Aos 25 anos, Kim estréia como ator em O Signo da Cidade, dirigido pelo pai e com roteiro da mãe; Bruna atesta o talento no papel de Diadorim, uma mulher que se passa por homem na adaptação de Grande Sertão: Veredas para a TV, em 1985
 

E como você era na adolescência? Muito atirada para as coisas. Tenho um lado de me jogar e, ao mesmo tempo,uma coisa para dentro, para coisas que me interessam de verdade. E eu já era assim pequena. No pré, ainda não conhecia livraria, mas já ia para a biblioteca da escola. As colegas já pediam para eu escrever ensaios para elas. Fui reconhecida rápido. Era a única Bruna da escola, praticamente do país.

Quando você decidiu ser atriz? Cedo. Fiz jornalismo e propaganda e marketing, mas ser atriz era um caminho natural por causa dos meus pais. Talvez por eu ter começado a trabalhar como modelo também. Um te maquia, outro te veste, você é personagem das pessoas. Eu nunca fui aquela menina que sonha em ser modelo, atriz. Tudo na minha vida veio antes de eu querer.

Até o marido [risos]? Sempre fui de namoros longos, mas o Ri mudou tudo [Bruna conheceu o marido durante as gravações da novela Aritana, em 1978].

Sua relação com o Riccelli passa uma imagem de ser perfeita. Vocês são lindos, inteligentes, trabalham juntos... E é assim mesmo, a gente não está mentindo. Para você ter uma idéia, na minha casa quase não tem parede. Estou ficando cada vez mais transparente. E o que o Ri e eu somos juntos é de verdade. É difícil você encontrar uma pessoa e acertar o passo. O Ri e eu crescemos juntos. É uma sorte, um pequeno milagre. Não sei como se constrói uma relação. Sei é que tem trabalho, não vem pronto. E até hoje fico perplexa com o olhar dele para mim. É legal ter alguém que te olha apaixonadamente.

Você planejou isso? Nunca. Nem nos meus sonhos mais selvagens [risos]. Não fui criada para casar numa igreja de branco, tanto que não casei. Aliás, nunca me casei. Meu sonho era viajar, conhecer lugares remotos, ser a primeira a pisar em territórios. Imaginava que talvez fosse uma grande repórter. E nunca pensei que teria alguém para compartilhar minha vida. Imagina o quanto me surpreende a vida que tenho!

Você teve só um filho por opção? Porque eu quis. Minha vida era complexa e eu achei que ia dar conta de criar muito bem um.

A gravidez foi planejada? Não, foi surpresa. E me dei ao luxo de parar de trabalhar. Fazia umas fotos, umas campanhas, ganhava uma graninha, mas trabalhar mesmo não trabalhei. Depois de três meses que o Kim nasceu, precisei voltar à ativa porque tinha contrato. Aí me joguei na vida de novo e fui criando o Kim.

Como é a relação de vocês? Nunca fui em busca dos papéis sociais que uma família tem ou parece que tem. Nunca falei: “Agora o papel de mãe, eu preciso agir dessa maneira”, ou o papel de esposa. Não achava que eu tinha que preencher essas lacunas sociais. Então, minha relação com meu filho sempre foi quase de amigos.

Em nenhum momento essa relação atrapalhou sua autoridade como mãe? Se você tem uma autoridade, ou ela é liberal demais, daí vem a idéia do limite, ou ela é limitada demais, daí vem a rebeldia. Se você coloca como: “Vamos ver, é a primeira vez para nós dois”, não precisa impor limites. Sempre teve muita conversa, troca.

 
 
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