inup é aquela mulher sexy e inocente. É,ao mesmo tempo. Sexy o bastante para dar vontade de pendurar a foto dela na parede (pin-up,em inglês). Inocente o suficiente para deixar a foto lá sem risco de atentado à moral e aos bons costumes.Uma combinação sutil, que vem sendo refinada desde aqueles pôsteres de Toulouse-Lautrec com as dançarinas do Moulin Rouge.
(E abro parênteses aqui para não deixar nenhuma dúvida.“Sexy e inocente” não é eufemismo para mulher bonita e burra. Não. Sai desse corpo que não te pertence, Betty Friedan! Afasta esse isqueiro do sutiã! Camille Paglia, afinal de contas, liberou a mulher para ser sexy e inteligente. Sem contradições. Não por acaso, foi chamada de “a pinup intelectual dos anos 90”. Fecha parênteses.)
Pois Jorge Ben já sabia das coisas em 1979, quando lançou uma música que resume essa conversa toda: “Quando ela passa por aqui/e me olha com esse olhar inocente/ puro, adocicado e primaveril/ eu me sinto deslocado que passo/ da idade do lobo pra idade pueril”. Quem passava por ali, sexy e inocente, era Adelita, que dava nome à canção e apelido para Adele Fátima – personagem fundamental da matéria “As deusas daquela hora”.
Pelo horário de Brasília, era o momento em que ganhava força a abertura política. Lenta e gradualmente, os costumes se afrouxavam. E o cinema acompanhava, com a pornochanchada. Quase sempre, bem mais para chanchada que para pornô. Como na clássica Histórias que Nossas Babás não Contavam, uma paródia de Branca de Neve e os Sete Anões. A esculhambação começava com a escalação da mulatíssima Adele Fátima pro papel de Clara das Neves. Mas, além dos toca-discos e das salas escuras, Adele também desfilava nos televisores. Durante os intervalos. Quase todos os intervalos, aliás. No insistente comercial das Sardinhas 88 (“nem oito nem oitenta, sardinha é oiteeeenta e oito!”, vale dar uma busca no YouTube), ela passeia de biquíni na praia e samba entre latas de sardinha, enquanto os homens ficam olhando com cara de besta. Funcionou como um ensaio para os comerciais de cerveja de hoje.
O que nos traz a Juliana Paes,“a boa”da cerveja e das novelas, capa e Páginas Vermelhas desta edição. Uma espécie de versão revista e atualizada da pinup brasileira. Qualquer semelhança pode não ser mera coincidência. Foi rainha de bateria (Adele Fátima também), é candidata a Bond Girl (Adele chegou a filmar 007 contra o Foguete da Morte, mas suas cenas foram cortadas) e posou para revista masculina (Adele jura que nunca fez nu frontal). Mais? Bom, as duas costumam ser vistas como um corpinho e mais nada. “Ser símbolo sexual só atrapalhou minha vida”, lamenta Adele. Juliana não quer deixar isso acontecer. Beleza ou inteligência? Ela responde: “É o paradoxo mais furado da história. As lindas não virariam divas se não fossem inteligentes. [...] E tem muitas situações em que você tem que se fazer de sonsa. Isso faz parte da inteligência das mulheres subestimadas”. Entendeu?

Fernando Luna, diretor editorial

 
 
Fernanda Takai é a moça da voz suave e baixinha que canta no Pato Fu há 15 anos. É também a garota de 36 anos que fez a Tpm ficar mineira esta edição. Ela nasceu no Amapá, mas foi criança para Belo Horizonte, cidade que nunca deixou e que se revela em cada sugestão que deu para esta revista e no seu “jeitim” de falar. Fernanda se reuniu com nossa equipe e, entre idéias que não acabavam mais, ia tirando coisas da bolsa. Coisas que você encontra espalhadas pelas páginas a seguir. A própria bolsa com desenho de toca-fitas que ela deixou na redação está num texto de sua autoria sobre o Japão (no Bazar). O país das pessoas de olho puxado é a grande descoberta de Fernanda. Neta de japoneses, ela já foi duas vezes até o outro lado do mundo e voltou cheia de bugigangas. Numa entrevista (também no Bazar), ela conta sobre seu novo CD – o primeiro solo –, Onde Brilhem os Olhos Seus, em que canta Nara Leão. A casa do mineiro Ronaldo Fraga (em Magazine) também foi idéia sua. Ela é amiga do estilista, indicou o fotógrafo e fez a reportagem. A cantora sugeriu ainda as artistas plásticas Adriana Varejão e Érika Machado para a seção Amiga-do-amigo. Quem produziu o CD No Cimento, de Érika – que se lançou como cantora em 2006 –, foi John Ulhoa, produtor musical, guitarrista do Pato Fu e marido de Fernanda. Foi com ele que, há quatro anos, a mulher que fez tudo isso na vida – e na Tpm – deu à luz a filha Nina. E é sobre a pequena e outros detalhes do cotidiano que Fernanda gosta de falar. Mesmo enquanto trabalha nas crônicas e contos que publica há três anos nos jornais O Correio Braziliense e O Estado de Minas. Não é de estranhar que seus textos para a Tpm não tenham precisado de retoques. Ela, que no início tinha medo de faltarem idéias, lança agora seu primeiro livro, Nunca Subestime uma Mulherzinha (ed. Panda Books), com uma seleção do material e desenhos de Andrea Gomes, que nesta edição foi responsável pelas ilustrações das páginas das nossas colunistas. Por tudo isso, é tão bom trabalhar com a Fernanda. Melhor é só ver o resultado da parceria. Divirta-se.
 
 
 
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