Acredita que ela veio sozinha?” Um integrante da equipe da Tpm, reunida em um estúdio em São Paulo para as fotos de Patrícia Pillar, comenta em tom de admiração. Explica-se. Estamos acostumados a celebridades cercadas de assessores, secretários etc. E Patrícia, 44 anos, não é assim. Ela marcou sozinha a entrevista e as fotos. “Não gosto de babá”, esclaresce. E se espanta ao saber que os famosos andam com assessores. Ela nem sabia disso. E tampouco se importa com o dado. É que a atriz não gosta de perder tempo. “Não fico pensando na vida dos outros. Tem tanta coisa que quero fazer, tantas viagens.” Ela fala com os olhos brilhando. E pontua as frases no tom dos passionais: “viaaagens”.
A impressão que Patrícia passa é a de uma pessoa que tem gana de viver. E por isso não quer perder tempo com pirações. Não fica horas remoendo problemas. Ela não acha que alcançou essa sabedoria por ter sobrevivido a um câncer de mama em 2002 (na época assumiu a doença publicamente e não escondeu a falta de cabelos causada pela quimioterapia). Patrícia não gosta nem de perder tempo falando sobre isso. Acha que já contou o que tinha que contar. A vontade de aproveitar a vida ela atribuiu a um mix de fatores: a maturidade, a doença e os anos de análise.
Eu não sou cachorra não
Tudo isso a transformou em uma mulher que não tem medo de muita coisa (muito menos de entrevistas). Depois de avisar que não queria falar sobre câncer e ouvir da repórter: “Pode deixar que vou tentar não perguntar”, responde: “Pode perguntar, eu não vou responder. Vou te provar que não ultrapasso os meus limites”.
A paixão não é só pelas “viaaagens”. No momento, além de gravar a próxima novela das oito da Globo, Juízo Final, onde vive uma presidiária, lança o seu primeiro documentário, sobre Waldick Soriano, sua recente obsessão. Uma tarde ouviu uma música dele e se empolgou. E muito. Produziu um show, um disco, um DVD e o documentário, que estréia este mês no festival É Tudo Verdade, em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Eu me apaixonei pela história dele, que mostra um pouco a história do Brasil.”
História do Brasil... Bem, Patrícia pode entrar para a história também, como primeira-dama. Isso porque seu marido, Ciro Gomes, é deputado federal e presidenciável. Outro assunto do qual ela não gosta de falar. Tá. Mas seus olhos brilham quando ela fala do companheiro, com quem vive há dez anos uma relação dividida em várias casas, por conta do trabalho de Ciro. Mas aponta para o apartamento onde mora no Jardim Botânico e diz: “Mas é para cá que a gente volta”. A falta de vontade de se imaginar primeira-dama não impede Patrícia de defender o marido durante a entrevista.
OK. A gente não vai ser sensacionalista. Mas é irresistível contar que, se Ciro for eleito, teremos uma primeira-dama que aceita a idéia da equipe de ir à noite em um bar chamado CB, na Barra Funda, zona nada chique de São Paulo, e é fã da Amy Winehouse. Sim, ela parece mesmo uma amiga nossa. |