- Fala com o meu pé!
No sábado eu descobri o que eu já sabia: todo juiz é ladrão. Melhor explicar para não ser processada pela Associação dos Magistrados do Brasil: todo árbitro é ladrão. Bom, agora me fodi com o Sindicato dos Árbitros Brasileiros, né? Ai, gente. Esta coisa de tomar cuidado com as palavras é muito difícil. Então tá: todo árbitro, exceto os honestos, é ladrão. E se você um dia pensou em colocar um apito na boca, seja para marcar uma falta ou organizar o trânsito, procure um terapeuta mais próximo.
Sábado foi o dia do campeonato de Kung Fu. Eu, com meus dois pés esquerdos, mas com a agressividade impecável, escolhi competir no que é chamado de combate semi-contato. Um tipo de estupra, mas não mata; fuma, mas não traga. Pode bater, só que com carinho.
Quatro meninas lutavam na minha categoria: eu, uma que é uma promessa olímpica, outra que é um desastre colossal e outra que eu nunca tinha visto nem na feira do Extra. Mas, considerando que eu não sou nem uma promessa olímpica e nem um desastre colossal, a medalha de bronze parecia ser o objetivo mais fácil.
Quando olhei a programação e vi a minha chave na parede, até sonhei com a medalha de prata. A minha primeira luta era com a desastre colossal e, passando por ela, pegaria, muito provavelmente, a promessa olímpica. Seria minha primeira medalha de verdade e se até a filha da Maurren Maggi queria a prata o Lucas também ficaria feliz.
Para encurtar a história, perdi as duas lutas que fiz. De quatro lugares, fiquei em quarto. Não ganhei nem a medalha de isopor. Nem a medalha de nuvem. Mas perdi, adivinha só, por excesso de força. O árbitro interpretou que até quando eu apanhava, eu batia. Na primeira luta com a desastre colossal eu levei um aviso, duas advertências e cometi uma falta por pisar fora do tatame. Na segunda luta com a pessoa que eu nunca tinha visto nem na feira do Extra, tomei duas advertências e mais uma eu seria desclassificada. Por muito pouco eu não perdi o espírito esportivo e meti-lhe um chute no fiofó a la Diego Souza.
Enfim, minha dignidade ficou esmigalhada. Eu perdi (e perdi feio) para a Susan Boyle da minha academia. E a culpa é sempre do juiz!
































