Revista TPM

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Postado em 09.04.2013 | 18:04 | Karina Buhr

Karina Buhr

Jurema

Jurema

 

Olaria de noite processa a agonia do braço arrancado
de poder de papa empossado
de posseiros, índios, garantias
que se tolhe do astuto o intento
o incenso de perfumar o dia
que se molhem amargados, escuros, podres de tanta agonia
os trunfos seguros da prole
os frutos maduros na via
se colhem alargados e frios
bonitos encolhem fastios
na penumbra de toda elegia cessa a pressa e a cria

O freio aperreia o silêncio, que a via esperava vazia
arde alvoroço há tempos, há tempos a voz silencia
rangendo falta de comida, tendo dela visão de longe
pega fogo a fome e consome
insone qualquer coisa que cure
e dure o tempo que salta
falta de sentidos nos âmagos
fogueira de estômagos e fúria
amor de cura e friaca
arregaça a carência do estúpido  

Ressaca, mar sujo batendo
na praia de noite, de leve
se preze seguro e tranquilo
limpo, horizonte duro
rebento a sobrar na calçada, pessoa com placa pendurada
corpo igual a poste, pessoa desperdiçada
balança propaganda de edifício, condomínio melhor que aquele outro
vende bem, aluga e empresta vestido de noiva, de festa
anuncia ouro, dólar e artista
tira ponto de carteira de motorista

Ver se efeito surte, esperar olhar vagante
na rua de elementos vivos, poesia dura e constante.
Ir num cinema e sentar no banco, pegar uma pipoca e tanto
no balcão ou da que vende na rua, por centavos, com a manteiga pior
com a pipoca melhor, com a manteiga pior
Sentar-se no banco do cinema, falo na entrada, da parte da frente
onde entra o bolo de gente e recitar um poema
Receber olhar em floral, conta gotas desconhecido
guardar retalhos, bem usar depois
nalguma coisa malcriada, alguma coisa de dois.
Coisa que nem é nada, que nem pra lembrar dela serve
Fazer prece pro que não se entende e até pelo que não se acredita
Creditar ao outros acertos, elogiar qualidades e prazos, soltar fogos de valentias
e evitar embaraços

Quem nem o homem da placa, no pescoço pendurada
Passageiros chegam logo, quão mais apressados mais valiosos
Tempo é dinheiro do mundo de todos, mas pode-se pairar longe disso
De certo não entraremos no páreo, do áureo lucro do sucesso
o que não é desejado por perto, o que uma casa cuspiu.
Surtiu o efeito encoberto pelo recesso da causa
e a alma busca o correto, pensando pausa e labuta.
Depositada em nossos dias, precisa enguia de larva
a arma carrega consigo o efeito, o tiro e a culpa
a luta, a amarga, a correta, não causa no filho repulsa
ao passo que a ponta escorrega e remenda a catapulta.

Compare as dores, recusas, que arredias de amor sempre sofrem
mundo absorve, homem tolhe e por torpor desencolhe
colhe alagado riacho, ombro do macho fervendo
tremendo o grito entalado, dessa visão hedionda
na ronda seca o perito, tudo de indício de sede
sedes correta, estupenda, verdade do início de tudo
onde o amor, sempre mudo, espera liberdade de cima
e de cima lhe cospem direitos, alguns séculos depois
pois tenham em vossa cabeça, nos encantamos no intento
não se esqueçam, sonhando, que a responsa é de fé
que da suas boca saem vãs e vãs vão as vontades dos outros
mas vai implicitado no peito, estreito, esborrando o poço
secando o copo e o leito, batata assando de jeito
corais assustados com o deleite de vossas roscas queimando
Preparem-se, tolos deputados, a festa gay está só começando!

 

ps. Esse texto foi publicado na minha coluna mensal na Revista da Cultura, distribuida gratuitamente em todas as Livrarias Cultura

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Postado em 17.08.2012 | 15:08 | Karina Buhr

 

Pussy Riot

Pussy Riot

 

Assange Trip boy

Assange Trip boy

Elas na fogueira e o calor batendo perto da porta de cada pessoa alerta, por todos os cantos. Queima. Raio Laser profundo, de intenção paralisante, mas que pode, ao contrário, fazer florescer e expandir a consciência maior (a que a Justiça mora dentro dela), que liga todas as outras. E por caminhos tortuosos a certeza dessa ligação entre bilhares de mentes por aí, se torna mais forte e poderosa.

Julian Assange preso com uma coleirinha na perna.

Mulheres russas que fazem um protesto genial numa igreja, estupidamente condenadas também.

