
Antonio Brasiliano
Bruna e Sarah, do Femen Brasil
No Tête-à-Tête sobre Política, as convidadas foram a jornalista Cristiana Lôbo, do Globonews, Sara Winter e Bruna Themis, ativistas do Femen Brasil. Leia aqui os melhores momentos:
Brasil
Cristiana Lobo: "Quando eu entrei no Globo, a pauta do Brasil era outra: era reabertura política e a volta dos exilados. Naquele tempo, alguma coisa de meio ambiente já se falava, mas ainda era muito incipiente. Havia essa cobertura mas não havia espaço para falar de questões femininas."
"Quando tem inflação em um país, não se enxerga mais nada. Sem comer não dá pra discutir direitos individuais, a questão feminina e nem nada."
"A presença da Marina Silva na campanha incluiu a pauta meio ambiente no debate das eleições. Hoje isso também está na pauta das eleições municipais. A questão ambiental é ainda mais importante hoje entre a juventude. Essa questão está vindo sozinha e entrou na pauta do Brasil vindo de baixo para cima."
Femen
Sara Winter: "Meu primeiro contato com o Femen foi em outubro do ano passado e veio através da mídia. Eu entrei em contato com as meninas da Ucrânia. Como o Brasil e a Ucrânia têm altos índices de turismo e violência sexual, eu imaginei que isso fosse acontecer rapidamente por aqui. Mas isso não aconteceu. Então eu fui pra Ucrânia para saber mais e acabei virando a representante brasileira do movimento."
"O topless transforma o nosso corpo em uma arma de guerra. É uma provocação para mostrar que a mulher não será mais dominada. E a gente protesta de uma forma séria e agressiva. Nunca de forma sensual."
"Eu fui presa duas vezes na Ucrânia. Lá a polícia é bastante agressiva. E como a gente estava protestando contra a Eurocopa, eles vieram pesado pra cima da gente. Até agora eu tenho dores de tanto que a gente apanhou lá."
"A sociedade brasileira é muito acomodada. Aqui ninguém quer correr atrás e resolver o problema. Por isso que eu digo: denuncie qualquer violência que for."
Bruna Themis: "O Femen quer gritar: 'Eu mando no meu corpo, não você'"
"O que a gente busca é acabar com o turismo sexual e com todo tipo de exploração sexual. Esse é o nosso prazer."
Parto em casa
Sarah: "Ter o filho em casa não é uma questão de risco ou não, mas sim de liberdade"
Bruna: "Depois do primeiro protesto, saiu no Rio uma liminar favorável dizendo que as mulheres podiam sim fazer partos em casa com acompanhamento médico. Claro que isso não foi só por causa do Femen, mas depois desses protestos sentimos que havia uma demanda para nossas causas."
Aborto
Cristiana: "A legalização do aborto é a mais difícil atualmente. A sociedade segue muito conservadora em relação a isso, ainda mais no congresso. Hoje os candidatos acabam sendo forçados a nem permitir uma discussão da questão."
"Os projetos mais interessantes que foram votados nos últimos anos vieram de iniciativas populares, como a Lei da Ficha Limpa. Se um movimento como o Femen consegue atrair atenção para essa questão da mulher, pode ser que ele consiga também levar essa discussão para a pauta do legislativo"
"Eu não faria um aborto. Eu não conseguiria. Mas é fácil você falar quando a situação é dos outros. O direito de escolher sim, eu sou a favor que as pessoas tenham essa escolha."





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