À esq., a atriz em cena de O Quatrilho (1995); e, à dir., com o cantor Waldick Soriano: “Comprei todos os discos e fui me apaixonando pela obra. Fiquei obcecada”
   
 

Tpm. Os famosos geralmente estão cercados de assessores e secretárias, os chamados “babás de artistas”. Você chegou aqui sozinha e marcou a entrevista pessoalmente...
Patrícia Pillar. As pessoas são assim mesmo? Não, eu não gosto de babá. E também não gosto de puxa-saco. Acho que sou bastante responsável, sempre fui. Não gosto muito de intermediários. Aquela coisa de ter alguém pra falar saúde se você espirrar, ai, não gosto.

Você sempre foi independente? Sempre batalhei muito as minhas coisas. Meu pai é oficial da Marinha e minha mãe é funcionária pública. Tive uma vida normal de classe média. Nasci em Brasília, mas morei em vários lugares. Fiquei de lá para cá até os 14 anos. Em cada lugar tinha que reconstruir a minha vida a ponto de chegar à escola e ter que falar: “Quer ser minha amiga?” [risos]. Acho que por isso devo ter aprendido a me virar. Gosto das coisas que conquisto. Não dou valor a nada dado.

Quando você começou não existia esse culto a celebridades de hoje, não é? Era diferente. Comecei no teatro. Fiz Tablado e depois CAL [Casa de Artes das Laranjeiras], ambos no Rio. A gente não pensava em ser famoso. Quase todo mundo da minha geração cresceu no teatro, com essa noção de grupo. A televisão era até vista com um certo preconceito.

Como você lida com a indústria de celebridades? Eu não deixo de fazer nada que eu quero. Acho que também porque chego sem estardalhaço. Pelo meu temperamento, não gosto de ir a coisas muito badaladas, como estréias. Mas essa coisa de paparazzi é muito chata. Tipo, você vai à padaria e um cara te fotografa saindo de lá. É de uma inutilidade completa. Não tenho interesse em ver uma foto de uma pessoa saindo de uma padaria. Acho isso meio ruim, principalmente porque mostra que a vida das pessoas que se interessam por isso deve estar muito sem graça. A sua vida pode ser legal! Você que vai determinar isso. E isso tem a ver com educação, com cultura. Se você começar a ver um filme bom, ouvir uma música boa, você não vai se interessar por essas coisas bobas.

Você sempre se interessou por política? Fez papéis de mulheres fortes e politizadas... Isso é um mito que existe sobre mim. Não é verdade. Fiz a Zuzu Angel e uma bóia-fria. Inventaram esse gancho só porque estou com o Ciro. A minha carreira não tem nada a ver com o homem com quem casei nem com política. Só tem a ver com a minha necessidade pessoal. Eu fiz Cabocla [2004], Sinhá Moça [2006], procuro ter bons personagens que possam me enriquecer, mas não tem nada a ver com política.

As pessoas se surpreenderam por você ter casado com o Ciro, por ele ser de outro meio? Não sei. Para mim é normal. Mas pode ser meio inusitado, não temos muitos casos de uma mistura dessas. Mas não é qualquer político, né? É um político tão interessante [risos].

 
 
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