P, M e G. Você escolhe

Escolher um vibrador não é mais tarefa fácil, dado o excesso de opções (só nas páginas seguintes são 18 modelos). Quem quer ser realmente moderno, pode comprar um iBuzz. Trata-se de um aparelho que, conectado ao badalado iPod, vibra ao som da música que você escolher. Já existe também um que começa a funcionar por meio de toque do celular: você liga para a pessoa e aciona o seu vibrador. Mas será que isso tem alguma utilidade ou é papagaiada demais? “Acho que isso funciona mais como jogada de marketing, sexo não é uma coisa assim tão mecânica que você vai discar um número, fazer vibrar e ter prazer. Sei que isso é uma brincadeira, mas que pode vir a vulgarizar o sexo”, atenta a médica Sonia Rolim.

O sonho de consumo de mulheres conectadas (literalmente) a vibradores, são os de controle remoto, que vibram em várias intensidades (para os lados e para a frente). Thalma se encantou por um que viu na sex shop onde foi fotografar para esta reportagem, mas desistiu de comprar por causa do preço. “Era quase 900 reais. Mas comentei com meu marido e ele disse que podemos comprar mais barato na Europa.” Sim, vibrador virou peça que você encomenda da “gringa”, como qualquer eletrônico. Nesse vaivém internacional, a vocalista da banda Biônica, Joana Ceccato, de 35 anos, deu sorte. “Uma amiga minha que estava morando nos Estados Unidos comprou um, achou que era muito grande para ela e mandou pra mim de presente, por Sedex.” O vibrador de Joana tem como tema “a princesa e o castor”. “Ele vibra no clitóris e tem outra parte que penetra”, explica. A primeira coisa que Joana fez quando ganhou o presente foi usar, claro. “Adorei, fiquei impressionada. Mas com o tempo cansei. É realmente muito grande, você precisa estar muito no clima.” Hoje, o vibrador está no armário. “Serve pra mostrar se o namorado quiser tirar uma onda. É um bom brinquedo, mas pra mim enjoou.” O vibrador de Joana virou muso. Em uma das músicas de sua banda, ela escreveu: “te deixo o meu vibrador que está guardado no armário, uma foto pelada do meu namorado. E um forninho que nunca foi usado”. O forninho nunca foi usado, reparem. Já o vibrador...

A “revolução dos vibradores” empolga a escritora Ivana Arruda Leite, de 55 anos. “Acho que depois da queima dos sutiãs temos este momento maravilhoso que é a liberação da masturbação feminina. Isso é uma revolução”, comemora. A alegria de Ivana tem razão de ser. “Quando eu tinha 30 e poucos anos nenhuma amiga minha tinha vibrador, muito menos eu. Falar em masturbação era praticamente proibido. Se as moças de hoje dizem que compram vibrador, estão assumindo publicamente que se masturbam, o que é maravilhoso.”

 

   
 
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