Revista TPM

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Postado em 28.07.2011 | 19:07 | Lia Bock

Não, não é suruba, é organização mesmo!

    Se todo mundo pensasse que nosso objetivo nos relacionamentos é tornar o outro uma pessoa melhor, não teríamos tantos problemas na matemática conjugal – leia-se por relacionamento qualquer coisa que envolva o coração, não importando se por poucas noites ou décadas a fio. Se cada uma de nós pensar que está preparando um ótimo marido para a próxima namorada do seu namorado, todos os homens seriam mais dóceis e, assim, estaríamos todas bem assistidas. Num dia elas, noutro nós. O mesmo vale para esposas. Imagina só, se as moças já viessem com a lição de casa feita e não tentassem (nunca mais) disputar a atenção com o Mesa-Redonda? E, quando digo melhorar o outro, quero dizer dar sem pedir nada em troca, apenas contando com a premissa lógica de que, em algum lugar, há outra pessoa fazendo o mesmo por você. Digamos que é um jeito coletivo de ver o amor.
    Se fosse assim haveria menos gente traumatizada circulando por aí. Bando de despreparados sofridos que somos... Vacilões para todos os gostos e tamanhos. No fundo, somos um bando de bípedes com medo de dar e de receber (não necessariamente nessa ordem). Se fôssemos uma sociedade emocionalmente organizada, conseguiríamos não só torrar menos o mundo consumindo por pura ansiedade, como chegaríamos com mais facilidade à tão desejada felicidade – que nada mais é do que o exato momento em que queremos o que temos e temos o que queremos. Ponto. Quem sabe assim, treinados por nós mesmos, conseguiríamos até ser mais estáveis e nos separar menos... Mas, não importa, em separando, a ideia seria sorrir e pensar: agora há alguém que foi treinadinho esperando por mim lá fora! Mas não... preferimos a mesquinhez do medo, a infantilidade do egoísmo e seguimos todos analfabetos emocionais, batendo de um lado a outro. Amando e sofrendo (não necessariamente nessa ordem).

Para seguir: @euliatulias

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Postado em 08.07.2011 | 16:07 | Lia Bock

Salve o amor, por favor!

Salve o amor. Aquele de conchinha e barba na nuca, que pode durar pra  sempre ou só até amanhã. Aquele amor sem medo, sem freio, que ama  e pronto. Salve o amor que a gente dá e pega de volta outra hora, outro dia, com outra pessoa. Aquele aconchego facinho que não posa, não se  esforça, não finge. Salve o amor-próprio, que resolve a vida de muitos, o  amor das amigas, que aguenta, arrasta e levanta. Salve o amor na pista,  que roça, se esfrega, se joga e vai embora. Um amor só pra hoje, sem  pacote pra presente, sem laço ou dedicatória. Salve o primeiro amor, que  rasgou, perfurou, corroeu... ensinou. Salve o amor selvagem, o amor  soltinho, o amor amarradinho. Salve o amor da madrugada, sincero  enquanto dure e infinito posto que é chama. Salve o amor nu, despido de  inverdades e traquitanas eletrônicas. Salve o amor de dois a dez, um amor sem vergonha, sem legenda. Salve o amor eterno, preenchido de  muitos ardores. Salve o amor gigante, mas sem palavras, o rotativo e o  escrito, salve o amor rimado, cego, de quatro. Salve o amor safado, sincero e sincopado, o amor turrão e o encaixado.

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Postado em 01.07.2011 | 15:07 | Lia Bock

Impulsividade, queira, por gentileza, sair deste corpo que não te pertence. Grata

Num mundo em que tudo e todos estão a um clique de... tudo e todos, ser impulsivo perdeu aquela conotação romântica, com cara de propaganda de sabonete. Foi-se o tempo em que entre você e seu ato impulsivo havia um ônibus, a floricultura com sua dona meticulosamente lenta, o cartão em branco, a campainha a ser tocada, uma cara a ser feita para quem abrisse a porta... Hoje, você escreve qualquer palavra, qualquer sacanagem, qualquer informação sigilosa a qualquer hora e pronto, em segundos implica numa coisa que, outrora, talvez, você tivesse desistido antes de completar o ato. Quem nunca escreveu uma carta e não entregou? Quem nunca comprou um presente ousado que acabou esquecido no fundo do guarda-roupa? O mundo 3G acabou com esse drama. Você toma quatro doses de vodka com Red Bull, vai com seu celular para o banheiro e a sua impulsividade voa com rumo certo, mas sem muita certeza, antes mesmo de chegar a sua vez. Maldita DM.

Claro que às vezes o resultado é positivo para ambas as partes. Um empurrãozinho alcoolizado impulsivo pode ajudar muita gente a fazer o que não faria, com quem não imaginaria, num lugar absolutamente fora de mão. Mas, de vez em quando, a vontade de correr atrás daquele sinal portador de palavras representantes de sentimentos que, no fundo (ou nem tão fundo), você não está sentindo é gigante. E quando é uma foto? Ui. Não adianta se arrepender. Depois de clicar “enviar”, meu bem, você já virou refém da sua ânsia e de seus sentimentos rasos. Agora é esperar que a impulsividade alheia calhe com a sua... e que do outro lado haja alguém tão emocionado quanto você com alguma coisa que, de fato, não importa. Principalmente se já tiver passado da uma da manhã...

E se não houver resposta? E se houver um coração onde você só vê sexo? Ah... Isso é impulse.

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Por Lia Bock

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