Por que você foi para a Itália? Tenho família lá e meus pais acharam que minha formação ia ser mais rica do que se eu ficasse no prédio com os amigos. E foi fundamental viver num país que não é seu, com uma parte da família que não é sua mãe, com 15 anos. Tudo que fiz foi uma atitude minha. Eu que peguei um táxi e fui pro Piccolo [Teatro di Milano, uma das mais consagradas escolas européias] e falei: “Velhinho, quero fazer essa escola”. Eles acharam aquele rapaz legal e me inscreveram. Depois de um ano estudando, fui trabalhar subsidiado por eles. Substituí um ator que fazia o personagem há 18 anos. E eu tinha 16 [Milhem viajou dois anos pela Europa com teatro de rua].
E agora, como é trabalhar na TV? Sou contratado há quase quatro anos na Record. O que o capitão Fábio [do Tropa de Elite] fez comigo me orgulha porque fiquei famoso com cinema. Não foi com qualquer merda. E, por mais que eu tivesse um pé-atrás com TV, é uma conquista. Ninguém quer subir num palco e falar pra um monte de gente se não for por vaidade. Mas nessa novela me falaram: “Dá uma secada na barriguinha”. Eu não vou me transformar nesses atores bolados. Meu charme tá numa gordurinha nesse canto, com um corpo bonito [ele malha em academia]. Não me preocupo se estou corcunda, se a barriga tá grande. Mas eu tinha medo de não ser bonito num lugar onde todo mundo é. Aí falei: “Vou fazer como sou”, o Milhem exagerado, e me vi bonito. Uma vez brinquei com outro ator: “Ser bom ator não tá levando a lugar nenhum. Quero ser mais um rostinho bonito. Quero mais é beijar na boca”. Estou chegando lá [risos].
Falei pra caralho. |