Maria Aparecida é mãe de André e Camila Alves da Silva
André, 18, esperou na Central do Brasil, Rio de Janeiro, enquanto a mãe fazia um programa.?Ele, que até cumprimentou o freguês, não atrapalha o serviço de Cida, mas também não quer saber detalhes. É assim há três anos, desde que ela abriu o jogo. “Perguntou se eu concordava. Fiquei com aquilo na cabeça, sem saber o que pensar.” Resolveu não pensar. “Respeito, é com esse dinheiro que ela me sustenta, mas não fico imaginando”, diz. No ano passado, foi com os amigos atrás de garotas de programa para entender o outro lado. “Prefiro ficar com alguém por mais tempo, mas queria saber o que elas sentiam”, conta. Dos quatro filhos, ele é o caçula e apenas uma vez partiu para a porrada quando um garoto falou mal de Cida. A reportagem da Tpm encontrou mãe e filho na Central do Brasil e seguiu para a casa onde moram, em Itaguaí, a 73 quilômetros do centro do Rio. A irmã Camila, 22, nos esperava com cadeiras emprestadas da igreja e café feito no bule. Os cômodos são divididos por cortinas e tira-se o sapato na porta para pisar no chão de cimento. Também estavam a mãe de Cida, suas duas filhas adotivas e os netinhos. Camila sabe do trabalho da mãe desde os 12 anos, quando ouviu a conversa dela com a tia. Hoje, a garota é sua confidente. Teve três filhos, entrou para a igreja batista e, enquanto não volta a estudar, prefere os cerca de 200 reais que ganha como consultora da Natura a se prostituir. “Nunca critiquei, mas não consigo nem pensar em trair meu marido, imagine trabalhar nisso”, diz Camila. André não esconde a devoção pela mãe. “Já falei para minha namorada que é bom ela se dar bem com a sogra porque, se minha mãe falar que uma mulher não é para mim, vou ouvi-la”, avisa o filho, que junta dinheiro para tatuar a frase “mamãe eu te amo”.
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