Imagem do livro de Elissa Stein; na Playboy, Patrícia é a da direita; jaqueta de zíper da Transbrasil: moderna nos anos 80; e Izabel (à dir.) em 1976

Primeira-dama
Antes de Conceição, Izabel, Lúcia, Ana Paula e Patrícia sonharem com a profissão, a americana Ellen Church estreou como a primeira “comissária-enfermeira” do mundo num vôo de Oakland para Chicago, em 1930. Ela tinha “tomado aulas de vôo” na época em que só homens eram bem-vindos a bordo. Foi pedir emprego a Steve Stimpson, da Boeing Air Transport, que voltava de uma longa viagem na qual sentira falta de alguém para atender os passageiros. Ele, então, teve a idéia e conseguiu autorização para criar a nova profissão feminina, apesar da resistência de alguns pilotos, que alegavam estar “ocupados demais para tomar conta de inúteis mulheres na tripulação”. Os passageiros adoraram a novidade e a profissão pegou. Não demorou para as casadas serem discriminadas. Isso porque, enquanto uma aeromoça voava a trabalho, seu marido, preocupado, ligou na casa do chefe dela no meio da noite para saber o paradeiro da mulher.
Hoje, comissárias mulheres ainda são maioria; os homens representam cerca de 30% nos processos seletivos. E, se depender dos planos de empresas como a Gol e a TAM – que devem aumentar suas frotas até o fim do ano –, a profissão continuará em ascensão. Mas as recordações românticas de Conceição, Izabel e Lúcia nunca serão vividas pela geração de Ana Paula e Patrícia, afinal essas elegantes senhoras foram protagonistas dos primeiros capítulos da história. Em compensação, no mundo de hoje, em que globalização e liberdade são palavras desgastadas, ser aeromoça deixou de ser sonho para se tornar realidade.

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