Agora que você se convenceu de que o Wagner Moura é um cara realmente bacana e não só um rostinho bonito da TV, a gente pode falar mais dele. E até sobre o vilão Olavo, de Paraíso Tropical. E tam­bém contar como é o mo­mento em que o ator de Salvador, criado no teatro junto com amigos como Lázaro Ramos, vi­rou protagonista de uma novela das oito da TV Globo. O melhor de falar sobre o “auge” de carreira com Wagner é que ele parece não ligar muito (na verdade, nem se sente “no auge”). “O texto do Gilberto Braga é inacreditável de bom. Quando pensei que ia fazer um vilão escrito pelo cara que criou Odete Roitman, fiquei chocado.”
- Mas sua vida não mudou agora que você faz um galã na Globo?
- Não...
- Você não é muito assediado na rua? - Não.
Wagner fala isso com tranqüilidade e eu garanto – depois de conversar com ele na casa onde mora com a mulher, a fotógrafa Sandra Delgado, autora das fotos deste ensaio, e o filho, Ben, de 9 meses – que ele diz a verdade. Andamos juntos pelas ruas do Jardim Botânico até um táxi. Ninguém olha para ele de um jeito estranho. Ninguém se cutuca. O ator anda na rua como se fosse um amigo qualquer. “Acho que a postura que eu tenho, de não me expor, não aparecer com a minha família nos lugares, faz com que as pessoas percebam que a minha praia não é essa”, conta o baiano de 30 anos. O sucesso, que chegou para ele e os amigos de maneira acachapante depois que a A Máquina, dirigida por João Falcão, estreou no Rio de Janeiro em 2000, não fez com que ele se deslumbrasse, tampouco panicasse. Foi depois dessa peça que ele e seus amigos Vladimir Brichta e Lázaro Ramos viraram estrelas.
- Tem uma música do Morrissey que chama “We Hate When our Friends Become Successful” (“Nós odiamos quando nossos amigos começam a fazer sucesso”). Você não se identifica com isso?
- [Risos] Não, quando eu vi que o Lázaro tinha virado uma celebridade achei muito bacana. Ele, além de tudo, tem um papel social importante hoje. E foi com Lázaro, amigo de todas as horas, que Wagner passou por uma das poucas situações bizarras de um vilão protagonista de novela. “A gente tava na rua e uma senhora parou e começou a falar para o Lázaro: ‘Diz pro seu amigo que ele não presta, que é um absurdo ele fazer as coisas que faz’. Ela estava com tanta raiva de mim que se recusou a olhar na minha cara!”, lembra o vilão, que, definitivamente, não se enxerga como uma pessoa famosa. E também não se acha bonito.
 
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