Sol Rodríguez

Minha galocha, bem Mulher-Maravilha
Eu não sei se as brasileiras usam galochas mas, quando eu morava em SP, não costumava ver ninguém desfilando pela rua com este tipo de calçado, não. Mas imagino que não seja assim tãããooo usado porque a própria Havaianas só vende suas galochas no exterior. Enfim, depois vocês me dizem se “está se usando” ou não.
O que eu queria contar é que aqui em Buenos Aires, sim, as meninas usam botas de lluvia. E não é por moda nem nada, é por uma questão funcional mesmo: choveu, colocou galocha e pegou paraguas.
Ezequiel Apesteguía

Animal print da Agustina, miau
Eu super adotei o hábito e acho o máximo. Primeiro porque a gente não precisa olhar muito por onde pisa e segundo porque, no meu caso, eu piso na poça d’água de propósito... a sensação de ser uma 4X4 humana é única e eu recomendo pra todo mundo!
E já que o assunto é rainwear, fica uma dica de lojinha pra quem vier a Buenos Aires: a Seco é especializada em botas de lluvia, guarda-chuvas e “pilotos”, esses casacos impermeáveis pra vestir em dia de toró.
Ana Manfrinatto

Da minha chefe, Vivienne Westwood by Melissa
Em dias como hoje, além da vestimenta adequada é preciso um penteado que resista à umidade. Quem tem franja sai de casa com meia dúzia de grampos na cabeça ou então faz uma trança de raiz que inclua o flequillo. Quem não tem franja usa coque alto ou rabo-de-cavalo baixo acompanhado de tiara bonita.
A botas de lluvia eu consegui registrar aqui pela firrrma durante o dia. Já o penteado... ninguém aceitou – eu incluída! – ser fotografada tendo o frizz como protagonista ;-)
recoletakblogspot.com

Mandarina, mixirica, tangerina, bergamota
Se tem uma fruta polêmica na Argentina, esta fruta é a mixirica. Ela provoca reações e comentários por onde passa e comer uma mandarina (como aqui é chamada) em público, coisa mais normal do mundo, significa não passar incólume.
Desconheço a razão, mas funciona da seguinte maneira: toda vez que un ser humano começa a descascar uma mixirica em lugares como o refeitório da firma, por exemplo, ele pergunta se alguém se incomoda com o cheiro.
A paranoia é tanta que uma amiga me contou que, quando era pequena, a mãe dava os gominhos pra ela com o garfo para que o bouquet de notas cítricas não impregnasse a sua mão. Na boa: tem coisa mais gostosa que cheirinho de limão, laranja, mixirica?
Eu tive uma chefe – dessas executivas altas, magras, solteiras, de mini saia full time e viciadas em Rivotril – que dava piti cada vez que entrava num escritório cheirando a mandarina. E fazia questão de saber quem é que tava comendo.
Sem falar que tem gente que acha que as pessoas e/ou lugares com o aroma dessa fruta tem “cheiro de boliviano”. E os bolivianos, assim como os peruanos, são imigrantes que sofrem pencas com o preconceito aqui na Argentina.
Eu obviamente não dou bola pra nada disso: não pergunto se os meus companheiros de trabalho se incomodam e tô feliz da vida porque começou a época de mixirica aqui em Buenos Aires. Aliás, tem uma sem caroço que eu amo!
Ah, outra coisa, a fruta inocente está presente em todos os pepinos e abacaxis do país. Isso mesmo: quando alguém tem um problema nessas bandas, em vez de “descascar o abacaxi” ou “resolver o pepino”, tem mais é que “chupar a mandarina”.
Fica a dica pros turistas que estiverem vindo pra cá por esses dias. ;-)
Ahavoila

Adeus, Caloi
Hoje a Argentina está triste porque perdeu um dos seus grandes desenhistas, cartunistas e humoristas: Carlos Loiseau. Ele faleceu na manhã de hoje aos 63 anos de idade e, segundo o também desenhista e humorista Miguel Rep, foi um cara “rebelde, melancólico, portenho, futbolero, hedonista e arrogante”.
Caloi, como era conhecido, foi o criador de Clemente, uma criatura bem dotada de argentinidade que conquistou o coração dos leitores – a tirinha foi publicada diariamente, durante quase 40 anos, na contra-capa do jornal Clarín.
“Ele saiu do estereótipo do humorista habitual, fazia uma sátira que marcava as nossas características culturais. Soube ler uma idiossincrasia e devolvê-la como um espelho para quem lia o jornal. Eu, com Clemente, me reconhecia como argentino”, disse o desenhista Nine em entrevista ao jornal Página/12.
A matéria, aliás, foi intitulada “Caloi morreu” e ganhou o subtítulo “com todo o humor da alma”. E já que falamos de quem lamentablemente se foi, falemos também de quem fica: Juan Matías Loiseau, o Tute, “irmão” do Clemente e também humorista gráfico. Desde 1998 ele publica uma tirinha – super fofa – chamada Tutelandia no jornal La Nación.
Tute - Site Oficial

