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Até em homem, mas o assunto não é esse. Esta Tpm é sobre o dom feminino de acreditar nas coisas – nas deste e principalmente nas de outros mundos. Não chega a ser um levantamento estatístico (quem liga pra isso numa hora dessas?), mas parece haver mais mulheres do que homens em igrejas, terreiros, tendas de cartomantes e afins.
Homens? Não faltam idiotas da objetividade. Esses, na melhor das hipóteses, racionalizam a dúvida e dão lustro à própria incredulidade com Fernando Pessoa, via Alberto Caeiro: “Não acredito em Deus porque nunca o vi./ Se ele quisesse que eu acreditasse nele,/ sem dúvida que viria falar comigo/ e entraria pela minha porta dentro/ dizendo-me, Aqui estou!”. Cético, mas limpinho.
E você, leitora, acredita em quê?
Duendes?
Tá, falando sério:
Você acredita que há uns dois mil anos viveu um homem que era Deus? Que Plutão, mesmo rebaixado a planeta-anão, continua influenciando seus humores? Que há milênios um outro homem guiou seu povo à Terra Prometida, cruzando a pé o Mar Vermelho? Que cachaça e farofa numa esquina fazem um agrado ao orixá? Que um ovo atrás do seu computador evita tilts (não chega a ser uma religião monoteísta, mas juro que um cara diz isso na matéria “Paraíso dorme-sujo”)? Que um mártir é recebido por virgens no paraíso? Que redemoinho de vento no mato é disfarce de negrinho de uma perna só e gorro vermelho? Que um príncipe indiano deixou a riqueza para trás e atingiu o nirvana? Que, quando a fitinha de pano amarrada no pulso se romper, seu desejo vai se realizar? Que dá pra trazer a pessoa amada em três dias?
É bem provável que você tenha respondido “sim” não apenas uma, mas várias vezes. Pois é, pra que acreditar em apenas uma coisa quando se pode acreditar em muitas?
Até na hora de crer, mulher e homem são diferentes. O filósofo Mario Sergio Cortella defende que homens, ainda que místicos, ficam mais focados. Ou seja, se entram na Assembléia de Deus, não há Cristo que faça o fulano dar uma passadinha na Sara a Nossa Terra, Deus É Amor ou Bola de Neve.
Com as mulheres, costuma ser diferente. Para vocês, é mais comum encarar a fé como uma espécie de faça-você-mesma espiritual. Um tanto de dogma católico, um pouco de cabala, um mantra entoado numa língua que você não conhece, uma passada de olhos no horóscopo, uma superstição de família: está pronto mais um exclusivo sistema de crenças personalizado.
E, se alguém se arriscar a dizer que esse remix todo é bobagem, não acredite. Mulher acredita em quase tudo.
Fernando Luna é cético, mas só durante o dia
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