“Ter um vibrador é um sinal de respeito por si mesma e pelo seu prazer.” Assim, a atriz da Globo e vocalista da banda carioca Orchestra Imperial, Thalma de Freitas, 33 anos, define a sensação que teve, há quatro anos, quando entrou sozinha em uma sex shop do Rio de Janeiro e gastou 300 reais com um vibrador que vinha com três capinhas diferentes, estilo multiuso. “Sabe por que comprei? Estava cansada de dar para os caras errados”, diz. “Queria me preservar mais, mas também não estava a fim de abrir mão de sentir prazer.” Se Thalma sentiu vergonha na hora em que entrou sozinha na sex shop? Nenhuma. “Pelo amor de Deus, não é possível que as pessoas ainda tenham vergonha de uma coisa que é para elas. Vergonha, eu tenho de ter beijado alguns caras errados!” Gostou tanto do primeiro brinquedinho que eles viraram mania. Thalma tem uma pequena coleção de vibradores e gosta de chamá-la de kit do prazer.

A naturalidade em falar desse assunto e dizer, sem firulas, que vibradores fazem parte da vida será, no entanto, uma mania isolada, de determinados grupos de mulheres? Ou quase toda moça moderna necessariamente já experimentou o brinquedinho? Conversando com outras mulheres, chegamos à conclusão de que, como tudo relacionado a preferências sexuais, não há regra.

Ex-apresentadora do extinto Erótica MTV ao lado do psiquiatra pop Jairo Bouer, cuja tônica era justamente a sexualidade, a paulistana Tatiana Mancini, 32 anos, conta que tem, sim, um vibrador, mas diz que nunca se animou a usar sozinha. A graça, garante ela, é usufruir do brinquedinho com o marido. “O vibrador é um instrumento, um complemento. Ensina caminhos, propõe um ritmo. Serve mais para erotizar a história do que dar prazer. É só um acessório que acrescenta”, defende ela, dizendo ainda que vibradores não devem ser tratados como soluções para a falta de um parceiro. “Trata-se de um ato solitário, e não há quem viva sozinho.”

 

Você não tem?

Se você está lendo tudo isso e se sentindo um ser do outro planeta por nunca ter visto um vibrador, saiba que está longe de ser a única. A vereadora e comentarista de futebol da ESPN Soninha Francine, de 38 anos, faz parte desse time. “Nunca peguei um na mão, só conheço por foto. Não me interessa, não me dá o menor tesão”, admite. “A origem do prazer está no cérebro e, se você não tem condições mentais, não é um vibrador que vai te dar mais tesão. Agora, se hoje as mulheres admitem que gostam e buscam mais prazer, sendo capazes de ir lá e comprar um objeto pra se satisfazer, acho muito positivo.”

Independentemente de gostos, falar de vibradores deixou de ser assunto para cochichos e se tornou um papo normal. Basta lembrar que, recentemente, foi noticiado que Kate Moss, o ícone da beleza e da modernidade mundial, comprou um de ouro por 350 dólares para presentear uma amiga. Mas esse modismo, ao mesmo tempo em que se tornou menos polêmico, ainda atinge poucos. “Não é qualquer uma que tem coragem de entrar em uma sex shop e pedir um vibrador”, garante a ginecologista Sonia Rolim, professora da Escola Paulista de Medicina. “O que eu sinto é que as mulheres andam mais curiosas sobre o tema.” A médica acha que o uso de vibradores é importante para que as mulheres conheçam melhor seu próprio corpo. E também para casais que tenham intimidade e curtam, mutuamente, usá-lo durante o sexo. É assim com a atriz Thalma de Freitas, que não conhece a palavra “pudor” ao falar sobre o tema. Ela comprou seu primeiro vibrador quando estava solteira. Depois de casada, o brinquedinho virou parte da rotina do casal. “Meu marido adora que eu tenha um e gosta de me ver usar”, diz a atriz. Casada há três anos, ela está fazendo o mito de que vibrador é coisa para mulher encalhada cair por terra.

A atriz Jayne, de 34 anos, uma paulistana linda de olhos verdes, é outra que ajuda a derrubar o mito. “O vibrador é interessante por vários aspectos. Inclusive para a gente mexer com nossos arquétipos sexuais. As mulheres às vezes são um pouco menino também”, diz a moça. Um certo dia, seu pequeno vibrador, presente de uma amiga, desapareceu. Jayne desconfia de que foi roubado por uma faxineira evangélica (sim, é verdade, este não é um texto de ficção). Há alguns meses, decidiu pedir um para o namorado de presente. “Fui com ele na sex shop e comprei um ótimo.”

 

   
 
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