aula Toller não sabia, mas ao chegar para entrevistá-la em sua gravadora, no Rio de Janeiro, eu carregava, além de três páginas de perguntas, uns cinco pedidos de casamento. Cada amigo para quem eu dizia que entrevistaria a moça falava que queria
casar com ela. E quando ela entra, sem um pingo de maquiagem no rosto, cabelos presos e unhas pintadas de rosa, penso que meus amigos têm bom gosto. Mas pouca sorte. A maior pop star mulher brasileira (você pode não gostar dela nem da sua banda, mas não dá para negar que a moça, com 20 anos de carreira, ainda lota estádios e é responsável por aquelas músicas que a gente sabe cantar de trás pra frente desde a adolescência até hoje) é casada há 19 anos com o cineasta Lui Farias e não acha que isso seja muito tempo. Quer passar o resto da vida com ele. E é mãe de Gabriel, 17, o famoso Gabriel da música “8 Anos”, estrela do primeiro CD solo de Paula, Paula Toller, lançado há nove anos e eternizado por Adriana Calcanhoto em Adriana Partimpim.
Paula é exigente. Escolhe o fotógrafo, o figurino, pensa em como vai ser a capa da revista e exige que eu ouça seu novo disco solo, SóNós, antes de entrevistá-la. Mas não tem pose de pop star nem parece sofrer de dramas do sucesso. Chega dirigindo seu
próprio carro, fala olhando nos olhos e depois tem hora marcada no analista. Como uma garota normal.
Garota nem tão garota, se é que idade nesse caso importa. Paula tem 44 anos, mas acha que idade é uma bobagem, já que é uma coisa prática, que a gente não tem como fugir. Os anos de divã (ela já parou de contar quantos são) fazem dela uma daquelas moças sábias, que conseguem fazer piada séria (sim, isso existe) até mesmo com a morte. Ela, aliás, gostaria de ter um número secreto para falar com quem já morreu e perguntar como é do lado de lá. Paula não faz drama nem ao falar de episódios difíceis de sua vida. Foi criada longe da mãe, que, segundo ela,“não existe”, e sofreu a morte do único irmão em um acidente há mais de 15 anos. Acha que a vida é assim, que todo mundo já passou, ou
um dia vai passar, por coisas doloridas mesmo. No disco que é lançado este mês, dá várias pistas sobre sua personalidade. É uma moça que não dá mole. E foi pega por um
homem que não deu mole pra ela, como fala na música “Você me Ganhou de Presente”.
Em outra faixa,“Barcelona 16”, mais confessional ainda, fala sobre o crescimento de
Gabriel.“Leva seu violão, dentro do mochilão, leva também o meu coração.” Mas o
melhor é que a maior pop star brasileira nem se considera pop star. “Sou uma pessoa
que escreve. Às vezes ando na rua e penso: ‘Nossa, olha que vagabunda que eu sou,
uma pessoa que escreve’.”Nas próximas páginas, Paula fala. |