O cara que, pra comer, bate carteira numa rua de Recife, também.

Já é sabido que o que se precisa, nesses casos, não é fazer igual, é fazer pior! Toca Raul!

Se vai roubar, matar, prender, é bom que seja de muito, mas de muito mesmo, à caminho da absolvição diante dos tribunais e da multidão burra e dominada.

Os decretados donos das vidas de todos, que ditam o que podemos e devemos comer ou não comer, beber ou não beber, fumar ou não fumar... Os que bradam a favor da família e afastam o batedor de carteira, as Pussy Riots e Assange dos seus filhos. Esses que riem de tudo. Sempre. Os maiores algozes não são eles.

No setor das particularidades pessoais de cada um, do individual - A necessidade da redundância - No setor do indivíduo sozinho, ele e seu pensamento mais íntimo, o inimigo está dentro. E no setor das particularidades públicas, do que é pessoal, mas comum de todos, o algoz está, de novo, dentro. Pior do que o que manda em todos são os comandados que defendem o comando.

"Servidão inconsciente". Falou Euclides da Cunha.

"Elas sabiam que poderiam ser presas fazendo protesto na igreja", "Assange perturbou relações diplomáticas há muito estabelecidas", aliás, o problema não é esse, tinha esquecido, o problema são dois priquitos assediados, que o mundo todo precisa, através da televisão, fingir que acredita ser o problema. Dois priquitos valiosos como nunca antes houveram, nem haverão de haver! Logo eles, que nunca tiveram valor, passam a ter. Goela abaixo o mantra "assédio sexual". O sexo de novo dominando as paradas. Com as meninas da igreja o problema também foi esse, no fundo. E no raso. #FreePriquito #FreePussy

Mas a justiça, ela de verdade, ela no limbo, ela substantivo primeiro, irmãos, é praticamente uma cristã, feito que, os filhos e filhas dos algozes do batedor de carteira faminto, dos das bruxas Pussy Riot, dos que enclausuram e podem vir a matar o moço Julian, vão viver um tipo de Rússia, um tipo de ruas do Recife, um tipo de vida, muito mais interessante e verdadeiro por causa do que os condenados fizeram e fazem e do que os que pensam como eles fazem e fizeram. 

É o antigo dar, pela convicção mais densa e por amor, o que se tem de mais sagrado, o sentimento de justiça primeiro, nesse mundo que funciona ao contrário.

Esses que hoje prendem em nome de Jesus e da mãe dele, os mesmos que pregaram o rapaz na cruz, podem dormir tranquilos, porque tem gente vivíssima e disposta a dar a vida, sem piedade, com rock and roll, pelo bem de todos, pela justiça mais pura, pela igualdade incondicional.

Jesus aplaudiria os condenados, pois. Ele foi um deles, poderia dizer a deusa Nina Hagen ou a deusa Baby.

Elke Maravilha tem sempre delícias a dizer, procuremos saber.

Enquanto isso o fogo arde.

"É cu ardor"*!!

*Com a licença poética de Zé, o Celso.

Serviço:

Pra quem ainda não viu, aqui vai o protesto genial das Pussy Riot e também aquele google básico, já descascadinho, mas só no rasinho, sobre Julian Assange.

#FreePussyRiot #FreeAssangeNow #FreePussy #AssangetesBR

bonecas das mina

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Postado em 31.05.2012 | 18:05 | Karina Buhr

"Atrás do arranha céu tem o céu, TEM O CÉU!!!"

Foi-se nosso porta estandarte, mas não foi-se porque nunca vai!!!

NELSON JACOBINA!! O cara que fez e faz parte da vida de tanta gente que nem sabe que ele existe, ou existiu. E o tesouro tá aí e é atômico, como o maracatu dele, que mudou minha vida, a sua, a de Chico Science, a da Nação Zumbi, a de tanta gente! Porque o tesouro é muito maior do que o que possa ser notícia nos moldes dos noticiários, do que o que chega pra todo mundo através de jornais, que esperam a morte dos deuses, pra estampar seus nomes com letras grandes. Ou nem isso, porque a notícia ainda não tá em lugar quase nenhum, apesar da pressa tão grande de tudo. Mas foda-se porque TODA FAUNA FLORA GRITA DE AMOR!!!!!!! DE AMOR! E isso ninguém tira do lugar certo! (isso foi hoje de manhã, sei lá que horas)

Nelson Jacobina

Nelson Jacobina

 

E agora coisas mundanas vem na cabeça..."ai, Brasil, se a gente tivesse noção...", "se o caba fosse gringo, imagina a babação...", mas na mesma hora tudo cessa, com uma serenidade estranha, que vem como um grito dele, que eu não imagino gritando, porque só vi de perto susurrando, lindo, de uma beleza que não tem queixo boicotante que consiga atuar contra.

