Em Avassaladoras, filme que protagonizou em 2002; e na pele de Jorge, em Primo Basílio, com estréia nos cinemas este mês
 

O que te deprime mais na vida? Acho que é esse personagem que eu viro. E essa coisa de estar em posição de ser julgado o tempo todo. Isso parece um tipo de vingança do público, pela vida “fácil” que você leva. Tem a ver. Uma vez, pra você ter uma idéia, eu estava quase sendo violentado em uma festa de ano-novo. Gente me agarrando, me puxando e rasgando a minha roupa. Um pai falou para a própria filha: “Pode pegar, faz o que quiser, porque a gente paga o salário dele.” É difícil, não dá pra sentar em uma praça, ficar sossegado. Mesmo que ninguém venha falar comigo, me sinto observado.

Você nunca se sente normal na rua? Olha, senti isso quando fui para Los Angeles há uns dois anos. Passei um tempo estudando lá e foi muito bom. Ninguém sabia quem eu era, ninguém me assediava. Então eu voltei a me aproximar das pessoas naturalmente, fazer amigos, conversar com o porteiro do prédio sem ter medo, sem achar que estavam me bajulando. Isso me fez voltar pro Brasil bem mais aberto.

Você tem medo de quê? Eu procuro não ter medo de nada. Eu devia ter medo de morar no Rio de Janeiro? Óbvio que sim, é só ler o jornal. Mas eu não sinto, meio que seja o que Deus quiser.

Seu carro é blindado? Putz, não fala isso... meu carro é blindado. Mas não modifico muito minha vida, hábitos. Não ando com segurança particular, Deus me livre.

Você é rico? No Brasil, sim. Às vezes ganho em um dia de trabalho o que meu pai não ganha no mês. Por outro lado, acho que o tanto que faço, que sou exposto, imagem vendida pro mundo inteiro... vale muito mais do que ganho. Acho que ganho muito pouco. Compara com os EUA. Se eu trabalhasse lá, aí sim eu seria rico. Digamos, um médico às vezes trabalha mais do que você e ganha muito menos. Esse médico tem a imagem massacrada? O que ele faz repercute num universo restrito. Meu trabalho repercute no Brasil e no mundo. Minha imagem gera grana pra muita gente, é justo que ganhe muito bem. Tem a ver com merecimento. Não sinto culpa de jeito nenhum.

Falando em culpa, você disse na última entrevista que deu à Tpm que queria fazer terapia. Você faz? Na época que eu mais precisava não fiz, não tive tempo. Mas de certa forma fiz com a Marília, que sempre foi uma mulher muito analisada. Agora voltei a ter vontade, mas eu ainda não tive coragem. Nunca tive um nó na cabeça que não soubesse desatar.

Você parece saber uma porção de coisas boas a seu respeito. Alguma coisa em você te incomoda?
É difícil falar. Claro que tenho todos os pequenos defeitos, mas uma coisa que me incomode... não lembro de nada agora. Tenho limitações, mas tudo bem, estou trabalhando pra vencer tudo isso.

Pra lembrar a sua ex: Gianecchini por Gianecchini? Sou um cara que quer acertar, que gosta de acertar. Sigo meus instintos e vou com tudo. É isso... sei lá, tenho boas intenções.






ESTILO: ANA HORA; ASSISTENTE: MARIANA FALBO; MAQUIAGEM: RODRIGO COSTA; ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: RAFAEL SOARES; TRATAMENTO DE IMAGEM: MAÍRA BARRETOAGRADECIMENTOS: EMPÓRIO ARMANI, HAVAIANAS E FÍSICO & FORMA

 
 
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