Nos dez anos à frente do programa de entrevistas Gente de Expressão, Bruna falou com artistas do mundo inteiro, entre eles David Bowie e a banda Aerosmith
 

Estamos falando de papéis. Hoje os papéis estão confusos nas relações. Por exemplo: quantas vezes nos ofendemos se o cara quer pagar a conta e, ao mesmo tempo, cobramos uma postura de cavalheiro em outra situação? Acho lindo isso nas mulheres, essa coisa confusa que a gente é. O homem que tem humor para olhar para isso é bacana.

De onde veio a idéia para o filme O Signo da Cidade? Queria contar várias histórias, com muita gente e muitos temas. Entre outras coisas, queria falar sobre como a vida da gente é conectada. Não adianta eu ser feliz sozinha, nenhum homem é uma ilha.

Como você encara as possíveis críticas negativas ao filme? Sabe que nunca penso nisso? Na estréia na Mostra do Rio, muitos homens choraram [o crítico de cinema Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo, confessou, no blog do Estadão, que chorou no filme de Bruna]. Isso mostrou que o filme derruba defesas. O Fernando Meirelles disse que, se um personagem não te pega, vem outro e,“pim”, pega. Minhas coisas têm sido acima do que espero. Imagina, fiz a letra de “Sozinho na Cidade”, o Ri fez a música e o Caetano gravou. Também fiz a letra de “Sorte”, que a Maria Bethânia gravou. É difícil acreditar nos dois interpretando letras minhas no filme.

Quando você atua, tem alguma vaidade na escolha de seus personagens? Não. Já fiz vários trabalhos, como Diadorim [personagem de uma mulher que se passa por homem, na minissérie adaptada do clássicoGrande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa], em que precisava estar medonha. Mas teve momentos em que muita gente falava: “Você precisa se enfeiar pra ser levada a sério”. Meus editores falavam que eu não podia misturar meu lado bonito, glamoroso como lado escritora. Mas não me prendi a essas jaulas para ser aceita.

E, na vida, você é vaidosa? Ah,todo mundo é. Mas meu sonho é ser mais vaidosa. Porque sou muito trabalhadora, então sou vaidosa “espelhinho do carro”, sabe? Meu cabeleireiro me liga e fala: “Você precisa vir, você é louca! Quer que eu vá aí?”.

Você gosta de esportes? Nunca fui de esportes. O Ri é superesporte, eu sempre fui voltada pra expressão. Mas faço ioga há mais de dez anos.

E a sua alimentação? Nunca faço dieta. Não acredito em fazer coisas contra sua vontade. Claro, de vez em quando você fala:“Exagerei, deixa eu dar uma maneirada”. Mas tem alguns pecados que eu adoro: vinho, mandioca frita, pizza. E não me peso! Sou uma pessoa de não-números. Não sei há quanto tempo casei, por exemplo. Sempre fui assim. Uma vez fui levar o almoço pro meu filho na escola – ele havia esquecido no carro – e não sabia a série em que ele estava [risos], não tinha a menor idéia.

Você tem medo de envelhecer? Isso é inevitável, mas tem coisas que me preocupam muito mais do que isso. O que está acontecendo com o planeta, por exemplo. Se envelhecer fosse problema, que alegria. Uma hora você vai ser escalada tipo Conduzindo Miss Daisy [filme norte-americano de 1989, que tem como personagem principal uma senhora de idade]. Mas deve ser legal viver esse momento porque senão sua vida acaba antes.Tem gente que me encontra e fala: “Ai, a época da faculdade”. Adorei a faculdade, mas não queria estar nela agora, porque eu estou onde estou. Não tenho isso de olhar pra trás.

 
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