E o grito que escuto dele, vem como um seligue certeiro, daqueles que a gente tem, mas esquece às vezes e que é preciso ser posto pra fora da órbita pra conectar de novo.

O grito dele, pra mim, vem como um pára tudo! Sim, com acento agudo!

Pára a usina! E aí o rio corre tranquilo.

E o que é certo fica.

NELSON JACOBINA, de tão triste, esse dia vai ficando turvo, enquanto anoitece, pra depois virar um dia brilhante, mesmo que chova fumaça em SP, que vai virar agradecimento, por ter vivido, pelo menos um pouco, ao mesmo tempo que você.

Essa pessoa que, entre outras tantas e tantas e tantas, compôs com Jorge Mautner, nosso outro Deus encantado, MARACATU ATÔMICO, que, pelas mãos e garganta de, Chico, mais um deus desencarnado mudou, no mínimo dos mínimos, a história de uma cidade, Recife, nas entranhas dela.

Nas entranhas significa no coração, alma, pulmão, de cada habitante dessa cidade, que teve e tem sua vida mudada pela música.

E mesmo os que nunca souberam e os que nunca vão saber quem é, ou quem era esse cara foram tocados por ele e tocaram nele. 

Dos milagres da música e da poesia, minha gente!

P.S. aqui fica meu abraço apertado e aberto e meu obrigada a Jorge Mautner, Nina, Thalma, Moreno, Rubinho, Domenico, Kassin e toda Orquestra Imperial, pelo presente que nos deram de ter ele tão por perto, tão facilmente encontrável, tão ao alcance.

31.05.2012

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Postado em 19.08.2010 | 10:08 | Karina Buhr

Duda Vieira

 

 

Vamo?!

É amanhã, 19 de agosto!

No repertório as minhas músicas do disco "Eu Menti pra Você"

E na bateria Bruno Buarque

no trompete Guizado

no baixo Mau

no teclado Dustan Gallas

e nas super guitarras Fernando Catatau e Edgard Scandurra!

Uhuuu!

Beijos e beijos,

Buhr

 

 

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Postado em 07.08.2010 | 09:12 | Karina Buhr

Ingrid Buhr

 

Um gosto salgado na boca
cai amarga líquida gota
e liquida a alegria do domingo.
De verdade.

Saudade grande arde
queima toda a cidade grande
o coração vira estômago
digerindo a morte longe
longe que já faz um ano
que me foi arrancado
um pedaço

Nervos de aço, cartilagem
tubarão mordendo meu leito
jeito não tinha nenhum
apenas chegou o dia
de você ir embora
e no meu peito trovão chorou
debulhou, estagnou

Vai fazer um ano
que meu avião caiu
Embora fosse sabido
que você se ia em breve
quando acontece nada vale
a antecedência, a prévia tese

Em dias de paz
tem pão repartido
em dias dos pais
corações partidos, orações
perfumes, pedidos.
Tem almoço, pizza
promoções

"Passe um dia com seu pai!"
disse o slogan.
Agora eu quero ver!

O meu já foi embora
mas faço o que puder
pra ele voltar pra passar o domingo

Devoro todo o universo comercial
Compro todas as pizzas
todas as passagens
pra todos os destinos de viagens
todas as meias e gravatas
as revistas de economia
todos cremes de barbear
invisto todos os porquinhos
vendo os desenhos
vendo meus disquinhos

boto o dinheiro que é do aluguel
a grana do estúdio pra ensaiar
não vou pro ensaio
vou fingir desmaio
só pra poder
planejar
como vai ser a operação
Erro não haverá nenhum
pra acertar a promoção
se tudo der certo a cidade pára
e eu vou poder lisa,
sem um puto,
beijar de novo sua cara

Vou fazer barricada na rua
não deixar passar caminhão
com o estoque do supermercado
cheio de caixas, um bocado
sequestro o motorista
grito na pista
ganho tempo pra achar
o bilhete premiado

Quero passar pro outro lado
só pra te dar bom dia
e um abraço apertado
perdido, sonhado
desenhado com minha caligrafia
copiada dos desenhos que você guardou
os tracinhos que devagar,
coloridos, pequena, eu fazia

Não sei bem onde
se escondeu
de repente desaparecido
você foi morar escondido
não sei que lugar escolheu

Na última noite
na véspera do seu aniversário
não sabia fazer nada
fraca pra caralho
eu era a criança do lado do pai e não consegui
fazer você ficar vivo não consegui!