“Não vejo o que há de mágico”

Excelente resumo ilustrado da Guerra das Malvinas
Hoje é feriado aqui na Argentina. Pra que ninguém esqueça que há exatos 30 anos, no dia 2 de abril de 1982, o país declarava guerra à Inglaterra pelas ilhas cá chamadas de Malvinas e lá chamadas de Falklands.
Essa guerra foi muito louca. Ideia do General Galtieri, presidente durante a ditadura militar da argentina, quem mandou vários soldados jovenzinhos e completamente mal preparados – eles passavam fome e frio – para lutar contra o über arsenal inglês.
Continua sendo uma ferida aberta e pode receber o adjetivo “louca” porque esta guerra matou mais combatentes depois dela do que durante a batalha. Foi tudo tão traumático que muitos soldados se suicidaram quando já haviam voltado do front.
Há cinco anos eu escrevi uma matéria sobre o tema para a Revista Grandes Guerras com o amigo jornalista Leo Nishihata. Nesta oportunidade eu pude entrevistar alguns ex-soldados e entender, um pouco mais, sobre esta chaga tatuada no peito dos argentinos.
Mas o que eu queria contar pra vocês é sobre um projeto super bacana em torno do evento que Nishihata e eu titulamos de “A desastrada aventura dos hermanos”. Se trata do Malvinas30, um documentário interativo que vai narrar os acontecimentos da guerra, durante quatro meses, tal qual aconteceram em 1982.
Funciona assim: um grupo de três jornalistas, de forma totalmente independente, fizeram um mergulho nos arquivos locais e levantaram um grande número de material – matérias de jornal e vídeos – daquela época. Online há mais ou menos um mês, eles disponibilizam todo esse material no Twitter no dia e hora em que o fato aconteceu.
Por exemplo, neste mesmo dia e nesta mesma tarde, em 1982, o General Galtieri apareceu no balcão da Casa Rosada para, sem consultar as Forças Armadas e – dizem as más línguas – bêbado, decretar a guerra.
E nesse mesmo dia e nessa mesma tarde o Malvinas30 publicou o vídeo, por streaming, nas redes sociais. Quer dizer, é uma espécie de máquina do tempo virtual que propõe uma aproximação não tradicional a um dos momentos mais controversos da história argentina recente.
O projeto criado por Alvaro Liuzzi, Guadalupe López e Ezequiel Apesteguía também inclui um personagem de ficção, o Soldado M30. Através do Twitter, o jovem combatente fala sobre os jogos de futebol daquela época, dos shows e também da agonia por ele vivida naquela época.
Malvinas30 é um convite para reviver e/ou viver o passado e para pensar no presente. E também é uma excelente ideia de como usar as redes sociais e as ferramentas digitais com as quais contamos hoje em dia como suporte para um projeto histórico ;-)
Ah, pra ilustrar o post eu usei uma ilustração do cartunista Liniers – que vocês sabem que eu amo. Não sou argentina mas pelo o pouco que eu leio, vejo e escuto, ele fez um excelente resumo ilustrado do que foi a guerra.
Jacques Gomes Filho/ La Nación

Cabe no tênis, gente!
O jornal argentino La Nación tem uma seção chamada “Bestiario” que não tem nada a ver com o livro do Cortázar. A ideia, neste caso, é que as pessoas mandem fotos das suas bestias, o seja, do seu animal de estimação (que aqui são chamados de mascota).
E quem ganhou destaque na edição (online e impressa, tá) de ontem foi um chihuahua brasileiro. Ele é tão pequenininho que cabe em um tênis e têm fãs locais – dentre eles, celebridades. Sem falar que a Xuxinha causa frisson quando passeia por Palermo.
Como o dog foi parar no jornal? Culpa do Jacques Gomes Filho, correspondente da RedeTV! Em Buenos Aires: a Xuxinha é do sobrinho dele e, sempre que vem pra cá, ela pára o trânsito e quase é sequestrada pela namorada e pelo enteado do repórter.
Taí, uma historinha bonitinha que eu sei que só tem graça pra quem, assim como eu, adora um pulguento! ;-)
Já que eu toquei no assunto, vai um glossário:
Perro – cachorro
Perra – cachorra ou o tipo de mulher que no Brasil chamamos de vaca
Cachorro – filhote de qualquer animal
Cucha – casinha
Ração – alimento balanceado
Vacina – vacuna
Coleira – collar
Ossinho – huesito