam. Acendemos muitas velas e soltamos tantos fogos de artifício que não faria feio em uma final de futebol. O jantar estava dos deuses! Terminamos a noite ouvindo hip hop com o Brian, marido americano da Sonia, que contou sobre o encontro com Adam "MCA" Yauch na livraria de Macleod Ganj, poucas semanas atrás. 

 

 

 

 

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Postado em 10.11.2009 | 12:11 | por Elka Andrello
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Recentemente eu tive a grande sorte de receber ensinamentos do Dalai Lama. Durante uma semana, no monastério dele em Macleod Ganj, ele ensinou budismo vajrayana (a linhagem que eu estudo) e falou sobre coisas muito complexas e outras muito simples, mas que tem o enorme poder de transformar a nossa vida. Uma das coisas que ele falou é o que a gente leva para a  próxima vida depois que morre são nossas ações boas e ruins. Ou seja, a maior riqueza que a gente pode acumular nessa vida são nossas experiências de amor, amizade, alegria, paciência e generosidade. E esse é o tal caminho para a iluminação.

Pensando nisso eu lembrei dos meus amigos, porque é na companhia deles que eu vivo os momentos mais saborosos dessa minha vida. E mesmo estando quase 5 anos longe, 4 anos morando num monastério budista e quase 1 ano na Índia, a gente continua a se falar e ser presente um na vida do outro. Sempre que eu vou para casa visitar é uma delícia. E o mais legal é que eles não me julgam ou criticam por ter me afastado por esse tempo para me dedicar para algo importante para mim, ou por ser meio lesada às vezes e não corresponder a altura às expectativas. Eu sempre sou recebida com beijos, abraços e drinks. Amo! O que eu nunca contei para ninguém é que se eu tenho coragem de ficar longe e viver de um jeito, como diria o Dani Lang, peculiar, é porque eu sei que eu tenho a amizade deles. É um paradoxo, estou longe porque tenho eles.

Eu admiro e me inspiro no exemplo da Dedê, na espiritualidade do Bidhu, na sabedoria do Dani Lang, na integridade da Clau, na elegância da Sachi, na beleza da Dea que é linda por dentro e por fora, no senso de humor, a famosa xoxação do Vitor Ângelo, na gentileza do Fabinho, no jeito divertido da Mari 16V, na generosidade da Erika, que é o meu superego e sempre me ajuda a juntar os pedaços como uma irmã mais velha e responsável, no apoio da Liz da Fê e da Ju, no jeito na Marta Paula, que é encantadora como uma personagem do Fellini. Amigos que acima de tudo torcem para tudo dar certo, vibram com as alegrias e perdoam as pisadas na bola.

Tem um texto do Trinley Norbu Rinpoche que eu adoro:

"If we believe that mind is continuous,

our love for others becomes continuous.

If we recognize this continuity,

we do not trust temporary, tangible circumstances

or take them too seriously.

If we believe in the continuity of mind,

then love inconspicuously connect us to the ones we love

with continuos positive energy, so that even tangible

separations between people who love each other do not

reduce the intangible power of love.

By believing in the continuity of mind,

we acknowledge the continuity of all circumstances,

including our experiences of love,

which are not just for one moment or for one life”

Pensando bem, se eu tenho boas chances de progredir é porque eu encontrei vocês. E o que eu desejo é que todo mundo tenha pelo menos um amigo tão legal quanto os meus amigos são para mim. Eu amo vocês!

Então, bora lá pegar o telefone, combinar de sair para um drink, dançar e acordar de ressaca para o trabalho?

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Postado em 21.10.2009 | 11:10 | por Elka Andrello
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Na Índia ser bronzeada ou ter sardas é um horror, aqui a palidez é obsessão nacional para mulheres e homens. Sério! Da mesma maneira que as ocidentais fritam no sol e nas máquinas de bronzeamento artificial ou usam cremes auto- bronzeantes, aqui na Índia as mulheres não se expõe ao sol, nunca chegaram perto de uma máquina de tanning e tem uma variedade de cremes clareadores  à disposição para comprar em qualquer biboca de esquina. Não posso deixar de mencionar que a Índia, o segundo país mais populoso do mundo, tem mais de 1 bilhão de indianos que geneticamente vem ao mundo com bastante melanina na pele.

 

Garnier+Light

Pelo o que eu pesquisei, existem duas categorias de creme: o que descolore os pigmentos da pele, e o clareador,  que pode remover a camada superficial de pele morta ou inibir a melanina. O creme da foto descolore a pele e garante uma cútis dois tons mais clara em uma semana.

 

 

bronze1

Quanto mais morena melhor!

 

 

bronze garantido

Selo de qualidade

 

 

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Miss Índia cara pálida.

 

John Abraham, astro de Bollywood.

 

Voltei faz pouco tempo da praia de Ko Phi Phi, na Tailândia, bronzeada e cheia de sardas, mesmo tendo usado protetor solar 50 todos os dias, me sentindo ótima. Encontrei um amigo indiano em Nova Deli que me perguntou desolè se os pigmentos na minha pele era a minha cor original ou se era por causa do sol. Foi inacreditável a expressão de alívio dele quando eu disse que na verdade sou super branquela e que eu tinha me esforçado pera pegar uma corzinha.

 

No barco, voltando de Ko Phi Phi

No barco, voltando de Ko Phi Phi.

Bronzeada, com sardas e feliz.

 

Branco querendo ficar marrom, marrom querendo ficar branco.

Será que a gente não está satisfeita com o que é, e tenta consumir até tons de pele para ficar bonita, ou a gente é feia porque não está satisfeita com o que é? Qual será o segredo da beleza?

