Da esq. para a dir., Patrícia aos 4 anos, com o pai; aos 10 anos, em retrato feito no colégio Gilberto Amado, no Rio; e em cena na peça Jogos de Guerra, em 1982
 


E hoje existe um total horror a políticos no Brasil.
Sim, as pessoas esculhambam os políticos, não sem razão. Mas a gente não pode negar a política em si. Isso é um perigo. É muito importante que se tenham bons políticos e não se pode generalizar. Virou lugar-comum falar que todo político não presta. Eu acho que quem é culpado por alguma coisa tem que pagar. Mas também não concordo com o comportamento de todos os artistas, como você não deve concordar com todos os jornalistas.

Mas política sempre te interessou?
Conheci o Ciro porque falei bem dele no jornal. Disse que achava uma pena o Rio não ter um prefeito como o Ciro Gomes de Fortaleza. Sempre gostei de ler sobre política e economia. Me interesso pelo país onde moro. Sempre achei importante saber o que está acontecendo para fazer uma crítica não superficial. Senão você lê uma notícia e não sabe o que ela quer. Porque nenhuma notícia é isenta. Se você não tem informação, acredita e fica de bocó na história. Faz parte da nossa cidadania.

E existe a possibilidade de você ser primeira-dama do Brasil. Ah, isso o futuro dirá. Não sei. Tenho muita coisa pra pensar, pra fazer. Hoje mesmo tenho um monte de coisa pra fazer. Estou ocupada com o presente.

Te dá medo pensar nessa possibilidade? Não é por isso que não quero falar. Se acontecer, a gente conversa sobre isso depois. Te prometo que, se acontecer, conversamos depois [risos].

Você e o Ciro nunca moraram juntos. Te dá uma certa liberdade ser casada, mas em casas separadas? A nossa vida é assim. Ele tem o trabalho em Brasília, filhos em São Paulo e família e base em Fortaleza. E a mulher dele no Rio. Então, fica um pouquinho em cada lugar. Mas essa casa é nossa. É para onde a gente volta. Acho ótimo que seja assim, mas também não sei como seria se fosse diferente.

Como surgiu o seu interesse pelo Waldick Soriano? Lembro de ter ouvido uma música no rádio e pensar: “Nossa, como isso é legal”. Quando estava filmando Zuzu Angel comprei todos os discos e fui me apaixonando pela obra. Fiquei obcecada. E só depois fui perceber o que tinha me apaixonado tanto nele.

E o que te apaixonou? Tem a coisa do migrante, do cara que saiu do interior da Bahia, foi motorista de caminhão, lavrador, garimpeiro e um dia viu o Durango Kid, um seriado americano, e evocou nele aquela imagem. Ele se vestiu daquele personagem e quis vir pra São Paulo fazer uma carreira artística. No documentário ele conta uma coisa linda. Quando ele foi embora, o pai perguntou se ele ia voltar e ele respondeu: “Se eu vencer, eu volto, se eu não vencer, eu não volto nunca mais”. E ele fez um grande sucesso nos anos 70. A história dele é a de muitos brasileiros que saíram do interior para ser alguma coisa. Gente que teve muita força.

Você vê essa força em você? Eu nasci no Rio de Janeiro. É muito diferente. Para quem vem do interior, é outra coisa.

Mas a sua família é do Ceará. É. A minha avó foi de Quixadá [interior do Ceará] para Fortaleza, mas sobre a história da minha família não vou poder te falar. Outro dia dei uma entrevista, contei um monte de história e uma tia ligou e falou que eu tinha inventado um monte de coisas. Então, melhor não contar para não levar bronca.

Você parece ser muito apaixonada pelas coisas. Ah, sou. Dirigi um show do Waldick em um cinema de Fortaleza ano passado com uma megaorquestra, cenário, tudo. Foi inacreditável. Pensava: “Eu sou maluca!”. Quando vi, tinha 1.200 pessoas na porta do cinema. Foi tão legal que resolvi lançar em DVD. Foi um show que eu queria ver. Eu era a fã. Foi como se eu tivesse feito aquilo tudo para mim.

Você continua em contato com o Waldick? Sim, tenho muita vontade de cuidar dele. Nos falamos muito por telefone. Eu ligo mais que ele. O Waldick é mais, digamos, minimalista na parte dos telefonemas. Ligo para saber se ele está bem, se comeu direito, se a saúde está boa, essas coisas.

Você tem esse lado maternal muito forte? Tenho. Adoro cuidar das pessoas. Cuido dos meus amigos, da minha família, das pessoas que trabalham comigo, agora do Waldick. Gosto de saber se está todo mundo bem, correndo atrás dos seus desejos, evoluindo.

Mesmo com esse lado maternal forte, você não foi mãe. Concorda que há uma certa cobrança em cima de quem não teve filho? Existe um estranhamento por você não ter tido filho. Mas é normal, porque é da natureza a procriação. Acho que a única coisa que dá sentido à vida é a vida em si. E deixar a vida continuar como se fosse uma grande corrente é quase um apêndice dessa idéia.

 
 
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