Revista TPM

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Postado em 25.04.2013 | 17:04 | Lia Bock

Um beijo pra você, mulher brasileira, que chora quando deveria rir e ri quando o corpo todo chora. Um beijo pra você, que se desdobra em duas, em dez e ainda acha que deve estar sempre com um sorriso no rosto. Você, que apoia ferrenhamente a PEC das domésticas, mas sabe que, apesar da capa da Veja, se tem alguém que vai ter que sambar com as novas regras, com certeza não será o ser barbado que dorme ao lado. Um beijo para as que choram no carro, mas, claro, antes de passar o rímel. Pra você, que se mata no trabalho, mas sempre pensando no que a escola vai pensar de uma mãe que nunca busca os filhos na escola. Um beijo pra você, que faz a unha mesmo sabendo que a louça te espera. Pra você, que só quer arrumar um namorado e, quem sabe fazer um filho, mas faz cara de não me toque. Um beijo pra você, mulher brasileira, sempre gorda diante das apresentadoras bulímicas de TV. Você, cuja conta não fecha, mas o corpo não aguenta nem mais um trabalhinho extra. Você, que não sabe cozinhar, mas tenta, só pra se sentir mais completa. Um beijo pra você, que tem dificuldades em dizer não para os filhos, para os chefes, para o dry martini e vive afogada em listas. Você, cujas fotos no Facebook são só alegria e, apesar dos pesares, o sal grosso segue firme atrás da porta. Um beijo pra você, mulher brasileira, que sonha em morar fora, em ter um aumento, em comprar uma casa, em fazer uma pós e em buscar os filhos na escola. Um beijo pra você, que chora seus sonhos e sabe que amanhã estará tudo bem e apagaremos este texto.

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Postado em 03.04.2013 | 17:04 | Lia Bock

That is the FUCKING question   

Eu sou do tipo que usa e abusa da tecnologia a meu favor. Desde antes da existência de redes sociais eu já cutucava os mocinhos. E-mail sempre foi meu jeito predileto, mas antes disso, ainda, eu usava instrumentos diversos – os preferidos sempre foram papel e caneta. Bilhetinhos. Abençoadas sejam as palavras. Diretas e retas. Mas aí veio o cutucar virtual, o seguir, o curtir, o liberar ou não aquela pasta de fotos só pros íntimos, e a coisa foi se sofisticando – no pior sentido dessa palavra, que já é um horror. Curtir as fotos de alguém de madrugada pode significar mil e uma coisas, até que você estava com insônia e resolveu dar uma vasculhada por ali, e só! Mas vai explicar isso pro santo em questão... Cada um vê o que quer, e hoje em dia, cada vez mais, cada um vê o que não quer! As pessoas têm adorado se boicotar vendo somente o lado negro da força. Se o cara não atendeu, é porque tá me evitando – pensar que ele está ocupado, jamais! Se não respondeu minha mensagem, é porque só queria sexo e já deve estar com outra – pensar que a telefonia é uma merda e talvez ele não tenha recebido, pra quê? Se podemos sofrer a dor da perda antes mesmo te ter alguma coisa.
    Esse é o ponto. A tecnologia se aprimorou tanto que invadir a vida de alguém ficou fácil demais. Tem uma galera curtindo estorvar os outros antes mesmo de saber que gosto a pessoa tem. DRs inteiras antes de conhecer o umbigo. Por quê? Porque a tecnologia abriu a nossa vida antes mesmo de abrirmos as pernas. Você posta uma foto e neguinho já acha que tem mensagem subliminar pra ele. “Alô?? Mas eu nem te conheço!” É muito melindre virtual pra pouca intimidade carnal. Ou, simplificando, é muita curtida pra pouco sexo. O pior é se pegar tentando prever as nuances dessas relações inexistentes: “Gosto tanto das fotos dele, mas não costumo curtir porque tenho medo que ele me interprete mal”. Gente!! Dá pra tomar uma Kaiser, antes?

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Postado em 15.03.2013 | 16:03 | Lia Bock

As mulheres são muito imprevisíveis - quer dizer, da porta da igreja pra fora, porque quando o assunto é casamento... a mesmice reina!

"Você vai casar!?! Você quer dizer casar, CASAR ou morar junto?

Vestido branco não! Pelo amor de deus! Por que as mulheres têm que todas casar de vestido branco?

Igreja?? Mas, menina... a última vez que você entrou na igreja foi no seu batizado... Tem certeza disso?
 
Pensa: prova de vestido, dieta, seu pai, tia Jandira, minha mãe, toda a turma de Ubatuba, o pessoal do colégio, Havaianas, fotinho no telão, o bolo com aqueles noivinhos metidos a modernos, o fotógrafo perseguindo, enfeites, bem-casados... Pra quê? Pra comemorar com o mundo sua linda união? Pode ter certeza que vai ter gente colocando olho gordo! Pior pra vocês...

