I
nvestimentos

A prótese de silicone importada dos EUA sai por cerca de 2000 reais. Marcas brasileiras custam em torno de 1,9 mil reais. Uma cirurgia pode chegar a 10 mil reais. A internação varia de acordo com o estabelecimento. O Albert Einstein e o Sírio-Libanês, ambos de São Paulo, cobram 3000 reais. Na Santa Casa da Misericórdia (da PUC-RJ), chefiada por Ivo Pintaguy, o procedimento inclui prótese, equipe e internação e custa 5000 reais.

Juventude
A prótese só pode ser colocada em mulheres que atingiram a maturidade da mama, o que acontece por volta dos 18 anos. Não há idade preestabelecida.

K
Vitamina que ajuda a cicatrização. Não deve ser usada sem consultar o médico.

Localização
Quando a prótese de silicone foi lançada, era colocada por cima do músculo peitoral. Uma nova opção, sob o músculo, surgiu como proposta para resolver um problema recorrente: o encapsulamento. O organismo detecta o corpo estranho, a prótese, e para se defender cria uma cápsula de colágeno em torno dela. Isso faz com que a prótese endureça. O método submuscular promoveria uma “massagem natural” na prótese e evitaria o problema. Sem comprovação científica, o método foi abandonado e só é usado se a pele da mama for muito fina e deixar aparecer irregularidades, como dobras da prótese.

Médico
O profissional deve ter formação em cirurgia plástica e ser especialista reconhecido pelo Conselho Regional de Medicina (órgão que regulamenta a atuação dos médicos, subordinado ao Ministério da Saúde) e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Também é bom levar em conta a questão da disponibilidade: consultas mais longas proporcionam conhecimento mais detalhado da expectativa da paciente, o que ajuda a evitar eventuais frustrações. O acompanhamento pós-operatório também é importante. Certifique-se de que o médico tem tempo para isso. O médico pode e deve se recusar a realizar a cirurgia, se perceber um comprometimento psicológico mais grave de sua paciente.

Neoplasia (câncer)
Não há comprovação científica de que a prótese provoque câncer, mas nos EUA o silicone continua proibido. Alguns radiologistas orientam a colocação da prótese atrás do músculo peitoral para melhorar a qualidade da mamografia, mas não há consenso sobre isso. A mamografia ainda é o exame mais adequado para diagnosticar câncer de mama. A ressonância magnética ajuda na detecção e, nesse exame, a posição da prótese não interfere. Como a prótese sempre fica atrás da glândula, a palpação médica de rotina ou o auto-exame, sempre recomendáveis para detecção de nódulos, não sofrem prejuízo.

Operação
É uma cirurgia de médio porte, com duração que varia de 50 minutos a duas horas e meia (em geral, dura uma hora), dependendo do médico e do caso. É possível voltar para casa no mesmo dia. Nunca banalize uma operação porque cada organismo e cada pessoa reage de um jeito ao processo, que, apesar de seguro, é invasivo. Desde que realizada em ambiente adequado, tem risco considerado baixo.

Pré-operatório
Alguns exames de praxe são pedidos antes de qualquer operação, como os de sangue. Quem tem menos de 30 anos deve fazer ultra-sonografia, e quem já passou dessa idade, mamografia para detectar eventuais problemas, como nódulos, por exemplo. Problemas de coagulação devem ser comunicados ao médico. Se a mulher tiver algum problema clínico, como pressão alta ou alteração de tireóide, é preciso consultar especialistas das respectivas áreas e fazer testes complementares. Quem usa pílula anticoncepcional e percebe aumento de mama deve suspender o tratamento para ter o tamanho real como parâmetro.

Qualidade
A prótese de silicone é usada há mais de 40 anos. Há seis anos, sua tecnologia evoluiu e o material, antes liso (que provocava irregularidades), foi substituído por um outro (rugoso, também de silicone) e pode ainda ser substituído por poliuretano. O gel interno antes era líquido e se escapasse podia se espalhar pelos órgãos e se misturar à corrente sanguínea, o que causaria infecções graves. Agora a prótese é recheada de gel, que não se mistura à corrente, em caso (raro) de vazamento. As próteses re-gistradas na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) seguem as determinações obrigatórias e estão aprovadas para uso. O FDA (Food and Drug Administration), órgão que regulamenta os medicamentos nos EUA, suspendeu o uso de silicone no país em 1992 e mantém a proibição até hoje. O objetivo é pesquisar se há relação entre silicone e câncer. Não há comprovação científica de que exista alguma.

Recuperação
A paciente pode fazer caminhadas. Por dois ou três meses, não deve fazer exercícios em que levante o braço ou que exijam saltos. O sutiã mais indicado é o que deixa os seios leves com sustentação. Relações sexuais são permitidas, com cuidado. Durma de barriga para cima nos primeiros dois meses. Mantenha o braço apoiado para usar o computador. Quando a prótese é colocada sob o músculo não se deve dirigir antes de 30 dias. Se colocada na frente, pode-se guiar em duas ou três semanas.

Sensibilidade
Varia de pessoa para pessoa. Pode haver diminuição ou perda da sensibilidade na mama. Essa perda pode atingir a aréola, o ponto mais sensível. Pode haver retorno progressivo da sensibilidade. O estiramento do órgão pode aumentar a sensibilidade no local por algum tempo (três semanas).

Tamanho
Os volumes mais procurados no Brasil variam entre 235 ml e 350 ml. Nos EUA, chegam a 650 ml. O ideal é medir a proporção da base da mama e a largura do tórax para definir o tamanho.

Utilidade
A prótese é indicada para o aumento da mama e gera, por causa da consistência do silicone, um certo endurecimento. Se a idéia é o enrijecimento, o mais indicado é retirar a pele que sobra.

Validade
As próteses atuais têm uma membrana mais grossa e garantias mais extensas do que as antigas. Ainda não se sabe quanto tempo elas duram porque começaram a ser usadas há cerca de sete anos. Estima-se que fiquem mais tempo do que as anteriores.

Xeque-mate
É preciso tomar cuidado com a síndrome de “quero mais”, que é quando a paciente pede para aumentar mais o tamanho do peito em novas cirurgias. Cabe ao médico avaliar as motivações de cada paciente para não alimentar vícios de preocupação com a aparência. Trocas são necessárias porque não existe prótese definitiva.

Ziquiziras
O médico deve explicar todos os riscos envolvidos e responder às dúvidas da paciente. Ela deve perguntar tudo. O médico tem obrigação de responder. Problemas podem acontecer e não são considerados erros: perda de sensibilidade, encapsulamento e a insatisfação com o tamanho final depois da cirurgia.


Fontes: dr. José Yoshikazu Tariki, secretário-geral da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), dr. Antônio Graziosi, presidente regional de São Paulo da SBCP, e dr. Ricardo Marujo, membro da SBCP

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