Nilza é mãe de Angélica e Valéria da Silva Marinho
A prostituta Nilza fez a caçula Angélica casar aos 16 anos, quando ela transou pela primeira vez. “O rapaz já tinha tirado a virgindade de outra filha minha, tava pensando o quê?” A menina, hoje com 18 anos, concordou porque gostava do moço, mas a relação não durou mais que um ano. Ela nunca teve curiosidade de se arriscar como prostituta. Pretende terminar o curso de enfermagem e prestar vestibular para ortopedia. Já Valéria, 31, a filha mais velha, segue os passos da mãe quando as contas apertam. “Mas não gosto. Acho nojento, tem que ter muita disposição. Faço por causa dos meus quatro filhos”, enfatiza. Nilza faz questão de dizer que não há competitividade entre elas e conta que até passa seus clientes para a herdeira, dizendo que é carne nova, que ela está precisando. “Fico feliz de ver minha filha ganhando seu dinheirinho”, orgulha-se ela, que também já foi servente e varredora de rua. Valéria mora com o marido e os filhos na casa colada à da mãe, no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (Rio de Janeiro), para lá do piscinão de Ramos, onde Angélica gosta de ir aos fins de semana. A “casa das seis mulheres” é sempre um entra-e-sai e as irmãs adoram se reunir para ir ao forró. Quando o dinheiro dá, claro. No dia em que a reportagem da Tpm chegou lá, Angélica negociava a dívida do cartão de crédito pelo telefone e a mãe desabafava o arrependimento de ter confiado o cartão na mão da menina. Elas cresceram sabendo sobre o trabalho de Nilza e isso nunca foi um problema. Quando ela dorme fora de casa, as duas filhas vão esperá-la no ponto de ônibus. Tem dias em que a mãe chega chorando, como quando foi estuprada. Outras vezes, consegue bons programas e vão comemorar nas cachoeiras de Tinguá, região onde passam o domingo. Nilza diz que já está se aposentando, mas não dispensa cliente se aparecer. |