Revista TPM

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Postado em 21.12.2012 | 15:12 | Ana Manfrinatto

Ana Manfrinatto

Felices fiestas!

Felices fiestas!


Porque eu sou filho único e tenho minha casa pra olhar, o Nos Ares vai entrar em recesso de fim de ano. Uns diazinhos pra rever a família e amigos, comer purê de mandioquinha, tomar caipirinha e tubaína de garrafa e, sobretudo, descansar.

Mas como eu sei que muita gente cola aqui em Buenos Aires no fim do ano, vou aproveitar pra compartilhar algumas dicas valiosas preparadas pela amiga Mari Pereira – baiana arretadíssima, blogueira e dona do Hotel Querido – e pela Amanda Mormito do Buenos Aires para Chicas.

Elas prepararam um guia com 40 dicas no qual selecionaram restaurantes e barzinhos que estão abertos nas datas festivas e, o que é mais importante, lugares que elas frequentam, conhecem e gostam. Ou seja: lugar pega-turista-caro-e-ruim passa longe dessa lista. Custa R$ 7, o preço de um cafézinho por essas bandas, e dá pra comprar aqui.

E de a dúvida é sobre o clima, costumes e transporte, fiz um copy-paste em outras valiosíssimas dicas da Mari.

1. Como é o clima?
Calor. Calor mesmo. Como no Rio, em Porto Alegre e em Salvador.
Pode até fazer um ventinho durante a noite, mas frio mesmo é improvável. Traga shorts, sandálias, camisetas, protetor solar (sim, andar na rua queima), vestidinhos e um casaquinho leve.

2. A cidade fica mega decorada de Natal?
Não, não fica. Uma arvorezinha de luzes aqui, outra acolá. A que fica perto do Obelisco é super simples. Já a da Galerias Pacífico é pura riqueza. Os shopping investem bastante na decoração. A vitrine da loja infantil Cheeky, no shopping Alto Palermo, é famosa por inovar e criar cenários lindinhos que deslumbram os pequenos e os adultos também.

3. Como os argentinos comemoram o Natal?
No dia 24, à noite, com a família, em uma ceia típica. Todo mundo manda mensagens de texto para os amigos à meia-noite. Depois da meia-noite, o pessoal cai na balada, que pode rolar atééééé a manhã do dia 25. No dia 25, geralmente tem churrasco com amigos e família.

4. E o Ano Novo?
A maioria dos portenhos viaja. Os destinos principais são Mar del Plata e outras praias da costa argentina. Também Punta del Este e outros balneários uruguaios e, adivinha só, o litoral brasileiro. Buenos Aires fica bem vazia. O lado bom: passear por uma cidade mais tranquila. Os que ficam, passam a meia noite do 31 com amigos e família, com ceia típica como Natal (aliás as comidas são bem diferentes das nossas: vitel thoné (prato italiano de carne com molho de anchovas), turrones, matambre, carne de porco e muita sidra geladinha ou um um mega churrasco. Depois saem para bares e boates da Costanera (algumas com vista para o rio). Dia 1 de janeiro, aqui – como em muitos outros lugares – é praticamente o Dia Mundial da Ressaca.

5. O que abre e o que fecha?
Pergunta difícil, porque não tem muita regra. É como no Brasil, acho. Dia 24, a maioria do comércio (incluindo grandes shoppings) fica aberto até de noite. Alguns restaurantes abrem para a ceia de Natal, somente com reserva e com menu fechado, mas a grande maioria fecha. No dia 25 a maioria do comércio fecha. Dia 31, a mesma coisa. Já no dia 1 de janeiro eu diria que a maioria da cidade fecha. Nestes dias, seja prevenido e não conte muito com bancos: faça seus saques e câmbio de moeda antes, para evitar problemas. O Banco La Nación do Aeroporto de Ezeiza abre 24h por dia, todos os dias do ano.

6. O que fazer na cidade durante o dia?
Deixe as compras para outro dia, esqueça. As lojas e shoppings que abrirem, estarão insuportavelmente lotados. Aproveite suas férias para andar no parque, tomar um champanhe em algum bar charmoso de Palermo às 5 da tarde (porque não?), alugue uma bicicleta, ande de pedalinho, tome um sorvete sem pressa para refrescar o calor…

7. E transporte público e taxis?
O transporte público funciona sim, só que com menos frequência. Os taxis, sempre tão disponíveis aqui em Buenos Aires, diminuem consideravelmente. Dia 24, entre as 20h e 02h, é dificílimo conseguir um. Se for sair este horário, prefira ir a um lugar onde possa ir caminhando. A cidade é relativamente segura para caminhar à noite, principalmente por Palermo, Recoleta, Belgrano, Colegiales e Villa Crespo.

