Ao lado do marido, clicada por uma amiga fotógrafa, em 2000; e com o filho, Kim, aos 3 anos, no jardim da casa em São Paulo. Hoje ele é galã de seu filme
   
 

Tpm. Há incoerência na vida de Bruna Lombardi? Bruna Lombardi. Meu temperamento. Se você estiver na minha casa enquanto trabalho, vai ver que sou superzen. Mas às vezes me dá uns cinco minutos, tem um lado meu que é descontrolado, meio italiana.Me sobe o sangue se alguém falar ríspido. Vou dar um exemplo: uma vez eu estava num posto de gasolina na estrada e vi um caminhoneiro jogando pedra num cachorro. Desci do carro... O Ri falou que só viu uma criatura pequena fazendo assim [apontando o dedo] para um gigantão.

Talvez essas perdas de controle tenham te feito bem, afinal, você chegou aos 50 mais bonita que aos 30. Como construiu sua vida até aqui? Olha, qualidade de vida é fundamental. Eu entrevistei muitas mulheres no planeta inteiro e vi muitas lindas que tinham uma espécie de tensão. Quando a gente fica tensa, fica feia. Imagina a vida inteira assim. Se você não busca equilíbrio, é complicado.

Você disse que não contabiliza a vida e se esquece do que passou. Como é isso? Não sou uma criatura de guardar memórias. Outro dia, o Ri me mostrou um livro e falou: “Você lembra desse livro?”. Eu falei: “Não”. Era
O Livro dos Segredos, do Osho. Ele perguntou: “Você nunca leu?”. Eu falei: “Não lembro”. Ele falou: “Só que você fez o prefácio dele”. Quando li o prefácio, achei tão maravilhoso. Tão certo com o que eu achava naquele momento. Uma amiga minha falou: “É muita coerência”. Mas eu nunca me achei coerente.

Você nunca fez plástica mesmo? Vou fazer em breve [risos]. Tô brincando, mas vou fazer, sem dúvida. Um lifting na hora certa.

Quando você descobriu que era bonita? Descobri isso de tanto que me falavam. Mas nunca fui encanada. Quando era modelo, eu ia fazer foto de uniforme de escola, usava rabo-de-cavalo. Me arrumavam inteira, fazia a foto, pra mim era um personagem. Daí me desmoronava inteira e voltava de uniforme pra casa.

Como começou a ser modelo? Eu fazia aula de dança, e um cara de uma agência foi numa apresentação e me convidou pra fazer umas fotos. Aí foi muito rápido, eu até queria meio que me esconder...

Era tímida? Não, eu era moleque. Lacinho, bolsinha cor-de-rosa, não eram meu estilo. Eu andava com os meninos, ia para a rua.

Como foi sua infância? Eu era curiosa, queria viver tudo, acelerada. Sou filha temporã, meu irmão é dez anos mais velho. Meu pai era cineasta. Minha mãe, atriz. [Bruna é filha do diretor de fotografia Ugo Lombardi e de Yvonne Sandner]. Tínhamos grandes conversas. Uma família italiana, em que todo mundo sempre falou junto. Foi na primeira vez que assisti a um filme americano que vi que uma pessoa falava e a outra ouvia. Aí dava uma pausa, a outra respondia. Falei: “Que engraçado! Eles param e ouvem”.

Por que seu pai veio para o Brasil? Veio com minha mãe e com meu irmão nos anos 50, quando vários técnicos de cinema da Inglaterra e da Itália foram convidados para montar a Vera Cruz aqui. Ele era um aventureiro que saiu de Roma para isso. Trabalhou com Fellini, Rossellini, Vittorio de Sica. Veio para o Rio, onde nasci. Com uns 8 anos nos mudamos para São Paulo.

 
 
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