Revista TPM

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Postado em 16.04.2014 | 15:04 | Lia Bock

Ninguém melhor do que nós mesmos para saber nosso próprio valor. “Levante a cabeça” e “se dê ao respeito” são frases que ouvimos com frequência de nós e dos nossos. Mas nem sempre a vida e os astros colaboram e uma hora chega aquele momento em que entramos em promoção. Olhamos no espelho e, enquanto passamos o rímel, pensamos que por ora vamos baixar o nível, vamos mesmo apelar. No dia em que carimbamos a black friday na alma vale dar corda a qualquer um que apresente o mínimo para iniciar uma nova paquera. No dia em que pop-ups de desconto só faltam pular da nossa boca, dá para desenterrar aquele barbudinho esquisito que te “cutucou” (ui) há uns meses atrás. Na promoção a gente toma catuaba, releva tatuagens bizarras e aceita indicação (suspeita) de amiga – aquele bofe que com ela não colou, mas com você, quem sabe... Vale tudo para fazer o mundo girar e encontrar novos problemas. Quer dizer, quase tudo, só não vale contar pra esse mesmo mundo que estamos cobrindo qualquer oferta. Da boca pra fora segue valendo a máxima da feira “mulher bonita não paga mas também não leva”. Faz figa e simbora pra pista.
Diz a lenda que basta algo entrar em promoção para os seres humanos se engalfinharem, certo? Como tem dias em que o que a gente mais precisa é fila na porta, bora baixar o preço, a guarda e a vergonha na cara.

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Postado em 05.04.2014 | 20:04 | Lia Bock

Eu menti. Não era verdade que o que fosse melhor pra você seria melhor pra mim também. Você faz falta e eu te quero de volta. O aconchego do seu abraço, o cheiro do teu tempero pela casa e a tua capacidade de ver sempre o lado bom. Espio você de longe, disfarço a voz quando vez ou outra no topamos pelo telefone. No meu sonho você partiria pra brilhar por outras bandas e eu seguiria igualmente brilhante por aqui. Mas no virar do calendário está tudo bem mais opaco.

Claro que eu penso em largar tudo e me desbarrancar ao seu encontro. Mas pra que? Parcas noites não fariam com que você voltasse pra minha cozinha, pro meu tatame, pra uma terça-feira qualquer. Tô de ombros caídos e depilação por fazer. Tô com aquela roupa que você detesta. Do alto do meu egoísmo só penso que algo poderia acontecer pra você despencar na minha vida de vez. Leio a Susan Miller torcendo para que esteja ali o seu retorno triunfante.

Lembra de quando te pedi em casamento ao pé do ouvido? Voltei aquela foto do nosso abraço pra geladeira.

Tentei viver sem você, juro. Depois tentei fingir que era possível viver sem você, mas também falhei. Hoje choro sua partida num egoísmo terrível me perguntando, “onde foi que eu errei?”, como se tudo dependesse apenas de mim.

Amanhã fará sol e estarei melhor, tenha certeza. Mas hoje, de cabeça baixa e boca fechada só o que posso dizer é “volta amiga!”, tá duro assistir o passar dos domingos, dos filhos e dos vinhos com essa distância toda.

 

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Postado em 03.02.2014 | 17:02 | Lia Bock

Enumerei 10 dicas pra você sair do zero a zero sem causar estragos aos corações alheios ou à sua própria imagem, beijo.

1) Nunca, jamais, use expressões de boteco – tipo zero a zero – com uma pessoa que ocasionalmente possa vir a fazer parte do seu jogo. Todo mundo diz “preciso trepar” e frases secas que nem sempre tem sofisticação e pompa (não? Não diz? Pois deveria), mas não precisa fazer isso o tempo todo e, principalmente, não na frente de quem não é muito (muito!) “brother.”

2) Lembre que a verdade liberta. Assumir as suas intenções é melhor que inventar cantadas rocambolescas que dêem falsas esperanças a moças que estão sonhando com o altar.

3) Os manuais “ensinam” a paquerar na farmácia, no trânsito, no supermercado; e até dá pra dar uma ciscada em ambientes inóspitos, mas, peloamordedeus, perca um dedo, mas não perca o bom senso!

4) A moça está dando corda? Sorriu, se aproximou, se interessou pelo papo? Ótimo, mas isso não significa que ela vai dar pra você. Sabe aquele mantra feminino: “minha saia curta não tem nada a ver com você”? vale também aqui. De um bom papo até uma boa trepada há pelo menos uns três mundos.

