
São cerca de 300 e-mails e outros 300 minutos ao telefone. Tudo nas 24 horas do mesmo dia. Some-se a isso as horas dedicadas à leitura completa de O Estado de S.Paulo, da Folha de S.Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Valor Econômico. E mais um tempinho para ouvir o que rolou de importante nas rádios. Sem contar os momentos que usa para conversar na redação e arrematar o fluxo quase incessante de informações que recebe. Essa é a rotina da jornalista Sonia Racy, especialista em misturar os números da economia a pessoas importantes. Ela é a responsável pela coluna “Direto da Fonte”, criada para ela por Augusto Nunes, batizada por Nizan Guanaes e publicada há 15 anos no jornal O Estado de São Paulo.
Ela está lá há 18 anos e, entre outras coisas, recebeu a tarefa, também de Nunes, de editar a primeira coluna social do jornal, “Sonia Racy”, que estreou em 1988. A jornalista tem ainda seus próprios minutos na rádio Eldorado AM, a “Coluna Dois”, também sobre economia. O nome desta veio de outro amigo, o publicitário Mauro Salles. Bem-nascida, bonita, inteligente e sempre cercada por grifes, Sonia cresceu entre os bacanas de São Paulo. Freqüentou boas escolas (entre elas, o Graded School, o colégio americano de São Paulo), tem amigos que eram da mesma turma na adolescência e hoje são parte “da turma” que faz e se torna notícia em todas as colunas do país. Enfrentou preconceito nas redações por cada uma das razões acima, mas decidiu que gostava tanto de jornalismo que ia agüentar o desdém, “porque tinha mais apego à profissão e muito mais ideologia. Eu sempre trabalhei como qualquer colega e às vezes recebia tratamento diferente por ser rica. Sempre me perguntava, quem tem mais ideologia, então?”.
Tpm. Por que existem tantas jornalistas especializadas em economia?
Sonia Racy. São muitas realmente. Acho que mulheres são boas administradoras, e por que não seriam? A economia não é uma área reservada aos homens. É uma disciplina que interessa a algumas pessoas, independentemente do gênero. Eu gosto de misturar um pouco a teoria ao comportamento. Gosto de ver como modelos totalmente teóricos se misturam a doses de realidade. Deve ser porque gosto muito de psicologia. Aí, tenho o conhecimento do “economês”, mas tempero com realidade. A economia não é uma ciência exata. Economistas adoram teoria, mas como diz uma das minhas fontes: “Em sendo a vaca quadrada...”, só que a vaca nunca é quadrada, por isso as teorias nunca conseguem ter sucesso total na realidade.
Você foi modelo também, né? Sim, fui modelo por oito meses. Mas, se reclamava de fazer coluna social, imagine de ser modelo! Não gostei. Cheguei a fazer parte do casting da Ford em Nova York, mas só por três meses... Fiz uns editoriais de moda, era chato, mas pagava bem. Tenho fotos feitas pelo David Zing, adorava o David Zing [David Drew Zing, fotógrafo e jornalista norte-americano radicado no Brasil].
E, das passarelas, você acabou nas colunas de economia? Bom, quando o Caio Túlio [o jornalista Caio Túlio Costa, que dirigiu o UOL e trabalhou na Folha de S.Paulo] viu minha coluna na Vogue, me chamou para editar o caderno “Casa e Companhia”, na Folha... Nada a ver com economia, né? Mas eu trabalhava lá e meu braço direito era a Lílian [Lílian Pacce, apresentadora do programa GNT Fashion]. Não era bem o que eu queria também, estava com saudades da economia mesmo...
Aí, você foi para o Estadão e ganhou a coluna social? Não ainda. Eu me associei à Ana Carvalho Pinto e ao Ruyzito Ferraz e abrimos uma assessoria de imprensa. Isso foi lá por 86. Achei que valia a pena experimentar um pouco esse lado da comunicação. Em 88, o Augusto Nunes me chamou e me deu a coluna social no Estadão, foi ótimo, ajudou muito a aumentar o meu networking, que já era grande. Dois anos depois, ganhei minha coluna. Bom, e entre as coisas todas, abri duas casas, uma de sucos, a Tutti Frutti, um fracasso. E a outra foi uma franquia da Mambo Jambo, que eu comprei da Manoela Carta. Abri no Marketing Place e deixei a babá do meu filho de gerente...
Ser bonita atrapalha na apuração de notícias? Não uso nada desses aparelhos. Acabo indo à academia duas vezes por semana e olhe lá. Não faço dieta, como de tudo. Meu personnal trainer me chama de aberração! Estou com 50 anos e acho que estou envelhecendo bem...
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