Quando surgiu a primeira peruca na sua vida? Um dia mandei fazer uma com rabo de cabelo falso. Queria cabelo de negro. Desde a infância. Quando era pequena, lá na roça, e as negras tiravam as tranças e o cabelo ficava enorme, eu ficava encantada! Que cabelo maravilhoso! E elas diziam: “Não, o teu que é bom, e o nosso é ruim”. Achava o meu cabelo bem pior. Então, pensei em um dia ter cabelo de negra.
Por que Chacrinha foi tão especial? Primeiro porque ele é gênio. Gênio não dá para explicar. O mais importante: o Chacrinha era brasileiro! Nós não temos mais nada brasileiro. Silvio Santos é cópia de Estados Unidos. Ratinho também é cópia de baixaria americana. Nós viramos americanos. Na hora que demos a bunda para o americano, fodeu.
Quando surgiu o termo Maravilha em seu nome? Foi Daniel Mas, jornalista já falecido. Recebi o apelido em 1973, um ano depois de eu começar com o Painho [forma como Elke se refere a Chacrinha].
Como foi trabalhar com o Silvio Santos? [Silêncio] Ele não é uma pessoa legal.
Por quê? Os valores são muito diferentes... Uma pessoa que joga aviãozinho de dinheiro e faz as pessoas se amesquinharem é estranho... O Silvio Santos tentou me manipular. Ele ficou puto. Queria que eu desse zero para o calouro... Dizia que eu atrapalhava o programa, pois só dava nota máxima. Respondia dizendo que daria zero só se ele levasse políticos como o Quércia ao programa. Não sou covarde. Continuei dando 10.
Quais são os homens que você admira? Tem dois homens que admiro muito hoje em dia. Um é de Câncer, Nelson Mandela, e outro é de Peixes, Osama bin Laden.
O Osama mostrou que tudo é possível. Basta acreditar... Impressionante aquilo... Foi nos colhões do poder... Um divisor de águas: é antes dele e depois dele.
Além de ter uma atitude diferente no modo de se vestir, por que você virou símbolo de transgressão na década de 70? Porque nunca fiz o jogo dos outros. O que as pessoas achavam bom eu não dava valor. Claro que não estou fora do sistema. Mas nunca dei valor, por exemplo, a ser contratada da TV Globo. Outro momento marcante foi minha prisão em 1971. Cheguei ao aeroporto e vi cartazes “procuram terroristas”. Saí rasgando tudo e fui presa na hora.
Quanto tempo ficou presa? Seis dias. Numa cela com quatro subversivas e duas reféns – uma de 13 e uma de 15. A Zuzu Angel que me tirou de lá.
Como foram os dias na prisão? Não aceitei usar o uniforme de presa. Lembro que estava com a roupa rasgada. Disse que não ia trocar. Até a hora que fui interrogada. Peguei um lápis verde, fiz uma sobrancelha enorme, enchi a cara de ruge e desenhei uma boca gigante. Eu tinha um diabinho de camelô na bolsa, que fazia fuc-fuc... Até que me deram uma porrada na cara. Não fui torturada. |