"Pode ter certeza de que quem eu estou comendo ninguém está sabendo, porque não faço na frente de ninguém "

 

E você nunca tomou uma atitude mais dura contra isso, pensou em processar o Nelson Rubens? Fiquei muito feliz de ganhar um processo. No meu primeiro papel, a Veja fez uma matéria muito, mas muito escrota. Não foi uma crítica, foi para me ridicularizar. Uma manipulação de fotos e informações para convencer as pessoas de que eu era um péssimo ator. Este ano ganhei o processo e posso dizer que tive a sensação mais viva de prazer ao dar o troco. Adoro pensar que posso ter um apartamento que a Veja me deu. Adoro.

Essa megaexposição te ajuda de alguma maneira, não sobe seu cachê? Sim... é uma faca de dois gumes. Claro que eu ganho dinheiro em cima da imagem de galã, de sex simbol. Toda campanha tem a ver com desejo e, em última análise, com apelo sexual. Mas não baseio minha carreira nisso, em ser gostosão, fazer propaganda. Mas a perda da privacidade e a possibilidade de as pessoas falarem o que quiserem é um preço altíssimo. Eu já parei muito pra repensar minha vida.

E não largou a carreira por quê? Porque essa profissão é o que eu quero pra mim, é minha vocação. Eu não tenho um plano B.

Você se acha um bom ator? É tão difícil falar “sou bom ator”. Eu ainda estou na fase do aprendizado, e acho que talvez me sinta assim a vida inteira. Mas eu sou iniciante mesmo, sete anos é muito pouco tempo.

Mas você fez teatro antes de ir para a TV, não? Seis meses. A minha primeira peça foi com o Zé Celso, no Oficina. Fiz quatro apresentações na peça Cacilda! e ele me chamou pra fazer Boca de Ouro desde o começo.

 

Mas quando você decidiu deixar de ser modelo pra ser ator? Olhando agora eu vejo que sempre quis ser ator. Sempre organizava teatro na escola. Desencanei na adolescência. Minha família era de funcionários públicos, então tinha mentalidade de ser médico, advogado. Fui retomar bem depois, quando já estava de saco cheio da carreira de modelo.

Mas pra ser modelo também tem que tomar uma decisão. Você fazia faculdade de direito, queria ser diplomata...
Eu nunca decidi. Nunca me achei bonitão, me achava muito caipira. E pra mim modelo era uma coisa moderninha. Mas um dia fui em uma festa, no primeiro ano da faculdade, e tinha um povo da moda. Me chamaram pra trabalhar de cara. Fiquei muito tentado com a idéia de me manter. Independência financeira sempre foi a coisa por que eu mais lutei na vida.

Por que isso? Meu pai é uma pessoa querida, mas é um italiano daqueles que gostam de comandar. Enquanto eu não consegui minha independência financeira, tinha que viver as regras dele. Nossa relação era muito conturbada. Depois que ganhei dinheiro melhorou.

Quando você se viu em anúncios parou de achar que era caipira, se sentiu bonito? Às vezes me surpreendo. Tem a magia da foto, do vídeo, que faz com que você tenha uma imagem bacana de si mesmo.De olhar e falar, “pô, sou mesmo bonito”.

E isso não te envenena, se ver sempre na melhor foto, em páginas inteiras, ser chamado de sex simbol, mais cobiçado do Brasil? Cara, nunca me deslumbrei com isso. Primeiro porque essa carreira de modelo é muito irreal. Não tem esse glamour. E, do mesmo jeito que aparece bonito, tem que lidar com a rejeição o tempo todo, você escuta muito não. Essa realidade impedia de me sentir gostosão. E foi legal ter trabalhado antes com moda pra me preparar para a TV.

Por que te chamaram logo pro papel principal? Tinha esse negócio de ser bonitão, um jovem que ia se apaixonar por uma mulher mais velha, misturar com minha vida pessoal, eu já estava com a Marília. E foi engraçado, porque no teatro eu achava novela uma coisa péssima. Mas, quando me perguntaram se eu queria ser protagonista ao lado de Vera Fischer, falei “Vou!”. Comecei a dar valor. É difícil pra caramba, você faz entretenimento pra milhões de pessoas. Gosto de pensar que tem uma pessoa no Acre com uma vidinha sofrida que vai ter aquele momento de alegria com a gente.

 
 
   | home | 01 | 02 | 03 | 04 | 05 | 06 | 07
comente