5) Pague um drinque e sugira mover a conversa de ambiente – use qualquer desculpa, ir pra um lugar mais fresco, sair de perto do som, ver o por do sol –  essas coisas ajudam a mostrar que você quer mais do que um bom papo.  Se a moça não estiver a fim, por certo deverá negar. Quando o objetivo é sexo, melhor não ficar com muito nhenhenhém. Se ela não quer, melhor saber logo.

6) Sejamos sinceros: quando o que você almeja é sexo vale (e muito) se interessar pelas moças que se interessam por você. Se isso é difícil, meus pêsames. É muito azar ser do tipo que “não frequenta clubes que te aceitam como sócio”.

7) Ansiedade, se não mata, ao menos causa grandes males psicológicos e também sociais. Se os astros não estão conspirando a seu favor, respire fundo. Não existem registros de pessoas que tenham morrido por falta de sexo. Uma nova amiga, um telefone ou o Facebook de uma gata são passos importantes nesse jogo. Tenha fé.

8) Nunca esqueça das preliminares e das “pós-liminares” (servir algo pra comer, não mandar embora, ser gentil... o básico da civilidade). A trepadinha de hoje pode garantir a de amanhã.

9) Resista. Não ligue para a ex. Não que isso seja proibido, mas deixe para falar com a ex-futura-alguma-coisa da sua vida quando você estiver, digamos... mais aliviado. Ex-mulher saca no timbre da voz a diferença entre saudade e necessidade.

10) Não leve essa (assim como qualquer outra) lista de dicas a sério demais.

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Postado em 14.01.2014 | 17:01 | Lia Bock

Ilustração: Camila Fudissaku @agua_tonica

Faz cara de bom moço, bom marido, mas não tem uma foto da mulher nas redes sociais. Diz que é muita invasão.

Faz cara de apaixonado, mas vive de papinho com gatas no café. Diz que é trabalho.

Paga de fiel, mas paquera na cara dura quando passa da meia noite no bar. Diz que o casamento tá em crise.

Se apaixona na noite (no trabalho, no reencontro da escola, na reunião de pais), mas não consegue deixar a mulher. Diz que é amor.

Compra flores, pede em namoro, mas na semana seguinte já tem cacho novo pendurado no whatsapp. Diz que é do jogo.

Faz pose de solteiro, conta história da ex, mas em julho já pagou o réveillon pra dois. Diz que é incompreendido.

Apanha da mulher e corre pra o consolo da amante.

Apanha da amante e jura que seu lugar é ao lado da mulher.

Querido bom moço de qualquer tipo ou pedigree, deus tá vendo e nós também!

 

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Postado em 19.12.2013 | 23:12 | Lia Bock

  

É na hora da partilha que diferenciamos os crápulas e peneiramos a humanidade

   Todo amor se dissolve na hora da partilha dos bens. Mesmo quando são poucos ou quase nenhum.Vale arrancar o ar-condicionado da parede. Levar o chuveiro e todo aquele jogo de toalhas que compramos juntos na promoção. Vale pedir pensão pelos filhos que não tivemos ou pedir de volta o celular e o carro, velho, que te ajudei a pagar. Na hora que o amor acaba, acabam também o bom senso, a ética e o senso do ridículo. Não duvide se o disco do Pixinguinha também virar motivo de picuinha.
   Há quem vá com jeitinho, “sei que fui eu quem te dei a luminária, mas ela combina bem mais comigo”. Há quem avise de um jeito manso, mas leve sem perguntar, “peguei a penteadeira. Sei que foi da sua avó, mas você nunca fez muita questão mesmo”, dizia o bilhete. E há (sempre há) quem vá com o pé no peito, “eu paguei 30% dessa TV, quero minha parte”. Humanos.
   Coração e nervos à parte, coisinhas e nem tão coisinhas vão virando motivo de discórdia e aí exercemos, sem juízo de gênero, nosso lado mais materialista, mais feio. Pegar de volta o que demos é horroroso, é mais que baixo. Quebrar tudo em nome do ódio também não fica muito atrás. Destruímos o material quando não conseguimos extirpar o sentimental. Viramos (alguns de nós, claro, não todos) seres horrendos, o mamífero mais possessivo. E em nome de quê? Algumas baixelas e taças? Santa humanidade! Vergonha alheia em sua potência máxima.
   E o amor? Perdido no meio de tanta sujeira inverte a célebre frase de um antigo Chico: “Fique com o disco do Pixinguinha, sim, o resto é meu!”.

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Por Lia Bock

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