Um spa em casa
O spa caseiro da Alice: sessão de massagem e banho de ofurô
Por Renata Leão
Minha filha Alice faz cinco meses amanhã. E, desde seus 15 dias de vida, um momento mágico acontece entre a gente todos os dias: a massagem que eu faço nela. Shantala é o nome da técnica, uma tradição milenar indiana de massagens para bebês, divulgada no Ocidente em 1976 pelo médico francês Frédérick Leboyer (aquele do parto na água). Meu professor de ioga me incentivou a fazê-la e me deu uns toques. A técnica, aprendi no livro, e a prática, a própria Alice me ensinou, olhando com seus olhinhos dentro dos meus. A primeira vez que a coloquei sobre minhas pernas, nós duas sobre um tapetinho esticado no chão, olhei aquele serzinho minúsculo e pensei: “Ai, ai, ai, e se eu quebrá-la ao meio?”. Mas respirei fundo e procurei relaxar os ombros como o livro, aberto ali ao lado, ensina. Mãos devidamente besuntadas de óleo de camomila morno, segui a seqüência sugerida: peito, ombros, braços, mãos, barriga, pernas, pés. Ela me olhava, às vezes reclamava, às vezes relaxava. Segui: costas, bundinha, rosto. Por fim, um pouco de ioga (que ela já estava acostumada, pois pratiquei até dois dias antes do parto): abre e fecha braços; um braço encontra um pé, outro braço encontra outro pé; e a simulação da padmasana, ou postura do lótus. Nas primeiras vezes, confesso, fiquei tensa. Mas, depois da décima sessão, ela passou a relaxar e a virar os olhinhos de prazer enquanto sentia meus toques.
Depois da massagem, ofurô
Mais que a massagem propriamente dita, o objetivo da Shantala é fortalecer o vínculo entre mãe e filho. Justamente por isso, deve ser feita somente pela mãe. “Os bebês que recebem essa massagem desde pequenos são mais calmos e felizes. Seu vínculo com a mãe é fortalecido para o resto da vida”, garante minha amiga Meeta Ravindra, indiana radicada no Brasil há mais de 30 anos (http://meetaravindra.tripod.com/) que me deu muita consultoria sobre a Shantala. De dois meses de idade pra cá, a Alice se acostumou de tal maneira à massagem que todos os dias, no horário do banho, começa a se remexer como quem diz: “E aí, mãe, cadê minha massagem?”. Hoje, se estica toda sobre as minhas pernas, continua me olhando profundamente, e ri muito a cada um dos movimentos. Não teve uma cólica sequer, dorme feito um anjo e é supertranqüila. E, de fato, a troca que ocorre durante a massagem entre a gente é indescritível. Eu me sinto mãe e ela, sem dúvida, uma filha que recebe carinho, cuidado e presença. Se você espera um bebê ou pretende um dia ser mãe, não deixe de se aventurar com esses apertos deliciosos em seu pimpolho. No começo você pensa que não vai conseguir, mas depois tira de letra e esse passa a ser o melhor momento do dia. Se preferir, procure alguém que possa te ensinar, como a terapeuta corporal Veena Mukti. Como o Leboyer ensina, a água finaliza o trabalho, relaxando ainda mais o bebê. E a Alice, desde o parto, toma banho em seu superbaldinho que eu chamo de ofurô, o Tummy Tub, que lembra o útero da mãe, fazendo com que o bebê se sinta mais protegido do que nas banheiras convencionais (www.tummytub.com.br). Pra finalizar, as sábias palavras do Leboyer: “É necessário conversar com a pele do bebê. Falar com suas costas, que têm sede e fome como sua barriga. Nos países que preservaram o profundo sentido das coisas, as mulheres ainda se recordam disso tudo. Aprenderam com suas mães e ensinarão às suas filhas essa arte profunda, simples e antiga, que ajuda a criança a aceitar o mundo e a sorrir para a vida”.
* Veena Mukti, terapeuta corporal especialista em ayurveda, dá um curso de Shantala no próximo sábado (17/05/08) em sua escola na Granja Viana, em São Paulo. Pra saber mais, clique em www.veenamukti.com ou ligue para (11) 4159-6888
Vai lá: Shantala, uma Arte Tradicional de Massagem para Bebês, de Frédérick Leboyer (Ed. Ground), R$ 45,




