Revista TPM

Blog Eu lia tu lias

Sobre amores e ex-maridos

Uma declaração de amor ao que fomos, mas principalmente, ao que nos tornamos depois da separação
12.06.2015 | 18:06 | Lia Bock

O vestido (lindo de morrer). O álbum (repleto de amor e alegria). A lingerie, o vídeo, os cartões amadíssimos que vieram nos presentes. O anel (ah, o anel!) e o sapato que só veste pé de noiva... A caixa de fotos extras, que não couberam no álbum. Resquício de nós dois que vagam de fundo de armário a fundo de gaveta e deixam aquela eterna dúvida: peso ou herança? É peso quando, de amor novo, é preciso conviver com o fato de que agora (e nem nunca mais) vou fazer uma festa de casamento. É herança quando, de coração partido queremos ver aquele sorriso ingênuo e plenamente feliz que um dia habitou nosso rosto. É peso quando mofa e é preciso uma dedicação extra para a devida limpeza ou quando nasce uma criança e toda e qualquer gaveta é disputada a tapa. É herança quando vamos lá ver a carinha de alguém que já não está mais entre nós.

É trambolho e é também memória, depende do dia. Mas é história. É o filho que não tivemos, os anos que juramos passar juntos e não conseguimos. É a prova de que existe amor em SP. É o sorriso da vitória, não a dos que foram felizes para sempre, mas a dos que conseguiram não se odiar na separação. Cacarecos que preenchem nossa linha do tempo offline nos lembrando que o importante é amar e não necessariamente celebrar, fotografar ou postar esse amor.É a prova de que envelhecemos e com isso, evoluímos.Todo aquele circo, toda aquela euforia (linda) é o fio que nos conduz auma ingenuidade que, talvez, tenhamos perdido ou socado no fundo alguma gaveta qualquer.

Sim, isto é uma declaração de amor ao que fomos, mas também ao que nos tornamos. É uma declaração de amor para o ex, mas, principalmente, para nossos amores de hoje que, “com sabor de fruta mordida”, já não precisamos alardear pra ninguém.

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Me manda pra PQP, mas não me diz pra pisar em ovos!

Se é pra pisar em ovos, que seja sentindo o perfurar das cascas em nossas solas, amém.
29.04.2015 | 20:04 | Lia Bock

Ah, arte de pisar em ovos. Você toma todo cuidado do mundo, mede as palavras, engole o choro, reescreve a mensagem duzentas vezes – todo cuidado é pouco. Rói as unhas, come a bochecha, mas não diz o que gostaria. Dorme mal, acorda mal, dirige mal, mas não manda aquele e-mail entalado na garganta. Você sorri e aceita, quando queria mesmo é negar e berrar umas verdades. Entra no carro e chora, sai do trabalho e chora, dá uma garfada e chora lágrimas com conteúdo pulsante e nunca dito. São ovos inteiros nos quais pisamos com muita parcimônia. Ovos intactos sem nem uma fissura se quer, todos encalacrados no peito ou em algum lugar entre o esôfago e o palato. Pra quê? Pra não ferir ninguém? Para não fazer feio ou não ficar mal visto?

Pisar em ovos é pisar em si mesmo. Se há cascas em baixo de nossos pés, pisemos firme, certeiro, sentindo o estilhaçar que nos livra de uma úlcera póstuma. Se é pra pisar em ovos, que seja sentindo o perfurar das cascas em nossas solas e a explosão que meleca e liberta.

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Toda trabalhada no peso na consciência!

Da onde vem essa imensa necessidade de fazer o que não devemos? E porque raios achamos que não devemos se sabemos que vamos fazer?
17.03.2015 | 19:03 | Lia Bock

Camila Fudissaku: aguatonica.me

Sim, sabemos que é errado. Não, não conseguimos (podemos, queremos) deixar de fazer. Mas por que? Da onde vem essa imensa necessidade de fazer o que não devemos? E porque raios achamos que não devemos se sabemos que vamos fazer?? A desculpa que o proibido tem um gostinho especial colava na adolescência, hoje, alguns proibidos salivam a mais pura burrice mesmo. E torna a chorar no banho, torna a marcar uma seção de confissão com a melhor amiga, torna a jurar que daqui pra frente vai ser diferente. E enquanto isso a consciência vai sendo moldada – pra não dizer picotada. Retalhos do que acreditamos e fazemos (nesta ordem) viram bastiões de algo que queremos ser. Mentimos pra nós mesmos tentando permanecer em pé diante do espelho. “Nunca se repetirá!”. Sei.

