E como você era na adolescência? Muito atirada para as coisas. Tenho um lado de me jogar e, ao mesmo tempo,uma coisa para
dentro, para coisas que me interessam
de verdade. E eu já era assim pequena. No
pré, ainda não conhecia livraria, mas já ia
para a biblioteca da escola. As colegas já pediam
para eu escrever ensaios para elas. Fui
reconhecida rápido. Era a única Bruna da
escola, praticamente do país.
Quando você decidiu ser atriz? Cedo. Fiz
jornalismo e propaganda e marketing, mas
ser atriz era um caminho natural por causa
dos meus pais. Talvez por eu ter começado
a trabalhar como modelo também. Um te
maquia, outro te veste, você é personagem
das pessoas. Eu nunca fui aquela menina
que sonha em ser modelo, atriz. Tudo na
minha vida veio antes de eu querer.
Até o marido [risos]? Sempre fui de namoros
longos, mas o Ri mudou tudo [Bruna conheceu
o marido durante as gravações da novela
Aritana, em 1978].
Sua relação com o Riccelli passa uma imagem
de ser perfeita. Vocês são lindos, inteligentes,
trabalham juntos... E é assim
mesmo, a gente não está mentindo. Para
você ter uma idéia, na minha casa quase não tem parede. Estou ficando cada vez
mais transparente. E o que o Ri e eu somos
juntos é de verdade. É difícil você encontrar
uma pessoa e acertar o passo. O Ri e eu
crescemos juntos. É uma sorte, um pequeno
milagre. Não sei como se constrói uma
relação. Sei é que tem trabalho, não vem
pronto. E até hoje fico perplexa com o olhar
dele para mim. É legal ter alguém que te
olha apaixonadamente.
Você planejou isso? Nunca. Nem nos meus
sonhos mais selvagens [risos]. Não fui criada
para casar numa igreja de branco, tanto
que não casei. Aliás, nunca me casei. Meu
sonho era viajar, conhecer lugares remotos,
ser a primeira a pisar em territórios. Imaginava
que talvez fosse uma grande repórter.
E nunca pensei que teria alguém para
compartilhar minha vida. Imagina o quanto
me surpreende a vida que tenho!
Você teve só um filho por opção? Porque
eu quis. Minha vida era complexa e eu achei
que ia dar conta de criar muito bem um.
A gravidez foi planejada? Não, foi surpresa.
E me dei ao luxo de parar de trabalhar.
Fazia umas fotos, umas campanhas, ganhava
uma graninha, mas trabalhar mesmo não
trabalhei. Depois de três meses que o Kim
nasceu, precisei voltar à ativa porque tinha
contrato. Aí me joguei na vida de novo e fui
criando o Kim.
Como é a relação de vocês? Nunca fui em
busca dos papéis sociais que uma família
tem ou parece que tem. Nunca falei: “Agora
o papel de mãe, eu preciso agir dessa maneira”,
ou o papel de esposa. Não achava que
eu tinha que preencher essas lacunas sociais.
Então, minha relação com meu filho
sempre foi quase de amigos.
Em nenhum momento essa relação atrapalhou
sua autoridade como mãe? Se você
tem uma autoridade, ou ela é liberal demais,
daí vem a idéia do limite, ou ela é limitada
demais, daí vem a rebeldia. Se você
coloca como: “Vamos ver, é a primeira vez
para nós dois”, não precisa impor limites.
Sempre teve muita conversa, troca.
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