8. Vale a pena ver os fogos em Puerto Madero no dia 31?
Passei a virada do ano em Buenos Aires apenas 3 vezes. Geralmente, trabalhando até 19h e depois, pegando cedo no batente no dia 1. Meu Ano Novo aqui geralmente é um jantar gostoso na casa de amigos. Nunca fui até Puerto Madero ver os fogos, já que não temos carro e a coisa do transporte complica. Já ouvi opiniões bem diferentes a respeito. Gente que foi e voltou decepcionada. Vale lembrar que aqui, como em quase todo o mundo, o rèveillon não é lá uma super festa, como estamos acostumados no Brasil. A queima de fogos daqui nem se compara com Copacabana, Sydney ou Nova Iorque, por isso que você nunca vê os fogos de Buenos Aires na TV. Mas tem gente que vai, em um grupo de amigos animado, leva sua bebida e se diverte bastante. Tudo depende do momento e da companhia, né?

Ah! Outra coisa! Aqui não existe esse costume de vestir branco. Aliás, existe em algum outro lugar ou só no Brasil mesmo? A única tradição  ligada a cores da roupa é que as chicas usam lingerie rosa na noite do 31, para atrair sorte no amor! Mas para funcionar mesmo, tem que ter sido um presente, dado por outra mulher, na noite de Natal! Se você estiver vindo a Buenos Aires com namorada, amigas, sogra, irmã ou cunhada, já sabe: bombacha rosada de presente de Natal pra todo mundo.

É issoaê, gente, felices festas pra todo mundo :-)

A fotinho eu tirei hoje de manhã, é da árvore de Natal da Plaza de Mayo, toda decorada com sacolinhas recicláveis – a tendência só chegou aqui agora, veja bem. Lá no fundo, a Casa Rosada.

P.s.: o vídeo abaixo é da minha banda argentina preferida forever and ever, Sumo, em 1987, tocando “Noche de paz” no teatro Obras.

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Postado em 11.10.2012 | 18:10 | Ana Manfrinatto

 MAGIA em um singelo pote de plástico!

Tô na correria aqui mas não queria deixar de contar que hoje é o dia internacional do doce de leite. Logo eu, que não dou bola pro dia internacional da mulher, do pai, da mãe e dos namorados, tô aqui com água na boca.

Se é pra comemorar uma data comercial, que seja a do dulce de leche, né?

Aliás, olha só, em 2003 a Secretaria de Cultura da Nação escolhou o churrasco, a empanada e o doce de leite como sendo “Patrimônio Cultural Alimentício e Gastronômico da Argentina”.

O Uruguai vive brigando com os argentos sobre a origem da iguaria. Em outros países da América Latina o doce também faz a cabeça do pessoal e tem nomes como arequipe (Colômbia) e cajeta (México).

E eu amo queijo minas com doce de leite da fazenda mas, verdade seja dita, o argentino é ALUCINANTE.

E já que eu toquei no assunto, fica a dica: pra se lambuzar e mandar a dieta pra casa do chapéu, o meu preferido é o La Serenísima Estilo Colonial. Sempre falo pros amigos não gastarem dinheiro com esses doces de leite de pote bonito que vendem na Calle Florida.

Vai em qualquer mercadinho e se joga. É uma delícia e é baratex. Sempre que eu vou ao Brasil visitar a família tenho que chegar com pelo menos meio quilo senão a minha mãe não abre a porta de casa! Vai por mim e depois me conta.

Outro que eu amo, só que em tablete, se chama Vauquita. Vende em qualquer kiosco e tem a versão light com 69 calorias. Okey, são apenas 20 calorias a menos que o original mas não tem gordura saturada, trans, colesterol nem glúten :)

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Postado em 28.08.2012 | 17:08 | Ana Manfrinatto

Arquivo pessoal

As luzes mudam de cor e a música bomba

As luzes mudam de cor e a música bomba

Confesso que não tenho paciência com salão, vou só pra depilar. Não corto as pontas do cabelo de três em três meses, não faço hidratação nem tinjo. A mão eu faço em casa. Minha mãe diz que eu sou relaxada. Meu pai, que eu sou mais bonita que a Giselle Bündchen. Então tá tudo certo.

Mas tem muita gente que adora um salãozinho e que desfila cortes modernosos, o que não é o meu caso mas, sim, o da Dani – uma amiga que veio a Buenos Aires no último fim-de-semana. Motivo da viagem: correr uma maratona no domingo, ou seja, no sábado não dava pra levar a Dani pra festa.

Mas no nosso passeio vespertino por Palermo, enquanto falávamos sobre grandes temas da humanidade como escova progressiva, frizz e tons de esmalte; ela comentou que precisava cortar a franja (aqui, flequillo) e que frequentava o mesmo salão que outra amiga de São Paulo, aquele Retrô da Rua Augusta.

“A Dani vai amar o Roho”, pensei.

Contei pra ela que se tratava de um salão descolex que mais parece uma boate. Tem luzes, DJ, drinks e rock. Ela topou na hora e, destemida, adentrou o recinto pedindo muito volume, numa demonstração de cojones nunca antes vista – é que cabelereiro argentino tem aversão à fios retos e AMA uma tesourinha de repicar.

