Tempo para tudo

Ricardo fala bastante. Mas nem uma piadinha, nem uma história pitoresca para contar, nem uma fofoquinha. Nada. Ele é mesmo um gajo filosófico. Nasceu em Lisboa, há 29 anos. “Venho de uma família numerosa. Só de primos diretos são 20 e poucos. Uma família normal, grande, feliz.” Aos 15 anos, começou a trabalhar como modelo, empurrado pela mãe, gerente de uma rede de lojas e ex-fotógrafa. Ricardo rodou. Trabalhou em Milão, Paris, Barcelona, Frankfurt, Londres. E caiu nas graças de fotógrafos como Mario Testino. Arrasou. “Foi bacana porque me deu uma abertura de cabeça. Portugal é um lugar que, quando se quer alcançar mais, tem que sair de lá para evoluir. O país que você nasce é o grande amor da sua vida. Mas viajar é bom para o aprendizado humano.”

A estréia no teatro infantil aconteceu aos 18 anos. “Meu primeiro contato com a profissão de ator foi numa oficina do grupo da escola. Pensei: ‘Quero fazer isso’.” De lá para cá, atuou em várias produções portuguesas. E, em 2002, fez um teste para uma novela brasileira, Esperança. Não foi escolhido, mas ficou na gaveta.“ Em 2004, fui chamado para ser o primeiro protagonista estrangeiro de uma novela brasileira, Como uma Onda. A partir do momento que botei os pés aqui, amei o Brasil, o Rio de Janeiro. Estou na quarta novela. Fiz um filme. Tenho aqui um mercado que é um sonho, que fala a minha língua. E continuo trabalhando na Europa, modelando. Não desgasto a imagem aqui, nem lá.”

Ricardo quer ficar mais tempo por aqui. E a gente vai poder continuar apreciando a paisagem. Mas confesso: uma hora de papo depois, eu já me cansei de praticar a contemplação. Arrisco três últimas perguntinhas mais insinuantes e levo na cara. Com o sotaque disfarçado, o português está bem encaixadinho na rua Dias Ferreira, onde celebridades saracoteiam lindas e não falam de vida pessoal.

Você é conquistador? O que você faz quando quer uma mulher?
O olhar é uma forma subjetiva e sincera de conquistar. Depois do olhar, se mexer muito, vou intuitivamente. Você faz qualquer coisa. Pode passar, puxar um papo. Eu não faço muito. Eu tive tempo para tudo na vida. Curti, namorei bastante, tive experiências curtas, outras longas. Experimentei muita coisa no amor para perceber o que quero e o que não quero. Acho que as pessoas não podem viver infelizes.

Qual foi a sua maior transgressão?
Tem momentos que fazem parte da nossa intimidade. Eu preciso da fronteira entre o que é público e o que é privado. É o segredo para manter o equilíbrio. Não posso sair de casa e todo mundo saber da minha vida. Sou muito sincero. Tenho uma educação que a minha família me deu. Sou formado como ser humano. Eu sou assim.

Você está namorando?
Estou.

Então, tá. A gente só quer mesmo apreciar.

 

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