A ex-comissária Izabel, que trabalhava na Varig em 1974; e Lúcia, que deixou os pais na Bahia e virou aeromoça em São Paulo, nos anos 60

Topa tudo por dinheiro
A mineira Ana Paula nunca tinha visto uma aeronave de perto até ingressar na profissão. E acredita que a carreira não é para qualquer um: “Tem que ser adaptável a pessoas, a climas diferentes, a situações de estresse. A gente imagina que coloca aquela roupa e sai pra passear, mas é muito mais que isso”, diz, há sete anos no ar.

A convicção e o idealismo de Ana Paula são exceção nos dias de hoje. Patrícia Kreusburg, 31, nasceu em Porto Alegre e estudou turismo porque gostava de viajar. Na faculdade, conheceu pessoas que pensavam como ela. “Queríamos ganhar dinheiro e conhecer o mundo. Que profissão permitiria isso?” No primeiro semestre, virou comissária da Vasp, onde trabalhou sete meses. Mudar para o Rio, para ingressar na Varig, foi um atrativo. Patrícia ficou na profissão dez anos, até a empresa entrar na crise de 2006 que culminou na demissão de mais da metade dos funcionários. Sem saber quando receberia seus direitos, ela aceitou posar nua na revista Playboy. “Com a grana vou pagar meu mestrado.”

À moda da casa
Enquanto aguardava Teresa Rodrigues, coordenadora da Eacon (Escola de Aviação Congonhas), a reportagem da Tpm ouviu a conversa de dois recém-formados pela instituição. O tema eram empresas que viajam o mundo. A garota, com cerca de 25 anos e um currículo que incluía espanhol fluente, ensaiava uma entrevista de emprego: “Me identifico com a filosofia da companhia”, soltava entre outros clichês. O colega, de 19 anos, a interrompeu para lembrar a importância de destacar o “prazer em servir”. Em dez minutos, a aspirante a aeromoça não concluiu uma frase – em português ou espanhol – sem gaguejar. E chegou a vez de a nossa equipe falar com a coordenadora Teresa. “Antigamente, a mulher tinha que ser magra e elegante. Hoje, os jovens estão ligados à praticidade, ao fácil. De certa forma, a mulher perdeu a feminilidade. Muitas chegam aqui e sentam sem cruzar as pernas”, diz, em voz baixa, a professora de etiqueta.

Desde os tempos de Conceição, as comissárias são orientadas a usar maquiagem combinando com o uniforme. Hoje, as companhias preferem cores discretas – na Gol, batom vermelho nem pensar. Antes era comum vê-las de sombra verde ou azul, dependendo das invenções do estilista Amalfi, que por 12 anos desenhou modelitos para Varig, TAM, Vasp e, por 14 anos, para a Transbrasil. Foi ele o criador do turbante, da calça pantalona e da jaqueta de zíper, nos anos 80. A moda de ter as peças assinadas por nomes de peso voltou recentemente. Gloria Coelho está por trás da Gol desde 2001, Christian Lacroix desenhou os uniformes para a Air France em 2005 e, há um ano e meio, a clássica Marie Toscano foi procurada pela TAM. “A orientação era recuperar o glamour, a sofisticação, mas com um toque de modernidade”, diz Marie, responsável também pela substituição do coque com redinha por rabos-de-cavalo e tranças.

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