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Quem era? Ryan O’ Neil. Ele era muito lindo e muito, muito, muito bonzinho. Adorável, adorável... Uma pessoa adorável. Só que eu sou muito saudável e ele tinha as suas fraquezas, gostava de tomar umas coisas e eu ficava com um pouco de medo. Mas era maravilhoso. Tinha um corpo que era uma coisa, tinha aquela pele muito soft, lindo, a boca, tudo. Era doce, uma pessoa muito doce.
Mas e a Marina nessa história? A Marina é uma pessoa maravilhosa, ela entendia, e também tinha os seus namorados. Ela sim teve um flerte incrível com o Alain Delon. Nós éramos muito modernas, né? E ela namorou tanto homem bonito... A gente não era fanática, não. Tudo é teste. Ela entendia muito bem os meus flertes, os meus romances, as minhas coisas. Agora, é muito importante você pensar que acima de tudo tem uma amiga, de verdade. A Marina liga pra saber como é que estão as coisas no Ceará, ela é como se fosse da família.
Você sente saudades daqueles tempos? Não tenho por que sentir saudade. Foi um período muito bom. Mas é sempre bom. Estou aqui com vocês e é tão bom, não podia ser melhor!
Como o Visconti entrou na sua vida? Em Paris fiz uma série de amigos e conheci um grupo de italianos. Eles me convidaram pra passar uma semana com eles na Itália. Nessa viagem, conheci Helmut Berger, que tinha acabado de fazer um filme de Luchino [Visconti]. Era um grande amigo dele e também da Marina Cicogna, produtora dos maiores filmes da época e que depois se tornou uma grande amiga minha também. Em 67, fui com eles pra Roma e o mundo se abriu. Já não queria mais casar nem nada. Fui pra Roma acreditando que ia ficar somente uma semana, mas a Marina tinha um apartamento lá e disse: “Por que você não fica mais tempo?” Fui ficando, ficando e estou lá até hoje.
E como foi essa época? Eu fiquei muito íntima do Luchino. Ele era mais ou menos o pai de todos os atores e muito amigo do Helmut. Eu vivia com o Helmut e, quando a gente saía, nos vestíamos estilo dress to kill para chocar a burguesia. A gente fazia um escândalo, saía por Roma e dizia tanta besteira [risos]. Eu tinha um vestido, quer dizer, uma míni dourada com calcinha da mesma cor e um top pequenino e também dourado. Ficava quase nua e dançava, dançava a noite inteira.
E o Visconti foi responsável por apostar em você como atriz? Eu fiquei realmente próxima do Luchino, eu o via como um pai. Fui para a casa dele em Ischia, e ele começou: “Você tem que fazer cinema, Flori, tem que fazer”. E eu não queria, imagina que tinha medo até de tirar fotografia! Quando ele descobriu que eu sabia poesia de cor, ficou louco, e fiz um teste que durou três dias em que eu recitava em francês. O que me ajudou foi a paixão do Luchino pela França. Ele tinha sido assistente de direção do Jean Renoir, e, imagine só, teve até uma relação com a Coco Chanel! Ele projetou a paixão dele pela França em mim, era como uma brincadeira pra ele.
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