Caras, bocas, gemidos e fetiches em alguns dos filmes da programação do Sexy Hot

Sete minutos sem sexo?
É fim de expediente e, depois de a coordenadora da equipe, Carolina Pacheco, 26, aprovar os títulos dos longas com o estagiário, bate o olho na TV e solta: “Gente, não parece um pau de brinquedo? A cor é diferente”. Ela acaba com o mito de que mulher não faz comentários como os dos homens. “É claro que a gente fala de tamanho de pau, ri, ‘nossa, como é que um pau desses existe?’, ninguém é puritano, mas tem um limite”, solta. As produções que vão ao ar também têm suas restrições. Não passam pela “censura” cenas com crianças, estupro, prostituição, coação, grávidas, animais, drogas, violência, religião, escatologia e takes com até sete minutos sem sexo. “Não é o foco, queremos proporcionar prazeràs pessoas e o Sexy Hot tem um público fiel”, explica Carol. Para ela, as mulheres vêm procurando mais o conteúdo pornô porque têm menos pudor de ter um canal erótico em casa.

De família tradicional da Tijuca – o pai antes estranhava seu trabalho e agora liga sugerindo títulos –, ela conta que, no primeiro mês de trabalho, seu apetite sexual diminuiu porque associava sexo com trabalho. “Ficava com isso na cabeça e não era legal.” Casada há um ano, ela e o marido não consomem os canais em casa.
“Assisto profissionalmente, mas, para curtir sexualmente, não. Gosto de entender por que as pessoas transaram. Simplesmente ligar a TV e ver pessoas transando, para mim, não causa efeito.” Já nos homens o efeito é rápido. A analista de marketing dos canais, Mirna Schleder, 26, acredita que essa diferença entre os sexos é uma das razões que fazem a equipe ser formada por “elas”. “A mulher consegue ver mais o lado profissional de um filme, homem não, qualquer bunda ali tá ótimo”, opina a carioca, que, uma vez ao mês, dá treinamento de venda dos canais para os operadores de telemarketing da Net e da Sky.

Filha de músico aposentado e de dona de casa, a publicitária, depois de três anos no marketing corporativo da Globosat, foi parar na sala que tanto temia. “Ficava completamente sem graça com as televisões ligadas, nunca tinha tido contato. Olhava e achava que estava fazendo coisa errada. Hoje vejo tecnicamente. O mais difícil foi transformar aquele ambiente estranho em familiar, conseguir ver que as cenas de sexo não estão ali para me excitar.” Essa parte, então, pode deixar com as telespectadoras.

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