Primeira-dama
Antes de Conceição, Izabel, Lúcia, Ana Paula e Patrícia
sonharem com a profissão, a americana Ellen Church estreou como
a primeira “comissária-enfermeira” do mundo num vôo
de Oakland para Chicago, em 1930. Ela tinha “tomado aulas de vôo” na época
em que só homens eram bem-vindos a bordo. Foi pedir emprego a Steve
Stimpson, da Boeing Air Transport, que voltava de uma longa viagem na qual
sentira falta de alguém para atender os passageiros. Ele, então,
teve a idéia e conseguiu autorização para criar a nova
profissão feminina, apesar da resistência de alguns pilotos, que
alegavam estar “ocupados demais para tomar conta de inúteis mulheres
na tripulação”. Os passageiros adoraram a novidade e a
profissão pegou. Não demorou para as casadas serem discriminadas.
Isso porque, enquanto uma aeromoça voava a trabalho, seu marido,
preocupado, ligou na casa do chefe dela no meio da noite para saber o paradeiro
da mulher.
Hoje, comissárias mulheres ainda são maioria; os homens
representam cerca de 30% nos processos seletivos. E, se depender
dos planos de empresas como a Gol e a TAM – que devem aumentar suas frotas
até o fim do ano –, a profissão continuará em
ascensão. Mas as recordações românticas de Conceição,
Izabel e Lúcia nunca serão vividas pela geração
de Ana Paula e Patrícia, afinal essas elegantes senhoras foram
protagonistas dos primeiros capítulos da história.
Em compensação, no mundo de hoje, em que globalização
e liberdade são palavras desgastadas, ser aeromoça deixou
de ser sonho para se tornar realidade. |