A morte do Simão, em 88, deve ter sido um golpe duro. Foi. O maior. A pior coisa pela qual já passei na minha vida. Foi muito difícil, tanto que deixei a marca de lado e quase fali. Achava que ia abandonar tudo, que não fazia mais sentido fazer moda. O que me salvou foi que, três anos depois, aconteceu a melhor coisa da minha vida: o nascimento da minha filha.
Você sempre quis ser pai? Sempre. Me separei da minha primeira mulher porque ela não queria ter filhos. Também... eu não fui nada legal, traía muito. E acho que era porque me faltava ter um filho. Quando os meus sobrinhos nasceram, fiquei louco. O Simão também era louco por eles. E a Sol bebê? Eu era apaixonado por ela. O Simão não conheceu a minha filha, mas, se tivesse conhecido, ficaria babando como eu fiquei pelos filhos dele.
Como é o seu relacionamento com a sua filha? Somos grudados. Ela mora comigo desde os 3 anos, quando me separei da mãe dela. Na época, ela deu uma vacilada forte e perdeu a guarda. Sou mãe mesmo. Desde que ela nasceu tive problema com a mãe dela. Uma das brigas era porque ela queria babá e eu não. Quando a mãe falava: “Vamos sair para almoçar e levar a babá”, eu dizia: “Então nem vou”. Nunca gostei de babá nessa história de viajar, sair com a criança, invadir nossa intimidade. Não nos falamos mais.
E que tipo de mãe você é? Uma mãe bem liberal. Ela tem namorado, um garoto amarradão nela. Ele era um garotão surfista, bicho solto, mas se apaixonou e quer até casar com ela, vive lá em casa. Eu deixo, porque é melhor ficar lá em casa do que ela na casa dele.
Você teve que abrir mão de muita coisa por causa dessa opção de ser também mãe? Nada. Eu ia com ela para a praia. Sempre gostei de ter vidinha de cineminha, parque de diversões, feira. Sempre passamos os fins de semana juntos, ela nunca teve babá. Tinha a empregada da minha casa, que ficava com ela para eu trabalhar, e a minha mãe. Mas sempre a criei sozinho. Uma época ela teve ciúme das minhas namoradas. Aí sentei com ela e disse: “A mulher da minha vida é você. As namoradas passam, você vai ficar para sempre”. Aí ela se acalmou.
Você está no terceiro casamento. Gosta de relacionamentos longos? Gosto. Mas não estou casado, não. Já casei duas vezes e agora estou namorando uma menina que me dá uma paz tremenda. Ela é muito bacana e já pensamos em ter filho, porque acho que esse é o melhor relacionamento que eu já tive. Só que ela tem uma filha de 18 anos e eu, uma de 16. Começar tudo de novo, essa coisa de fralda, fonoaudiólogo. Dá preguiça.
Você acha que as pessoas no mundo da moda percebem que você é diferente deles, mas ao mesmo tempo te respeitam? Eles me respeitam porque eu sempre me mantive no mercado. Nunca fui arrogante nem estrela. Não precisei me expor na mídia para fazer sucesso. E nunca deixei a Blue Man chegar ao topo. Não quero que chegue porque, do topo, você só pode cair. Mas, como empresa, estou disparado na moda praia em primeiro lugar. Queridinha da moda a Blue Man nunca foi. Sempre teve uma Rosa Chá, uma Salinas...
E esses queridinhos te incomodam? Claro que não. Eles estão em um lugar onde eu não quero estar.
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