Arquivo pessoal

Dani, toda repicada

Dani, toda repicada


Resultado: Dani amou o corte, a gente tomou Campari com suco de pomelo e eu pensei que, pra quem ama uma peluqueria (salão, em castelhano), essa pode ser uma boa dica do que fazer em Buenos Aires.

Vai lá:
Roho Hair Boutique
Malabia 1931, Palermo
Corte e lavadinha saíram 178 pesos, aproximadamente R$ 75 (preço de agosto de 2012)
roho.com.ar

* “No cabelereiro”, sendo que “pelu” é a forma abreviada de “peluqueria”

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Postado em 15.02.2012 | 14:02 | Ana Manfrinatto

Divulgação

Tá LINDA essa coleção inspirada nos azulejos do Maranhão. Pena que não vende aqui...

Tá LINDA essa coleção inspirada nos azulejos do Maranhão. Pena que não vende aqui...

Todo mundo adora usar Havaianas. E todo mundo sabe que o mundo inteiro usa. No entanto, o que me chama a atenção aqui na Argentina é o tipo de uso dado ao famoso chinelo.

É que as mulheres o utilizam como se fosse uma rasteirinha. Inclusive para utilizar o transporte público e ir ao trabalho. Não raro eu vejo mulheres bem vestidas, com bolsa de couro, mochila para o notebook e... Havaianas no pé.

Não sei vocês, mas se eu pudesse viveria de Havaianas. No entanto eu a utilizo em casa, para ir ao mercado, para visitar minhas amigas, para passear pelo bairro e até mesmo para ir ao cinema ou a um bar...

Mas não consigo usá-las para ir ao trabalho. E pode ser que eu vá para o escritório de rasteirinha mas, de Havaianas, não. Vocês, brasileiras, me entendem? Caso entendam, imagino que também entenderão porque eu acho curioso que as argentinas dêem o uso de rasteirinha às sandálias que não têm imitação!

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Postado em 13.02.2012 | 18:02 | Ana Manfrinatto

Divulgação

Les conseils des filles rondes et stylées

Les conseils des filles rondes et stylées

 

Uma das notícias de hoje é a revista Elle francesa, que colocou a modelo plus size Tara Lynn de calcinha e blusa de renda na capa da edição de março. No editorial que recheia a revista, intitulado “O Corpo”, Tara aparece exibindo suas curvas como sendo ideais.

Se as curvas são mesmo ideais, isso não vem ao caso. Como dizem aqui na Argentina, “sobre gostos não há nada escrito” e, pra sorte de todos, cada um tem seus gostos e preferências. O que, sim, importa é que existem diferentes tipos de mulheres – e, logo, corpos de mulheres – no mundo e que eles estejam ganhando espaço em publicações que são referência de moda e beleza...

...Uma vez que todo mundo tá cansado de saber que o império do corpo esquálido e/ou siliconado, tudo isso turbinado com muito Photoshop, só faz aumentar uma legião de meninas e mulheres anoréxicas, bulímicas, infelizes.

Minha ausência neste últimos dias aqui Nos Ares se deveu a lindas e merecidas férias onde eu estive, dentre outros lugares e pela primeira vez, em Paris. E eu que imaginava que as deste país eram todas magras, graças à clichês e também ao clássico livro Mulheres Francesas Não Engordam, de Mireille Giuliano; percebi que isso não é verdade.

Quer dizer, elas não são gordas. Mas tampouco são esqueléticas. Ou seja: são normais. E em Paris eu vivi a mesma liberdade e tranquilidade que eu tenho no Brasil quando saio pra comprar roupa. Com raras exceções, meu tamanho de calça é sempre 42 e, de blusa, M.

Digo isso porque eu moro na Argentina, um país onde as mulheres são extremamente magras. A maioria das minhas amigas argentinas almoça salada (sem franguinho grelhado ou queijinho). Ou então uma salada de frutas. A maioria delas também se mata na academia e, as que gostam de comer, o fazem com culpa: mordiscam uma medialuna aqui e comentam “soy una gorda de mierda” acolá.

Não, não estou exagerando. Segundo um relatória da Rede Inter-Hospitalar de Transtornos de Alimentação (RIHTA) de Buenos Aires, depois do Japão, a Argentina apresenta a maior incidência mundial de anorexia e bulimia. Essa matéria explica mais o assunto.

Essa histeria e paranoia coletiva ao redor do peso também está refletida na indústria têxtil, quem produz tamanhos minúsculos e muita numeração única. Tanto que comprar roupa aqui é uma verdadeira odisseia. Mais de uma vez perguntei se havia número maior e a resposta foi “não, não fabricamos”.

Tudo isso pra dizer que achei do c****** comprar roupa em Paris. Assim como a Elle francesa com a modelo gostosona na capa ;-)

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//Nos ares

Por Ana Manfrinatto

Uma brasileira em Buenos Aires

Rss

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