A vaidade feminina lhe tirou das competições. A saltadora Maurren Higa Maggi, de 30 anos, foi expulsa do atletismo em 2004 pela Federação Internacional das Associações de Atletismo (IAAF) por causa de uma pomada cicatrizante, usada após a depilação a laser. O esteróide anabolizante clostebol, na fórmula do remédio, apareceu em seu exame antidoping, em julho de 2003, após ela ter faturado a medalha de ouro no Troféu Brasil. O caso ganhou as manchetes dos jornais, até dos estrangeiros. Quando parou de competir, em agosto de 2003, era a líder do ranking mundial do salto em distância. Estava prestes a embarcar para Santo Domingo, na República Dominicana, para ganhar o ouro nos Jogos Pan-Americanos. Na seqüência, partiria para o Mundial de Paris. “Fui suspensa por um crime que não cometi, mas tinha de responder pelo que estava no meu organismo”, fala Maurren, que voltou a treinar em dezembro de 2005.

“Na época, me senti prejudicada. Estava fora do atletismo de uma maneira errada. Não era assim que queria sair.” A raiva passou. A mágoa, não. Comenta que seu afastamento foi a maior tristeza da família. Principalmente para o pai – fanático pelos Beatles, colocou na filha o nome da esposa do baterista Ringo Starr. Ele ficou desesperado. Maurren também. Era uma dor lá no fundo. Sentia-se impotente.
 
Três anos se passaram e a Maurren que volta às pistas é outra. “Estou mais madura, capaz e mãe.” Longe das pistas, passou por uma reviravolta. Sua vida era o esporte. Natural de São Carlos (SP), chegou ao Projeto Futuro do Ibirapuera, na Capital, quando tinha 17 anos e saltava 5m40. Num pulo, chegou ao recorde sul-americano e melhor marca de 1999, quando saltou 7m26 – até hoje a melhor marca do continente. Ainda em 99, com 23 anos, ganhou duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. Estava na elite. Brigava com os principais nomes da Europa. Em 2003, forçada a parar, mergulhou de cabeça em outra paixão. Viveu em função do namorado, o piloto Antônio Pizzonia. Freqüentou o circuito da Fórmula-1. Casou, engravidou, deu à luz uma menina, Sophia, separou... “Fiz tudo o que não faria se estivesse competindo. E não praticava esporte algum. Nem correr na praia”, conta a atleta, que chegou a pensar em jogar tênis como hobby.
 
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