Em uma das músicas do disco novo, “Rústica”, você diz que é amiga dos meninos. Você
é também chefe dos meninos? Não, gosto de trabalhar com gente que tem opinião.
Sou parceira dos meninos. A gente fica horas tocando, depois come um sanduíche na
esquina, volta e a música rola melhor. Eles são mais novos [dos cinco integrantes que
acompanham Paula no disco solo, o mais velho tem 34 e o mais novo, 30], gostam daquela coisa de sair à noite, ir à Lapa, depois me contam como foi, porque sair à noite eu não saio mais, não tenho paciência.
O seu filho está com 17 anos. Ele gosta de Kid Abelha? Claro! [Risos.] Na minha casa a rotina é esta: cinema e música. Ele foi criado assim e a família do meu marido é
do cinema. Isso para ele é normal. Mas ao mesmo tempo na minha casa temos uma
rotina familiar, normal. A gente não tem nada a ver com os Ozzy. Sou bem organizada.
E agora o Gabriel me mostra as bandas novas. É o que eu te disse: tudo de
bom da minha vida veio da música.
O Gabriel ficou muito visado agora por causa do sucesso de “8 Anos” com a Adriana
Calcanhoto, não é? Ele virou um super-herói para as crianças. E o engraçado é que elas
o vêem e levam um susto, porque o Gabriel é um homem de um metro e oitenta!
E agora tem essa nova música para ele (“Barcelona 16”, na qual Paula descreve a
partida do filho para um intercâmbio), o que ele achou? Não sei, ouviu e não falou
nada. A música é sobre a emancipação. Tem uma hora que você tem de deixar seu
filho ir. É um segundo parto, até mais difícil que o primeiro. Eu, pessoalmente, não
gostei muito de ficar grávida, achei chato, sou muito esportiva. Então, quando ele nasceu,
foi maravilhoso e fiquei encantada. E ainda era menino! Adorei. Agora é o momento
de olhar para aquela pessoa que você criou, ama tanto, conhece tanto, e se separar
dela. É duro. Tentei descrever bem essa sensação. E derrubei várias amigas, já
mães de adolescentes, com essa música. Elas choraram muito.
Na entrevista que você deu para as Páginas Negras da Trip, em 1999, disse que não tinha muitas amigas mulheres. Tenho várias amigas mulheres, sim. Adoro. Tenho amigas muito bacanas com as quais me identifico. Meu problema é com o lado mulherzinha.
Mas as minhas amigas são independentes também, atuantes, com quem me identifico
muito. Me identifico até com o lado mulherzinha delas.
Não é difícil fazer uma vida familiar dar certo? Você é casada há 19 anos... Conviver
três pessoas juntas, na mesma casa, não é fácil. Ainda mais que vim de uma família
maluca, com tudo errado. Como é que eu vou viver esse dia-a-dia, sabendo que você
tem que ceder em algumas horas, ser solidária em outras? Em que horas vou ser a
rainha e o centro da casa, em que horas vou ceder. Geralmente sou a rainha, as coisas giram em torno de mim.
Por quê? Porque eu estou sempre esperando a presença do Lui nas estréias, querendo a opinião dele. Inclusive porque ele foi um dos principais responsáveis por eu ter me embrenhado nessa viagem de ser artista e não ser apenas uma garota que canta em uma banda. Ele sempre puxou muito a minha orelha, me empurrou. Ele não me dá
mole mesmo. |