Fora que a sua mãe vai se meter... Ah, vai... porque quem paga se mete, né, amiga?!

Não desistiu?

Será que podemos ao menos proibir o DJ de tocar “YMCA”? Aqueles adereços da 25 de Março a gente também pode cortar, né? Não?! Hum... você gosta dos óculos... sei...

Madrinha? De jeito nenhum! Já serei madrinha de sete casamentos. Deu a cota. Não, não, não! Nem por você, amore... “Eu sou essencial...” Gente... Vocês, noivas, fazem tudo igual e ainda usam o mesmo discurso! Uma loucura isso...

E, olha, anota aí, marca para o segundo final de semana de dezembro, até lá tá tudo lotado na minha agenda. Sério, menina... não tenho como desmarcar, é tudo casamento (bem-casado, Havaianas, bolo com noivinhos metidos a modernos, “YMCA”...). 

Aliás, faz a lista na Camicado? Tenho um cartão fidelidade lá e to quase completando – o segundo!

Não, querida, não é inveja... É indignação mesmo... É que... É que... Eu achei que com você ia ser diferente. Ah, “vai ser diferente”. Sei.

Outra ideia? Eu tenho mil ideias: vocês dois numa viagem incrível pela Costa Amalfitana? Juras de amor à beira do Mediterrâneo? Hem? Comprar um chalezinho no litoral norte e passar o resto da vida se amando à beira-mar? Deve custar o mesmo que o casório..."

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Postado em 28.02.2013 | 16:02 | Lia Bock

Palavras que poderiam ser ditas, mas ficam guardadas, entaladas ou escondidas atrás do caso com uma mina qualquer

    Bom dia, Dadica,


    Minha alma está doendo por começar esta carta, mas vamos lá. Eu deveria ter te dito tudo ontem, mas as palavras não saíram. Quando olho pra você minha garganta fecha. De alguma forma acho que isso é amor... Talvez um pouco de medo também. Mas a verdade é que não dá mais pra mim. Essa casa... sua cara de quem está precisando muito mais do que posso dar... nosso sexo que só sai depois de nos destruirmos com palavras e agressões cada vez mais profundas... Não estamos indo pra lugar nenhum e sonhamos com lugares muito diferentes. Você quer um filho. Eu quero uma garrafa de Jack Daniel´s. Você quer Índia. Eu quero Berlim. Já não caminhamos mais lado a lado e tenho cada vez mais certeza de que o que nos mantém juntos é o medo de estarmos separados e não mais a real vontade de estar junto. Há amor (sei que há), mas não é ele que me comove. Olho nossas fotos e morro de saudade do que fomos. Morro também de tristeza por perceber que não somos mais.
    Eu sei que você vai chorar e que esta carta vai te devastar. A mim também, tenha certeza. Sei que você vai me achar covarde por não conseguir falar... Mas este sou eu. O mesmo cara que não conseguiu dizer que te queria há seis anos. Por algum motivo quando olho pra você minhas palavras somem. Sua beleza segura, o ar levemente triste que te acompanha, teu sorriso revelador... tudo isso me cala. Me calou lá atrás quando todo meu corpo te queria e me cala agora quando este mesmo corpo deseja partir. Sei que você está tentando não ver o quanto somos uma fruta passada que por algum fenômeno da natureza não caiu do pé. Mas estamos podres, Amanda. Estamos tristes. E não é um filho que vai mudar isso, nem a ioga na Índia, nem a tal terapia de casal... Estamos esperando que um milagre aconteça, mas não atentamos para o fato de que não acreditamos em milagres.
    Não vou ao futebol. Nos vemos aqui à noite pra conversar.
    Estou tomando coragem.
    Cortei mamão. Tá na geladeira.

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Postado em 15.02.2013 | 23:02 | Lia Bock

Centro de Valorização da Vida

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Liga pra mim, pro CVV, pra puta-que-pariu, mas você não liga pra esse cafajeste!!

Me escuta. Sério! Liga pra mim, liga pro finado Otávio, pra aquele Juca meio bobão que te adora. Você liga pro CVV, faz um random no celular, liga pra NET, pra puta-que-pariu, mas você não liga pra esse cafajeste, tá entendido?? Promete? E olha... se você por ventura vier a cometer a insanidade de sair com esse sanguessuga novamente, não me conta, por favor! Mente. Mas mente direito pra eu nem desconfiar... Tá?

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//Eu lia tu lias

Por Lia Bock

Um blog para quem desliga o celular, chora no banho e rói as unhas

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