Com o marido em Madri, em 2006: "Adoro a relação que a gente construiu e quero que seja pra sempre;" mãe e filho dois anos atrás; e o Kid Abelha hoje
 

Você escreve sobre deixar seu filho ir embora. E você, como filha, já conseguiu deixar os traumas para trás, seus problemas com sua mãe (Paula foi criada pelo pai e pelos avós e sempre foi distante da mãe)? Claro. Eu já nasci dando tchau. E nunca tive problema com mãe simplesmente porque nunca tive.

Você não tem problema algum por nunca ter tido?
Não. Falando sério. Eu nunca tive, então não sentia falta de algo que não tinha. Tinha família, morava com meu avô e minha avó e eles exerciam esse poder de autoridade, estavam sempre lá. Não tinha problemas com isso e nem sofro por causa disso. Minha mãe foi embora muito cedo, não foi alguém que perdi.

Há uns 15 anos seu único irmão morreu em um acidente de ônibus. Você já levou alguns golpes fortes da vida, não é? Acho que todo mundo leva, né? Se você vive muito, acaba passando por essas coisas. Acontece na vida de todo mundo.

Você acha que levar esses golpes te deixa mais forte? Você fica menos fresca. Eu me tornei uma pessoa que aproveita mais a vida. Aprendi a aproveitar melhor até os problemas, aprender com eles e resolver. Passei a ter uma urgência com a vida. E aprendi que tenho uma capacidade incrível de superar coisas. Mas essas coisas acontecem com todo mundo. Tem gente que passa por um susto e é como se não tivesse passado, fica tentando não pensar naquilo. Cada um reage de uma maneira.

Você faz análise há muitos anos. Sofre seus lutos, fica em casa triste? Eu me dou um tempo. Mas esse tempo é curto. Uma hora eu levanto e vou para a rua arrumar alguma coisa para fazer. Não gosto de ficar remoendo a dor. Uma coisa é a depressão pós-trauma. Mas, quando percebo que estou faturando aquela dor, já não gosto e falo: “Opa! Vou sair”.

Suas letras são melancólicas, mas você não parece ser uma pessoa melancólica. Não pareço? Sou uma pessoa muito ligada à cabeça, não sou tão prática. Sou capaz, por exemplo, de entrar em um livro e não sair dele nunca mais.

Mas você consegue cuidar da parte prática. É boa dona de casa? Sou. Na verdade, a minha casa é organizada porque o Lui é muito organizado. Ele sabe o que fazer. E eu obedeço [risos]. Quando morava sozinha e ele veio morar comigo, colocou ordem na casa. Já começou a martelar e arrumar tudo o que estava quebrado. Ele tem talento manual, eu não tenho. Gosto mais de comprar as coisas. Ele pensa: “Como eu posso fazer isso?”. E eu penso: “Onde vou comprar isso?”.

Você está casada há 19 anos. Isso é muito tempo... Não acho que seja muito tempo. Vou ficar a minha vida toda com o Lui. Tá, pode acontecer alguma coisa e isso não dar certo. Mas se a gente não ficar junto para sempre eu vou ficar desesperada, arrasada, completamente sem chão. Adoro a relação que a gente construiu e quero que seja para sempre.

Você tem essa certeza desde que vocês se conheceram?
Não, a certeza vem conforme você vai construindo a vida com a pessoa. Quando conheci o Lui, estava bem enrolada afetivamente. Mas ele me pegou de um jeito que pensei: “Nossa, ferrou”.

FLÁVIO COLKER PRODUÇÃO DE MODA ANA PAULA ESPINOZA MAQUIAGEM PAULO FILATIER (GLLOSS) COM PRODUTOS LANCÔME E TECNIART ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA ANTÔNIO KLÉBER E FERNANDO YOUNG

 
 
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