Fiquei em pé do seu lado
sono pesado e culpado
te alisando e te cuidando
na noite que nunca acabou.
Não pode chutar, meu pai, senão o soro sai!
Você dizia que sabia, mas não aguentava mais

Eu quis cuidar do seu braço
que estava ferido
e tentei
mas a enfermeira disse que não tinha
e não me deu a gaze
porque você já ia morrer mesmo
questão de horas,
ou podia ser um dia quase.
Aquele lugar sem beleza
sem leveza e sem janela
você já ia morrer mesmo
o expediente estava acabando
que importava seu braço pra ela?

Dali a umas horas eu esmurraria
chutaria com dor furiosa
aquela parede de mármore horrorosa
e receberia olhares desaprovantes
de alguns funcionários semi pobres
do hospital de semi ricos
com hospitalidade semi nobre
medicando pacientes semi vivos
com a sorte de ter a mais alguns cobres

E meus chutes não estremeceriam nada
nem mudariam a ordem das coisas
as coisas que seguem ordem própria,
mórbida, fétida e petrificante
no leito e em torno dele
bolhas, cateteres desafiantes
rezas, preces agoniantes
choros, velas, as parcas comidas
os amargos semblantes
e também feições rosadas de visitantes
que aparecem nos horários que lhes convém
e a gente como sempre refém
da malfadada tonta e aparecida
coisa leve, pesada, desconhecida
que resolveram por chamar de vida

O bolero de Ravel
queria ver mais uma vez você ouvindo
bastava esse domingo!
Essa era uma música linda
mas você me explicou
um problema que ela tinha
"começa com o volume muito baixo
e termina muito alto"
e é um inferno levantar o tempo todo
pra gerenciar isso.
Mas no final você cria
um bolero em parceria
todo num volume só
que repetia, repetia, repetia
creative commons, sua garantia
com seu toque pessoal e arrojado no arranjo
batidas de asas de beija flores de alegria
executando debochados anjos

Mais açúcar no café do que você usava
era muito demais, você achava
menos açúcar era pouco demais
mas faz todo sentido, pai!
Prato grande no almoço merecia foto sua
pra mostrar pra todo mundo
a gula alheia na rua

Quando vi seu corpo inerte
naquela camisa vermelha
direito não consegui entender
você era tão mandão
que não aceitava morrer
pois morreu sem se despedir
não deu esse gostinho a ninguém
sem abraços de perdões e declarações

"manda esse povo parar de rezar junto de mim!"
Aqueles momentos pieguíssimos
aqueles choros novelísticos
nada disso você queria
e eu precisava tanto disso
no fundo do meu egoísmo!

Por que pareci forte?
Queria te abraçar e chorar
mas disso você não quis saber
e agora aqui escrevo
pra todo mundo ler,
talvez sem gostar ou se embevecer
mesmo quem eu não conheço
quem não pagaria nenhum preço,
vai pela internet, que você não usava.
Pra que isso? Não precisava.

Talvez por aqui você leia
vai saber onde as ondas da web vão dar!
vai que elas chegam onde você está!
vai que tem luz aí
e você consegue conectar!

E é isso minha gente
que tenho pra falar por hora
meus olhos ardem vermelhos
flamejam vapores agora
tanto os usei pra derramar
que eles já não conseguem olhar
como olhos felizes enxergam
e se esforçam pra apreciar
fecho-os com força, inchados
e ainda me enervam a transbordar.

Dia 15 de agosto
é aniversário de Augusto
que esperou o começo
do dia 16
pra ir embora de vez.

Isso aconteceu no ano passado
não sei se sobrevivi

Ele morava do lado do farol
ele morava no cartão postal
E com sua morte
adquiri um problema
de conjugação verbal
Pra falar do meu pai,
Augusto José,
alguns usam "era"
mas eu uso "é"!

 

 

ingrid buhr

 

Eu, meu pai e Xande, do surf para o surf

 

Eu e Ju

 

 

 

Eu e Mari

 

 

Pri

 

Esse texto escrevi há um ano atrás e ele sempre vai ser o meu dia dos pais.

Dedico ele a meu irmão amado Alexandre, minha irmã amada Priscilla, a Duda, Juliana e Mariana, Anelis e Serena, Natércia e Isadora, Ingrid Buhr e Irmgard Buhr.

Beijos e feliz dia dos pais!


Karina Buhr Magalhães

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//Romântico...

Por Karina Buhr

Rss

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