Revista TPM

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Postado em 12.02.2007 | 00:00 | Tania Menai

Esta é uma cidade de solteiros, e isso não é novidade para ninguém. As revistas sempre listam qual bar você deve ir para conhecer certo tipo de pessoa, como se houvesse receita. Mas a Time Out da semana passada trouxe um novo ângulo para o estilo “Friends” de ser: algumas das razões pelas quais a moçada vive solteira. Está na cara que os repórteres consultaram psicólogos, que foram fundo nas causas; já a revista foi fundo nas soluções, indicando lugares e dicas para todos os sintomas. Ou quase todos.

Os problemas vão além dos limites geográficos. Há quem está solteiro por estar desesperado (opa! Isso espanta qualquer um), por ser muito tímido, por ser muito controlador (estes são enviados para aulas de teatro e esportes em time), por ser pão-duro (na boa, mude de cidade), por ter levado um pé na bunda e jurado nunca mais arrumar ninguém (besteira, o próximo será melhor), por ter muitos roommates (inconveniente dividir o namorado com mais seis, hein?), por ser alérgico a tudo (péssimo numa cidade onde todo mundo cisma em ter gato e amar cozinha tailandesa), por estar muito acima do peso (matricule-se na Equinox ou então mude-se para a Filadélfia ou Orlando) ou por ser obcecado pelo animal de estimação ( talvez a grande maioria da cidade).

Tem também aqueles que só falam citando frases de livros ou filmes (quem agüenta?), os que têm mau-hálito, os que só pensam naquilo (a revista recomenda o grupo “viciados em sexo anônimos”), as mulheres que só saem com amigos gays, e os homens gays que só saem com amigos héteros, os que não conseguem esquecer o ex, os que têm voz irritante ou os desprovidos de qualquer estilo. Para as mulheres que só namoram músicos, a revista recomenda catar os donos de selos musicais ou os DJs. E segue listando sintomas como os que se amam demais, os que não saem do armário, os muitos que trabalham até altas horas da noite, os baladeiros em excesso, os que não bebem, os que são muito feios (para estes, a revista recomenda se pendurar de acessórios) ou os bonitos demais.

Ai, tem os que blogam a vida inteira (quem neste mundo quer ter a intimidade blogada no site alheio?), os que têm filhos, os caseiros demais ou os irritados demais. A revista só esqueceu de mencionar que, por um acidente geográfico, Nova York fica nos Estados Unidos, terra de gente travada. Basta transferir a cidade pra Europa ou pra América do Sul que todos os problemas se resolvem. Ou quase todos.
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Postado em 05.02.2007 | 00:00 | Tania Menai

Então você chega na casa de um amigo pela primeira vez e acha que está tendo um déjà-vu, que já esteve lá antes. Nada disso. Seu amigo, assim como quase todos os outros, comprou os móveis dele na Ikea, megaloja de design sueco (espalhada por Europa, EUA e Canadá) que vende de estante a guardanapo por preço de banana. Basta olhar para a sala de estar alheia que você sabe quanto o sujeito gastou na decoração. Os móveis são bonitinhos, sim, mas ordinários.

Pode notar: o sofá-cama da rapaziada é aquele listradinho branco e azul, a estante é de madeira clarinha, a mesa de TV é aquela baixinha de rodinhas pretas. Tem também o tal sofá branco, esse é clássico, quase obrigatório. Pois é, vivemos num catálogo. E aí tem a tal saga: quem neste mundo tem habilidade em se entender com o manual para montar uma cômoda ou uma cama? Sim, os móveis vêm esquartejados em caixas e você que se vire. Se quiser ajuda, desembolse 100 dólares; valor que costuma ser infinitamente mais caro do que o próprio móvel.

Também não é difícil ouvir episódios sobre a porta da estante que fica na sua mão ou o caso da minha gaveta, que não agüenta o peso das roupas de inverno, afunda e não abre; nunca mais. Por outro lado, a Ikea, que fica fora de Manhattan (e por isso disponibiliza ônibus gratuitamente aos fins de semana partindo da rodoviária Porth Authority), já virou vício para quem a-do-ra um vaso de flores azul-claro por 4 dólares. Como o meu.
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Postado em 01.02.2007 | 00:00 | Tania Menai

Ninguém solta um pio. Ninguém abre uma bala barulhenta. Ninguém sacode a pipoca. E, sobretudo, no final, todo mundo bate palmas e fica pros créditos. Ai, que delícia ir ao cinema em Nova York – principalmente nos pequenininhos, onde passam aqueles filmes espanhóis, vietnamitas, argentinos. As salas de projeção são templos – os filmes exigem profundo respeito. Quer dizer, nem todos eles, mas tudo bem.

Mas nem tudo é lindo. Tente pedir para um cidadão pular uma cadeirinha pra direita só pra você sentar ao lado do seu namorado numa sessão abarrotada que, provavelmente, a resposta será não. Inexplicável. Ainda assim não há nada melhor do que ficar até o último minuto pra descobrir quem foi o maquiador do set na Guatemala, o motorista no set do Quênia e a música da penúltima cena. Amo.

Ninguém fala com ninguém, exceto numa sessão no Lincoln Plaza onde assistimos Caché, com Daniel Auteil e Juliette Binoche, da França. Ninguém estava entendendo lhufas. A solução foi terminar a noite numa pequena roda de debate na porta do cinema. Ali estavam italianos, americanos e até um brasileiro. Na hora da despedida, um senhor americano, falante, meio filósofo, disse: “Em tempo, sou homeless. Moro em cima de uma árvore do Riverside Park. Podem ir lá me visitar”. Voilà, um desfecho nova-iorquino para um filme francês.
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//Só em NY

Por Tania Menai

Uma jornalista em Nova York

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