 

Sun Tatto

Sun Tatto. Trabalho da designer Yu-Chiao Wang.

 

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Postado em 17.10.2009 | 16:10 | por Elka Andrello
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Morar na Índia não é para qualquer um. Na verdade é difícil morar aqui! Mas é bom!! Não, eu não pirei, deixa eu explicar:

Todos os dias eu levo e busco a Gra na escolinha. Vamos a pé pela Norbulinka Road (não adianta procurar no Google Earth, aqui não passa nem carteiro), uma estrada contruída ao lado do rio com água do degelo das montanhas do Himalaia.

Elka Andrello

On the road

On the road

Todos os dias de manhã eu saía atrasada, olhando para o chão com medo de pisar em cocô de vaca, com óculos de sol e ipod. E essa rotina aconteceu por meses, até que as monções vieram, a chuva encheu o rio, e o som forte da correnteza ganhou do meu ipod. Atravessei a estrada, tirei os óculos de sol para ver melhor a cor da água, e para o meu espanto me dei conta que por meses eu ignorei a presença de um rio incrível que cantava do meu lado todos os dias, e por hábito e pressa, nunca tinha me dado o trabalho de dar quatro passos para atravessar a estrada e andar do lado do rio. Na verdade fiquei meio chocada comigo mesma. Afinal, atravessar a estrada demora menos de cinco segundos! Porque eu sempre escolhi andar do lado mais feio da estrada?

Elka Andrello

eu rio

 

Elka Andrello

rio

 

Na Índia, quando está calor,  eu tenho que ficar toda vestida porque é ofensivo mostrar os ombros e as pernas. Eu tenho que me vestir e comportar como um saco de batata, para não atrair a atenção indesejada dos homens. Eu posso me sentir sufocada e ficar com raiva, ou pensar que sou uma convidada nesse país e que me comportar assim é uma forma de respeito.  Aqui não tem supermercado, eu compro meus legumes e verduras na rua, de produtores e comerciantes locais. Eu posso reclamar de saudades do supermercado Pão de Açúcar, ou achar legal comprar produtos locais e gerar renda para os moradores da região. Aqui não tem coleta de lixo, eu posso lamentar jogar lixo no mato e poluir a natureza, ou comprar menos produtos industrializados e gerar menos lixo.

Elka Andrello

Mercado de verduras e legumes em Dharamsala

Mercado de verduras e legumes em Dharamsala

Elka Andrello

lixo

Indiana joga lixo no mato

Elka Andrello

Lixo

Lixo na beira do rio

Quando a nossa condição de vida é tão adversa, somos obrigados a entender a diferença entre o que é se acostumar e aprender. Podemos nos  acostumar com as coisas ruins ou aprender a ver as coisas boas. Eu estava acostumada  a andar olhando para o chão com medo de cocô de vaca, e aprendi a atravessar a estrada para andar do lado do rio. A Índia tem me ensinado a reclamar menos e a ficar mais satisfeita com o que eu tenho. Valeu Índia, por me ensinar a andar do lado do rio!

 

 

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Postado em 22.09.2009 | 15:09 | por Elka Andrello
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Já faz 6 meses que eu e a Graziela moramos em Himachal Pradesh, estado bem pobre que fica na zona rural da Índia, na fronteira com o Tibete, aos pés do Himalaia. O nosso visto de turista acabou e precisamos sair do país para renovar o visto para mais 6 meses. Escolhi viajar para a Tailândia, que fica há 5 horas de avião e é um lugar que sempre quis conhecer. Depois de viver meses na bagunça e pobreza, parece que mudamos de planeta na organizada e limpa Tailândia. Saímos de um lugar onde só tem vacas para andar de Skytrain e aproveitar o lado mais moderno de Bangkok. Sawasdee!

 

skytrain

O super moderno skytrain.

Adoro usar o transporte público, é um ótimo jeito de conhecer como as pessoas se comportam,

se vestem, namoram e brigam. É bem mais barato e divertido do que andar de taxi.

 

 

03_gra sky train

O primeiro passeio de skytrain a gente nunca esquece.

 

04-entrada galeria

Entrada do centro de cultura e arte de bangkok, que fica em uma das estações do skytrain.

 

5-moonwalk

Graziela homenageia o rei do pop dançando o moonwalk na entrada da galeria.

 

06-elefante

o elefante é a vaca da Tailândia.

 

07-lojas

No primeiro andar da galeria ficam várias lojas com exposições

e trabalhos de artistas com preços super acessíveis.

 

grafite

Grafite tailandês.

É bem difícil um grafite impressionar uma paulistana como eu,

super fã dos ótimos artistas brasileiros.



10-modernos

Os modernos de Bangkok.

 

09-prints

Prints à venda por B1000 (aproximadamente R$50).

 

 

08-blackpower

Tailandês blackpower. Certo mano!

 

 

dragao

Dragão interativo.

 

 

11-childrem

A Tailândia é um país childrem friendly até na galeria de arte. Tudo de bom!

 

 

 

13-ultimo andar

Vista do 9˚ e último andar da galeria

 

 

14-roupa masc

Modelo old school masculino

 

 

15-roupa fem

Modelo old school feminino

 

 

16-roupa dem

Modelo old school de demônio!

O modelo moderno de demônio fica por conta da sua imaginação.

 

 

 

Instalação feita com fotos e espelhos

Instalação feita com fotos e espelhos

 

 

18-fotos

Todas as fotos da instalação são PB e antigas.

 

 

Jogo de espelhos

Jogo de espelhos

giga

Escultura gigante na entrada da galeria.

 

Fim do passeio

Vista da galeria da estação do skytrain.

 

 

21-pizza

E o dia acaba em pizza.

 

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