Não sabe do que eu tô falando? Meus sinceros parabéns! A maioria de nós vive equilibrando os pratos entre o que acreditamos e o que conseguimos, de fato, fazer. Das pequenas coisas às grandes causas, ninguém está a salvo do maldito arrependimento. Que por certo, não mata, mas pode fazer um estrago danado. 

Categoria peso-pena:

* Fingir que não recebeu uma mensagem
* Dizer “to chegando!”, quando se está, na verdade, saindo
* Dizer “meu filho come superbem, só hoje é que tá encrespando”
* Odiar alguém só porque não teve a paquera correspondida
* Recorrer a velha e boa enxaqueca e... partir pra outra balada
* Responder que conhece, sim, uma coisa enquanto dá um google express pra descobrir o que é
* Chorar porque não aguenta mais chorar
* Beber e postar

 

Categoria peso-mosca:

* Desmarcar um encontro com a justificativa de que “tô atolada de trabalho” e sair com outra pessoa
* Fugir mesmo tendo dito que já voltava
* Apresentar um boy pra amiga mas omitir que já teve um lance com ele
* Abaixar ou se esconder para não ser vista por fulano
* Fazer uma dieta para perder três quilos que só você vê
* Concordar com alguém que você detesta
* Aproveitar a bebedeira pra dizer o que pensa
* Gastar uma grana em produtos de beleza que juram a juventude eterna
* Ceder àquele pedido: “depila tudo, vai?!”
* Perguntar: “no que você tá pensando?”
* Testar o poder de sedução e... vazar.


Categoria peso-médio:

* Mandar um e-mail cobrando atenção de alguém com quem você saiu poucas vezes
* Dizer umas boas verdades pro ex da amiga mesmo sabendo que eles vão voltar
* Sentar numa privada imunda
* Contar o segredo de alguém para um terceiro e emendar: “mas não conta pra ninguém!”
* Beber a quarta (a quinta, sexta) dose
* Fazer algo por amor e depois jogar na cara como um grande feito
* Odiar a mãe quando ela vem ditar suas regras

 

Categoria peso-pesado:

* Beber e dirigir
* Desencanar da camisinha
* Digitar ao volante
* Exigir monogamia sabendo que não vai cumprir
* Assinar algo sem ler
* Desistir do casamento, mas, mesmo assim, marcar a data
* Pedir pra empregada chegar antes das 8h para colocar a mesa do café da manhã
* Desejar matar as lindas
* Bradar contra o Faustão e assistir a dança dos famosos

 

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Não seja um cuzão!

''The opposite to a feminist is an arsehole'', Sarah Maple.
06.03.2015 | 20:03 | Lia Bock

Sarah Maple é uma artista britânica de 30 anos.Filha de mãe iraniana muçulmana e de pai inglês, ela costuma usar sua arte para denunciar os abusos do mundo machista. Quer mais: sarahmaple.com por um mundo com menos cuzões!

Sarah Maple

Sarah Maple por Sarah Maple

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Elas não usam sutiã, e daí?

Nem todas conseguem. Mas nenhuma se arrepende!
26.02.2015 | 00:02 | Lia Bock

   Kate Moss <3

Kate Moss <3

Apesar da overdose de silicones e dos bojos afins, elas estão por toda parte. Insistem em exibir seus minipeitos mirando o céu sob tecidos leves. Ostentam a marquinha do biquíni em tomara-que-caias indecentes e frente-únicas escandalosas. Biquinhos, contornos, uma pinta mais saliente está tudo à mostra desafiando o pudor da sociedade. Sim, elas não usam sutiã, e daí?

   Nasceram com seios diminutos e em vez de se renderem a 250 ml de prótese ou camadas do mais moderno bojo desenvolvido pela Nasa, optaram por deixar os seus peitinhos gritarem na cara dos recalcados. Pais zelosos e seres indignados no geral: Peitinho sem sutiã é vida. Peitinho sem sutiã é amor! 

   Nem todas (acham que) podem. Só algumas conseguem. Mas nenhuma se arrepende. Libertar os seios é um exercício de desapego. Desapego do ferro, desapego do aperto, desapego do que os outros vão pensar. E depois, diante de alguns olhares espantados, se torna um exercício de poder. Porque, sim, o biquinho choca. Duas bolas duras e de formato padrão saltando de forma desproporcional de um corpinho esmirrado é normal. Um sutiã recheado de gel que precisa ser transportado numa embalagem especial na mala de viagem é básico. E peitinho balançando é falta de vergonha na cara? Peitinho sem sutiã é leveza, liberdade, independência. Peitinho balançando é 0% silicone e 100% humanidade da veia.
Vem! Deixa o bojo em cada e saia vestida de si mesma!

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Um blog para quem desliga o celular, chora no banho e rói as unhas

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