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há um ano morando em São Paulo num quarto de pensão, duro,
comendo um prato feito por dia, pinta uma viagem pra Portugal”,
conta Alexandre, rindo.
O perrengue do início da vida de ator estava começando a
melhorar. Alexandre já tinha encenado por quase nove anos e
muita gente importante conhecia seu nome. Susana Moraes, filha
de Vinicius, era uma delas. Ela estava filmando Mil e Uma e
o chamou para um teste. “Susana me viu numa peça em São Paulo
e gostou. Fiz o teste e passei. Logo depois, o Waltinho Salles
me convidou para fazer Terra Estrangeira, em 1993. Nesse momento
fiz minha primeira novela, na TV Manchete, O Marajá, que era
uma sátira política sobre a Era Collor, mas o próprio embargou”,
lembra. Tudo bem, já que a novela foi substituída por outra, Guerra
sem Fim, em que Cacau, vivido por Borges, se apaixona por sua
médica, por acaso, Júlia Lemmertz.
Amor sem fim
Alexandre conheceu Júlia no teste de seu primeiro filme – Mil
e Uma –, quando ficaram amigos, a reencontrou num festival na
Espanha, quando ela ainda era casada (com Álvaro Osório, um executivo
da Rede Globo), até que um dia ela apareceu num ensaio de
Hamlet, para assisti-lo atuar e, coincidência ou não, uma semana
depois uma das atrizes da peça pediu para sair e Júlia a substituiu.
Nesse meio-tempo pintou Guerra sem Fim, em que eles também
contracenavam.“Eram oito horas de peça em São Paulo, depois pegávamos
o avião, fazíamos o Guerra sem Fim... Começamos a namorar.
E sou apaixonado até hoje, 15 anos depois. Isso é fundamental
em qualquer situação. A paixão, o fogo, o companheirismo, a dedicação.
Mas acima de tudo a liberdade individual. Cada um é um,
cada um caminha com suas próprias pernas, tem seus gostos e vontades.
A liberdade é fundamental”, atesta o bom marido.
Tantas novelas, minisséries e especiais depois, o pai de Miguel,
8 anos, quer voltar a subir no palco. “Eu quero muito fazer
teatro este ano. Mas quando acabar a novela [Desejo Proibido, na
Globo, que termina em maio] começo a pensar melhor nisso”, explica.
Independente do formato, a boa pinta permanece. E, apesar de
não se considerar um cara bonito – “acho que venho de uma
família que tem pessoas bonitas, com traços bonitos. Fora isso é
caminhar três vezes por semana, tomar sol, fazer limpeza de pele...
[risos]”– , ele continua dando aula pra rapaziada e atordoando
a mulherada. Seja ela de 20 ou 60 anos. |
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