Mas quando você decidiu deixar de ser modelo pra ser ator? Olhando agora eu vejo que sempre quis ser ator. Sempre organizava teatro na escola. Desencanei na adolescência. Minha família era de funcionários públicos, então tinha mentalidade de ser médico, advogado. Fui retomar bem depois, quando já estava de saco cheio da carreira de modelo.
Mas pra ser modelo também tem que tomar uma decisão. Você fazia faculdade
de direito, queria ser diplomata... Eu nunca decidi. Nunca me achei bonitão, me
achava muito caipira. E pra mim modelo era uma coisa moderninha. Mas um dia fui
em uma festa, no primeiro ano da faculdade, e tinha um povo da moda. Me chamaram
pra trabalhar de cara. Fiquei muito tentado com a idéia de me manter. Independência
financeira sempre foi a coisa por que eu mais lutei na vida.
Por que isso? Meu pai é uma pessoa querida, mas é um italiano daqueles que gostam
de comandar. Enquanto eu não consegui minha independência financeira, tinha
que viver as regras dele. Nossa relação era muito conturbada. Depois que ganhei dinheiro
melhorou.
Quando você se viu em anúncios parou de achar que era caipira, se sentiu bonito? Às vezes me surpreendo. Tem a magia da foto, do vídeo, que faz com que você
tenha uma imagem bacana de si mesmo.De olhar e falar, “pô, sou mesmo bonito”.
E isso não te envenena, se ver sempre na melhor foto, em páginas inteiras, ser chamado
de sex simbol, mais cobiçado do Brasil? Cara, nunca me deslumbrei com isso. Primeiro porque essa carreira de modelo é muito irreal. Não tem esse glamour. E, do mesmo jeito que aparece bonito, tem que lidar com a rejeição o tempo todo, você escuta muito não. Essa realidade impedia de me sentir gostosão. E foi legal ter trabalhado antes com moda pra me preparar para a TV.
Por que te chamaram logo pro papel principal? Tinha esse negócio de ser bonitão,
um jovem que ia se apaixonar por uma mulher mais velha, misturar com minha
vida pessoal, eu já estava com a Marília. E foi engraçado, porque no teatro eu achava
novela uma coisa péssima. Mas, quando me perguntaram se eu queria ser protagonista
ao lado de Vera Fischer, falei “Vou!”. Comecei a dar valor. É difícil pra caramba, você faz entretenimento pra milhões de pessoas. Gosto de pensar que tem uma pessoa no Acre com uma vidinha sofrida que vai ter aquele momento de alegria com a gente. |