Mas essas não são as minhas únicas facetas. De uns tempos para cá, me aventurei, por livre e espontânea pressão, no mundo mágico da reportagem televisiva do terceiro setor. Enfiaram um microfone na minha (opa!) mão, me mandaram arrumar os cabelos e ligaram uma câmera bem na minha frente:
- Aja com naturalidade.
Logo eu, que sempre me escondi atrás de um guardanapo quando me deparava com a equipe de filmagem em casamentos. Porque, convenhamos, agir com naturalidade diante de uma câmera é o mesmo que sair de mãos dadas com um palhaço na Avenida Paulista e fingir que nada está acontecendo (e eu já saí com vários, mas não vem ao caso).
Como se não bastasse olhar para a câmera e conversar com ela como se fosse um amigo no boteco, é preciso decorar o texto que vai dizer e a minha memória está ocupada desde o tempo em que decorei todas as falas do Chaves e do Chapolim porque o Senhor Silvio Santos repetia os mesmos episódios a semana inteira.
- Decore o texto, olhe para a câmera, não ria e venha andando de lá para cá, enquanto fala. Mas ande só até essa folhinha, porque senão você sai da câmera. Só que não pode olhar para o chão para ver a folhinha.
Decorar, falar, olhar, não rir e ANDAR, tudo ao mesmo tempo! Ah, e respirar, porque Deus quis assim.
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Aí, quando você acha que não há constrangimento maior, você é informada de que terá de fazer tudo isso no centro da Praia Grande, aquele balneário fantástico no coração do litoral sul paulistano, repleto de gente bonita e a paquera rolando solta.
De preferência, na frente das Casas Bahia porque os assuntos da reportagem são falta de grana e planejamento orçamentário. E dá tudo certo, exceto pelo camarão que você comeu no fim da noite.
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Ontem, o pessoal da edição de vídeo capturou um erro meu e em seguida transformou a minha careta em uma vinheta da MGM. Valeu mais do que o salário.
































